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[Análise] Luke Cage, o herói do Harlem na Netflix

Em sua terceira série da Netflix, a Marvel Comics traz o poderoso Luke Cage para a realidade do Harlem. Estrando com todos os episódios no final de Novembro, o Crise já assistiu a todos, então dê play na trilha sonora no fim do post e fique com nossa análise sem spoilers dessa primeira temporada:

Criado em 1972, na revista Heroes for Hire, os poderes de Luke Cage são o resultado de um experimento que tentava replicar o soro do super soldado. Nascido no Harlem, incriminado e preso, a procura de respostas e herói de aluguel, Cage segue com uma boa bagagem de histórias pela Marvel, incluindo super grupos e seu melhor amigo, o Punho de Ferro. Nos quadrinhos ele e Jessica Jones são casados e tem uma filha!

Mas como sempre acontece com adaptações para outras mídias, alguns detalhes da história são mudados, nada muito gritante. Temos algumas diferenças nas relações familiares, algumas personagens são levemente diferentes. Boca de Algodão (Cottonmouth), Mariah Dillard, Shades e Kid Cascavel (Diamondback), são os vilões da série nessa primeira temporada que, como todas as séries anteriores, se dividem em duas partes, sendo a primeira metade da série mostrando um enredo com os três primeiros e seguindo para um desenvolvimento que introduz o Kid Cascavel.

Black Mariah, Shades, Cottonmouth e Diamondback.

Uma das melhores coisas que a Netflix consegue fazer com suas séries, sejam originais ou de uma terceira parte, é a ambientação e, como Demolidor e Jessica Jones, Luke Cage não escapa disso. Além do já característico bairrismo desses heróis, a fotografia é indispensável e incomparável nessa montagem que o Universo Marvel faz para Os Defensores. Nos primeiros minutos de série, você se sente perdido num Harlem atemporal, até um dos personagens falar sobre Instagram, o espectador se vê numa barbearia das antigas, enquanto Luke está ali no fundo, varrendo o chão. Pra quem já assistiu Todo Mundo Odeia o Chris, esse primeiro momento é muito parecido com um início de episódio em Bed-Stuy.


Além dessa ambientação fenomenal, a série conta com convidados na maioria de seus episódios. Um dos principais cenários da trama é o Harlem's Paradise, uma casa noturna com música ao vivo e, os convidados especiais, são as bandas que usam seu palco. A música é um detalhe importantíssimo no decorrer da série, além de cenas de pancadaria regadas de hip-hop, cada artista que se apresenta trazem uma importância e detalhe a trama do episódio. A trilha sonora de Luke Cage é, com certeza, de tirar o fôlego. Em uma entrevista com Cheo Hodari Coker, o showrunner da série, ele disse que até mesmo Prince foi cogitado para uma aparição mais do que especial, mas a morte do cantor acabou deixando essa opção apenas na imaginação.

Por ser um personagem negro que é de muita importância e um dos mais representativos da Marvel, num bairro que exala a história do povo negro nos Estados Unidos, toda essa cultura tenta ser passada no seriado, com a seriedade que se é devida. As personagens interagem de um jeito que você está ali no meio, enfiado na história. São pouquíssimos brancos no elenco e não deveria ser diferente de jeito algum. A série deve e representa uma luta que não pode ser calada, os diálogos tratam de questões como a palavra nygga - traduzida na legenda como nego -, de como ela afeta, diferentes jeitos, quem a escuta, independente do 'jeito' que é usada. Outra questão tratada é a brutalidade policial, que sempre é muito seletiva. Diria que Luke Cage é muito mais política do que as que vieram antes pela Netflix e isso é muito importante.

Apesar de reclamações sobre a série ser muito parada, é uma coisa que o espectador tem de se acostumar, LC não segue o mesmo ritmo que Demolidor ou Jessica Jones - que também tem seu próprio ritmo narrativo. Essa é uma série mais calma, ela se desenvolve de acordo com a personagem principal, do mesmo 'jeitão' de Cage. Ela foca nos problemas do bairro, nas relações intrapessoais das personagens e, em alguns momentos, até em resoluções para o passado de Luke, quando sua origem é contada, para dar início a segunda parte do seriado.


Luke Cage, em seus treze episódios atinge uma boa qualidade e consegue adicionar muitos dos detalhes que o futuro da série - e até dessa empreitada - vai nos trazer. O gosto de Luke pela cultura chunesa está estampado em quase todos os episódios, seus senhorios são dois chineses donos de um restaurante, o qual ele mora no andar de cima; há alguns posteres de kung-fu espalhados pelo cenário. entre outras coisas bem sutis, que abrilhantam a experiência de assistir aos episódios.


Pra concluir, se falei alguma coisa fora do contexto ou se ofendi alguém, pois me preocupou muito o fato de fazer essa análise da série sem ter o lugar de fala que ela defende, por favor, aponte isso. Então, se acabei falando algo idiota ou ofensivo, me chame para conversar que farei o possível para concertar ou editar alguma parte da postagem. Espero que ela tenha agradado a quem se deu ao trabalho de ler. Obrigado!



Análise escrita por Rodrigo Castello, o Cuba.

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