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O Limite: O Distópico é Agora


Esta não é uma postagem regular.
Há tempos não escrevia algo aqui - tanto no Crise quanto na minha coluna.

Busco de forma curiosa minha inspiração. Diria, inclusive, que busco de forma inocente e não profissional: espero acontecer algo que me motive a parar de enrolar e tentar criar algo bacana.

O que me motiva, hoje, a escrever, é sangue.




Adoro quadrinhos. É a base de amizades que criei, de interesses que tenho e de hobby’s que gasto meu tempo. Seja lendo tirinha, manga, hq de super herói, sei lá, algo nas imagens e nos balões me conquistam e me agradam.

Esse ano tive a oportunidade de ler pela primeira vez um quadrinho chamado Daytripper, do Fábio Moon e Gabriel Ba, da editora Vertigo. Daytripper me fez uma pergunta que me impactou em diversos níveis: “quais são os dias mais importantes da sua vida?”

Não preciso dizer o quão incrível é a revista que conta da vida de Brás. Inclusive, se você nunca leu Daytripper, tem algo errado. Leia o mais rápido possível! Quero falar o menos possível dessa história pra não estragar a diversão de ninguém; só digo que é uma fantástica homenagem ao viver, ao lutar e ao amar.

O ano de 2017 foi catatônico.  Mudei 100% o rumo da minha vida voltando pra faculdade em uma área completamente diferente da anterior, criei novas amizades, intensifiquei outras e conclui que eu tenho que ser a mudança na minha vida. Que preciso fazer o bem e buscar o bem, lutar pelo que acredito mesmo quando pessoas acham que estou errado e ir atrás dos meus objetivos.

Quando li Daytripper esse ano e me perguntei “quais são os dias mais importantes da minha vida”, entendi que são os que estou vivendo agora porque estou do lado do que acredito. Outras pessoas já devem ter tido a oportunidade de se perguntarem isso sozinhas, diferentes de mim que precisou de um quadrinho incrível.

Pessoas que nem a Marielle Franco. Mulher negra e bissexual, que nasceu e cresceu na favela. Precisou enfrentar tudo no mundo para conseguir ser o que foi; e há um pouco mais de dez meses, tinha sido eleita para se tornar vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Foi a quinta mais votada da eleição!

Ela deve ter tido certeza que este tinha sido um dos dias mais importantes da vida dela. Principalmente pelo que ela se tornaria.

Pouco após a posse, Marielle trouxe discussões e se posicionou mesmo quando minoria na casa. Se inteirou em projetos, foi solicita com a população de sua cidade e foi além.

Em 28 de fevereiro de 2018, por não considerar correta a arbitrária e antidemocrática intervenção militar na cidade do Rio de Janeiro, ela foi escolhida como relatora de uma comissão que vai avaliar e acompanhar a intervenção no RJ.

Em 10 de março de 2018, ela não ficou calada: expôs os absurdos e abusos da polícia militar, principalmente na favela de Acari.

Em 15 de março de 2018, Marielle foi brutalmente executada junto com seu motorista; em uma situação que se assemelha muito à uma morte política, afinal, os atiradores a mataram com precisão, utilizando balas de um lote da polícia federal, e sumiram, sem levar nada.

Tal como Daytripper nos faz lembrar, os dias mais importantes das nossas vidas não são sempre felizes. A morte é, também, um dia importante.

Não podemos abaixar nossas cabeças e ficar em cima do muro. Não podemos aceitar essas situações - que passam em cima da gente, que nos jogam de escanteio. Existem poderes que estão tentando se instaurar no Brasil. É nosso dever impedir que eles ganhem.

O sangue de Marielle sangrou no Rio e no Brasil. Precisamos nos mobilizar.

Termino, aqui, com um quadrinho, é claro,  do Latuff, que ilustra muito bem nossa realidade.

E leiam Daytripper. Vale muito a pena.

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