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Batman: Superheavy - Análise

Batman: Superheavy, a saga dividida em dez partes que começa no capítulo #41 e termina no #50, é um grande marco para o Homem-Morcego. Com certeza, o arco é um dos que mais dividiram os fãs de Batman. Confira o que achamos da mais nova história do cavaleiro das trevas - que nunca esteve tão diferente quanto fora nestes dez últimos capítulos.


Sendo uma continuação praticamente direta do fantástico Endgame, que foi finalizado no Brasil recentemente, Superheavy veio com uma missão dupla: ser a última saga de Batman sob roteiros de Snyder e arte de Capullo; que estão conosco desde o início d'Os Novos 52, e embarcar em um conceito novo da DC - a DC You (ou, como a panini decidiu chamar por aqui, "DC e Você").


Antes de falarmos sobre a saga; precisamos falar sobre a própria DC You. A proposta da empresa foi diversificar seu catálogo; dando novos ares para heróis, novas chances para revistas e modificando alguns status quos que há muito estavam saturados. Por maior que tenha sido a recepção da crítica dessa etapa da DC; o público não parece ter gostado muito das mudanças.

Claro que os leitores de "mente aberta" conseguiram notar grandes diferenças que davam novos ares para as revistas da casa, e até incrementavam no universo da DC - mas, em geral, o que os fãs queriam era um "mais do mesmo" melhorado, e não algo novo mediano. A DC You acertou em entregar muitas novidades inesperadas e com qualidade altíssima; mas também pisou na bola aqui e ali.

Superheavy não se enquadra nem no mais do mesmo, e nem na novidade medíocre. Com certeza; a saga, que é um resultado do chocante final de Endgame, conseguiu dar vitalidade e trazer novidade para um herói que protagoniza uma revista há mais de setenta e cinco anos. Agora, após a "morte" (ou, bem, amnésia) de Bruce Wayne; a imagem do Batman deixou de estar marginalizada - e fora adotada pela polícia de Gotham. Isto é: está na hora de alguém suceder Bruce.

Agora que a polícia de Gotham tomou o manto para si; eles detinham o nome do herói - e podiam escolher à quem aplica-lo. O da vez fora o comissário Jim Gordon. Aliado de uma roupa colada, eventuais cigarros, diversas etiquetas de nicotina e um exoesqueleto mecânico e potente; Gordon mergulha no mundo do heroísmo; em uma revista que aposta, de fato, em seu super peso pesado. O peso de levar o nome do Batman adiante - e de fazer uma crítica ao estado policial punitivo.

Já deu para entender porque a revista dividiu tanto os fãs, certo? O público ficou nitidamente conflitante: parte gostou de ver a mudança - principalmente porque muitos outros, no passado, já usaram a capa de Batman em sua revista principal; como Dick Grayson ou Azrael. Oras; se no passado já mudou e ficou legal, qual o problema de mudar agora?

Outra parte dos fãs ficou revoltada. Principalmente aqueles que começaram a leitura nos Novos 52. A mudança pareceu brutal demais. O Batman não é mais Bruce? Como assim? Hoje em dia, passamos por uma realidade em que os quadrinhos tiveram um boom imenso; e a imagem de Bruce Wayne como Batman é mais solidificada do que nunca. A mudança pareceu abrupta para este contingente de fãs que representa, de fato, muito dinheiro para DC.

Finalmente; a terceira parte de fãs que não gostou das mudanças fora o grupo que sempre ficou com um pé-atrás em relação ao Scott Snyder. São pessoas que não veem problema em mudar quem está por debaixo da máscara; mas criticam o fato de que o Snyder acaba trazendo drásticas mudanças, afetando de forma intensa a mitologia do homem-morcego; e nem sempre o roteiro se atém à detalhes que não podem passar despercebidos.

Superheavy é uma longa saga, de dez capítulos, que não fora planejada para os fãs, para a editora e nem para as bancas de jornais. É, de fato, um arco que escorre o amor e a visão de seu roteirista e desenhista. É uma história que, logo de início, está marcada por claras dedicações e vontades da equipe criativa, que tentou realmente dar um ar novo para o super herói mais famoso - e mais comercialmente bem sucedido - do mundo.

É uma pena, entretanto, que a iniciativa da DC You - que praticamente incentivou as mudanças - tenha dado errado. A recepção da crítica e da mídia fora estrelar; mas o mesmo não pode se dizer das vendas. Claro, Batman sempre vendeu bem, e continuou desta forma, mas nem perto de como foi com Endgame.

Isso reflete claramente na história. Os cinco primeiros capítulos da saga não são só os melhores cinco capítulos de todo o arco; mas como também um emaranhado das melhores narrativas, propostas e ideias que já ocorreram em mais de setenta e cinco anos do super herói. Jim Gordon brilha e exala autenticidade, carisma e emoção como Batman; ao mesmo tempo em que o novo vilão, Mr. Bloom, se mostra uma das figuras mais brutais, assustadoras, misteriosas, e fascinantes de todo o universo DC.

De fato, o capítulo 44, focado em Bloom e em Gotham, reflete praticamente toda a carreira de Snyder como roteirista. De forma precisamente elaborada e emocionante; Superheavy começa e se desenvolve de forma espetacular, se pondo como uma das - se não a - melhor história que o homem morcego já teve em toda sua carreira. Eu acredito de verdade que a edição #44 da revista é o melhor capítulo que já levou Batman impresso no nome.

Uma pena, entretanto, que a inconsistência nas vendas forçou mudanças. Fica visível, quanto mais e mais chegamos ao final da história, que Superheavy não veio para ficar. Quando vamos entrando em seu bombástico ato final; explicações são dadas na correria, sem a exploração necessária, para que Bruce Wayne volte o mais rápido possível a utilizar o manto do Cavaleiro das Trevas.

Jim Gordon não colou como Batman. A armadura não conseguiu se vender bem. O conservadorismo da leitura nostálgica falou mais forte do que a real oportunidade de entregar uma história completa e fantástica. O adeus de Snyder e Capullo deixa um gosto amargo. Terminamos superheavy com dois últimos capítulos que simplesmente não conseguem dar os pontos nos is; mostrando o desespero da editora para que o herói seja, novamente, Bruce Wayne.

Com o fim de Superheavy; finalizamos dois momentos na editora. O adeus de uma das mais promissoras equipes criativas da história dos quadrinhos - Scott Snyder e Greg Capullo - e o fim de uma iniciativa para mudanças nas revistas, a DC You. O próximo capítulo ainda terá a dupla; mas será um mero filler, tal como o capítulo 52, preparando terreno para o relaunch de 2016 da editora: o DC REBIRTH - que, é claro, contará com Bruce, e não Jim Gordon, como Batman.

Nota: 8
Análise feita por Alex Jacket; autor da coluna O Limite
Galeria de Capas (clique em uma para abrir o modo de exibição)












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