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O Limite: Vamos falar sobre o Despertar da Força


Talvez o filme mais esperado das últimas décadas; Star Wars: Episódio VII O Despertar da Força chegou para consolidar uma nova geração: uma que finalmente poderá ir no cinema assistir um filme bom de Star Wars. O que vou falar aqui é a minha opinião sobre o filme - não representa o que os outros participantes do site acharam - e está cheio de spoilers. Todos avisados? Vamos lá então.

Indo direto ao ponto: Star Wars VII não é ruim. Está longe disso. Mas também não é ótimo: o que mais se adequa ao filme é o termo "bom". Com bons personagens (na maior parte das vezes) e boas cenas; o filme segue no modelo "space opera" (que o diretor tentou fingir que abandonaria), sendo uma sólida e segura aventura "family-firendly" que consegue agradar em cheio os fãs mais extremos; porém deixa algumas outras pessoas com uma sensação de "eu já vi isso antes".

E, bem, isso é "O Despertar da Força". O diretor e co-roteirista J. J. Abrams, conhecido por filmes bons porém não ótimos, faz um trabalho que mais parece um remake do que uma continuação. Com cenários e situações parecidas; o verdadeiro despertar aqui é da extrema falta de criatividade e ousadia que assombra um roteiro previsível e repetido; que serve principalmente para iniciar uma nova franquia hiper comercial do que uma continuação de um filme com um bocado de ideias novas propostas por George Lucas na década de 70.

É errado e hipócrita falar que o filme não traz novidades. Finn (John Boyega), o stormtrooper com coração e sentimentos, conquista quem assiste quase que instantaneamente; por ser um herói que trocou de lado - para o bem, uma bem vinda novidade nos filmes de Star Wars. Rey (Daisy Ridley) é outra que, tirando o batido estigma do "esperando minha família", é excepcional e carismática; tendo um potencial incrível para o futuro da série.

Poe Demeron, o personagem protagonizado pelo ótimo Oscar Isaac, é um pouco desperdiçado; mais parece uma releitura do Han Solo, piloto hiper capacitado com fortes frases de efeito, do que algo novo no filme. Ainda, ele não decepciona; e, assim como os outros dois, mantém um padrão de qualidade que seguirá nos próximos filmes.

E é infeliz notar que as novidades reais acabaram por aqui. O "droid com algo importante no meio do deserto", a (repetida) estrela da morte, os problemas de família, as incríveis e inexplicáveis coincidências que só existem para o roteiro andar: tudo está, de novo, aqui. "O despertar da força" mais parece um remake de "uma nova esperança" do que algo novo. Não necessariamente este é um ponto que 'piora' o filme; mas retira um pouco do clima misterioso que os trailers tanto insistiram: para que tanto mistério se a história é quase a mesma?

Han Solo (Harrison Ford) está fantástico no filme, como era de se esperar. O personagem tem muito mais importância que seus colegas dos outros filmes; e faz sentido. Ele serve como um "passar de bastão" para os nossos novos heróis.

Mas o filme tem, sim, defeitos. Os vilões são mal trabalhados e bobos; tendo em vista que o Adam Driver (o Kylo Ren no filme) é praticamente a ressurreição de Heyden Christiansen (Anakin Skywalker das prequels): com uma atuação de dar dó; o personagem é o hilário negativo do filme, que tem surtos psicóticos de garoto mimado que quebra tudo só pra mostrar que é fortão. E que atuação meia boca...

A "primeira ordem" é o novo nome do império; e tem uma cara bem mais fascista e "estado grande opressor que retira liberdades" do que o que estávamos acostumados na antiga trilogia; mas no final é a mesma coisa: vilão mascarado que tem um pouco de bondade no coração e é pupilo do líder supremo. Já vimos isso, não é mesmo?

As dogfights aéreas de Tie Fighters v. X Wings são extremamente bem produzidas, tanto quanto as lutas em chão; em um filme cheio de efeitos espalhafatosos e desnecessariamente brilhantes - praticamente uma marca no estilo do J. J. Abrams.

Acho que o problema que encontro em Force Awakens é o fato de que quase nada aqui é novidade - mesmo depois de trailers que tentaram (e conseguiram) esconder detalhes da trama, nos prometendo algo novo. O filme é um banquete para o fã órfão que esperava uma nova e decente iteração da franquia; mas ao se retirar as lentes do fanatismo, o filme é bom e nada além. Não impressiona nem inova, só entrega o sólido e divertido. Se isso é bom ou ruim; só os próximos filmes dirão. 
***
Conheça mais da coluna O Limite; de Alex Jacket.

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