sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Canário Negro: O Som e a Fúria - Análise

Após muito tempo, a Panini finalmente trouxe às bancas o encadernado com a heroína mais gritante da DC Comics. Canário Negro: O Som e a Fúria foi lançado há pouco tempo no Brasil, em um formato interessante de 17 x 26 cm e capa cartão. Mas será que a espera valeu a pena? Será que as páginas e seu conteúdo conseguem trazer toda a empolgação que a arte promete? É o que veremos nesta nossa análise.

Esta HQ traz as edições Black Canary de 1 a 7 além do Sneak Peek. São 164 páginas de puro rock n' roll com os traços de Annie Wu e Pia Guerra, cores de Lee Loughridge e textos de Brenden Fletcher. Originalmente lançada em 2015, a narrativa traz a banda recém-nomeada Canário Negro em uma turnê cheia de lutas, embates, ex-vocalistas doidas, shows destruídos e muita música. Tudo isso liderado por Dinah Drake (ou D.D.), uma cantora que parece estar na profissão errada, além de parecer estar envolvida em algo muito maior do que a música em si.


A cada página, a revista traz algo novo tanto para a narrativa quanto para o desenvolvimento das personagens. O excelente roteiro de Fletcher nos faz viajar como em um road movie, conhecendo localidades distintas e nos envolvendo com cada integrante da banda. Temos a própria Dinah que claramente esconde algo dos outros, mas que os protege com unhas e dentes; a baterista de muito talento Lord Byron; a tecladista de muita atitude Paloma; e a guitarrista esquisita e estilosa conhecida como Ditto. O empresário da banda, Heathcliff Ray é quem tem que resolver os problemas das sempre frequentes brigas que D.D. se envolve em cada uma de suas apresentações. Somando a isso tempos a vingativa ex-vocalista Bo Maeve que quer fazer de tudo para acabar com Dinah e ainda um grupo secreto que está atrás da banda por algum motivo. É assunto o suficiente para uma discografia completa.

A arte da HQ possui dois lados: enquanto que Annie Wu (Gavião Arqueiro) consegue dar o tom maravilhoso que a revista precisa, Pia Guerra fica entre o mundano e o genérico, nada que consegue se destacar nos painéis que usa. Cada pincelada de cor por Loughridge consegue garantir e de vez em quando até salvar alguns quadros que poderia acabar caindo no esquecimento, algo que engrandece ainda mais o conteúdo da HQ. As páginas com a arte de Wu possuem toques maravilhosos que fazem jus ao roteiro de Fletcher, mesmo quando o mesmo não possui falas. Há uma sequência de painéis onde tudo fica em silêncio, como se tivéssemos colocado o "mudo" da televisão. Essa parte é sensacional, e mostra o quanto uma HQ consegue quebrar barreiras de criatividade. Os diálogos cheios de referências ao mundo do rock trazem lembranças de filmes como The Runaways, o que apenas aumenta a qualidade do gibi.


As reviravoltas referentes ao mundo da música em junção às reviravoltas já aparentes em revistas de super-heróis são maravilhosas, me fazendo o tempo todo voltar páginas para ver se saquei a piada ou até mesmo para reler alguma fala bem colocada. Outro ponto sensacional é o a montagem a la filmes como Trainspotting, há muito dinamismo em cada parte, dando uma forma toda frenéticas às cenas de ação que se encaixam muito bem como um refrão em uma bela música de punk rock dos anos 80.
A aparição de personagens do universo DC também ajuda muito em desenvolver cada um, além de criar um laço bacaninha entre leitor e membros da banda. Algo que vimos pouco por aí. Isso sem contar o clímax empolgante que pode ser lido enquanto ouvimos "Cherry bomb".

O trabalho material feito pela Panini é comum. Não há nada fora do ordinário, e até mesmo possui certas páginas mal impressas, o que incomoda. Nada que realmente atrapalhe na leitura, mas que acredito que podia ter sido feito com maior atenção. É importante ressaltar que a revista acompanha um pôster lindão da turnê da banda, algo muito bem adicionado pela editora. O preço de capa é R$22,90.

Se você ainda não pegou essa HQ, corra para as bancas e garanta a sua, pois como um bom disco de rock n' roll, ela deveria estar na sua coleção.

Nota: 9/10

Escrito por Ricardo Syozi

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