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Invasão - Os Defensores


A Salvat lançou em sua linha de capa vermelha um encadernado apresentando um grupo um tanto inusitado da Marvel: Os Defensores. E se tratando de um quadrinho cuja equipe criativa conta com Keith Giffen , J. M. DeMatteis e Kevin Maguire, não pude resistir e fazer um post a respeito.



Os Defensores (Defenders em inglês ou Defendedores, como os chamo carinhosamente) são um grupo que pode ser categorizado como B ou C, ou D, até mesmo E não somente por não serem tão conhecidos do grande público (e de boa parte dos marvecos) como também por ser um equipe com membros tão incompatíveis. 

A formação original conta com Dr. Estranho, Namor, Hulk e Surfista Prateado, mas com o passar dos anos outros "grandes" heróis fizeram parte do grupo, como a Valquíria, a Felina e o Falcão Noturno (que tem um uniforme super fashion e nada ridículo). Cada um desses heróis vem de um meio completamente diferente um do outro e não há motivo algum para eles estarem juntos, a não ser por estarem na caixa rotulada como "restolho da Marvel".

E aí vem a genialidade da saga presente no encadernado da Salvar, ela é basicamente a Marvel reconhecendo que este grupo nunca fez sentido e chamando a dupla que melhor entende de equipes desfuncionais.

Giffen e DeMatteis não estão debaixo dos holofotes dos quadrinhos, mas a genialidade da dupla é inegável. No encadernado em questão eles escrevem uma saga cômica, mas é reconhecido a versatilidade de sua habilidade narrativa. Como exemplo, DeMatteis iniciou uma das fases mais sombrias do Homem Aranha com a Última Caçada de Kraven e com A Criança Dentro de Nós (que eu já falei anteriormente nesse link), enquanto Giffen escreveu Aniquilação, uma saga tão épica que remodelou o contexto cósmico da Marvel (também já falei sobre nesse link).

Mas, como disse, o que marcou esta dupla de roteiristas para mim sempre foi sua habilidade em escrever sobre grupos desfuncionais. Meu primeiro contato com eles foi na Liga da Justiça Internacional, que não apenas contava com tramas incríveis, como também com momentos épicos, como o soco que o Batman dá no Guy Gardner que o deixa desacordado por uma semana. Além disso, os Guardões da Galáxia que vemos hoje nos cinemas deve muito a Giffen, que reuniu os personagens pela primeira vez em Aniquilação: A Conquista (nesse link) e quem seguiu lendo as histórias do grupo consegue perceber claramente que aquelas pessoas não sabem trabalhar bem juntas (estou falando da fase de Abnett e Lanning, não dessa porcaria que o Bendis escreve hoje em dia).

Já em Defensores: Indefensáveis, a dupla escreve uma história divertida do começo ao fim e em que nenhum personagem é levado a sério, até mesmo Dormammu, um dos magos malvados mais poderosos do universo é só um bebezão. As constantes brigas entre Namor e os outros membros do grupo permeia toda a história e mostra como o orgulho pode tornar mesmo o maior dos príncipes (ou tiranos) uma figura patética. Já o Surfista Prateado, que fica em meio aos semelhantes, os surfistas, é uma piada a parte.


Finalmente, a LJI, os Guardiões e os Defendedores, graças a essa dupla de roteiristas acabaram criando o tipo de HQs de heróis que eu mais gosto, aquelas sobre equipes que não funcionam, não apenas devido ao humor orgânico que elas geram, mas também porque em geral seus roteiros fogem do arroz com feijão superheroístico e a interação dos personagens são repletas de conflitos que nos dão a chance de ver facetas das personalidades envolvidas que muitas vezes se escondem em histórias solo.

E, é claro, é isso que torna este encadernado tão bom.

P.S.: A Netflix terá um série chamada Defensores, mas seu grupo contará com Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, ou seja, não tem muito a ver com o grupo das HQs.


P.P.S: Acho que pior que os Defendedores, somente os Campeões, um grupo tão underground que tive que checar no Google se eles existiram mesmo ou se foram apenas algo com que sonhei numa bad trip.


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