Avançar para o conteúdo principal

Resenha: Spider-Gwen (Vol. 1)

Spider-Gwen foi uma das maiores descobertas de 2015. Começando como uma mera personagem de uma mega-saga do Aranha, ela logo ganhou uma mini série de 5 capítulos e, ainda nesse outubro, estreará seu volume 2, virando uma série mensal regular. Afinal, o que a Gwen Stacy da Terra-65 tem de tão especial? Confira aqui nossa resenha!

Um dos quadrinhos mais vendidos e criticamente aclamados de 2015 não fora dos grandes nomes e muito menos de coisa velha; e sim uma reinvenção de uma personagem que por muitos é esquecida. Enquanto na Terra regular e no universo ultimate as coisas relacionadas ao Homem-Aranha seguem na montanha russa de sempre, um novo e ousado início em um longínquo "spider-verso" é uma inesperada e agradável surpresa.

The Edge of Spider-Verse #2 - O início de tudo!
Estou falando da anteriormente inexplorada Terra-65. Em uma das melhores história que a Marvel já publicou em anos, o "Edge of Spider-Verse" foi uma injeção de criatividade e reinvenções em um herói tão clássico quanto o Homem Aranha. Explorar diversas realidades alternativas, aonde cada uma delas entregava uma história com acontecimentos diferentes - bem no estilo de Flashpoint (DC Comics, 2011) - foi com certeza um acerto.

O foco da vez vai ser principalmente na segunda edição da revista, e nas consequências de seu sucesso. Edge of Spider-Verse #2 nos introduz pela primeira vez a personagem que protagonizou, ao lado das maravilhosamente reinventadas Barbara Gordon (Batgirl) e Kamala Khan (Miss Marvel), as heroínas nos quadrinhos. 

É importante notar como as histórias conseguiram ficar melhores, mais bem trabalhadas e mais diversificadas nos quadrinhos da Batgirl e da Miss Marvel - e não importava mais o tamanho do decote ou o quão apertado era o collant. Essa influência das recentes reinvenções nos quadrinhos acabou sendo a fundação do sucesso de tanto Edge of Spider Verse quanto da própria Spider-Gwen.

Spider-Gwen Volume 1: a mini série de 5 capítulos que deixa qualquer cético sem palavras
Na Terra-65, são poucas as coisas que temos iguais ao universo regular- poderia dizer que os nomes são relativos, e olhe lá. O detetive Frank Castle, o advogado Matt Murdock, a banda de punk rock "The Mary Janes" - aonde Gwen é baterista - e uma série de problemas envolvendo essa Nova Iorque em que tudo de bom e ruim cai nas costas de nossa Spider Woman. 

Essa mini série é meio que uma história de origem da heroína, mas sem cair em um clichê repetido, porque o foco é o que está acontecendo em sua volta e como Gwen irá resolver, não como conseguiu seus poderes. A sociedade detonada pelo Rei do Crime e pelo Matt Murdock - também bem diferentes nessa terra - e uma gangue de homens-pássaros malucos.

É uma história com roteiros hiper sólidos, que fica claro que a ideia proposta pelos roteiristas estava fixa desde a liberação para ter uma mini série. Os traços são, na maior parte das vezes, bonitos; mas ocasionalmente aparece um rosto estranho ou outro - porém, na arte, o destaque fica para as cores. Com cores incrivelmente bem postas, tudo fica muito mais bonito e as cenas de ação muito mais envolventes.

A história principal desses 5 primeiros capítulos introdutórios acaba sendo pé no chão e lotada de reviravoltas empolgantes que conseguem deixar o leitor entretido sem fazer nenhum personagem parecer batido ou enjoado. É legal ver as grandes personalidades do universo do Aranha modificadas em uma terra aonde quem morreu não foi a Gwen; mas sim o Peter. A picada da aranha é o que menos afetou as mudanças na Terra-65.

"Somente" uma garota.
Gwen Stacy se autoproclama "somente" uma garota. "Somente" uma garota que vai chutar tua bunda e conseguir salvar o dia, deixemos claro isso. Seja da relação dela com seu pai, com o crime ou com sua própria identidade secreta: Gwen sabe o poder da autocrítica e consegue ser fria até nos momentos em que muitos cairiam em prantos. O roteiro consegue, de maneira divertida e inesperada, deixar isso claro todas as vezes.

Não é fácil para ela: parece que todo mundo que se aproxima dela é ferido ou morto, sem dizer que é praticamente visto como uma criminosa. Mas o que a gente deve fazer quando o mundo grita que estamos errados? Essa é a grande dúvida dessa mini série. O maior super poder de Gwen não veio de uma aranha, mas vem de sua forte e poderosa psique. 

Enquanto alguns personagens de vilões viram heróis, outros são tão reinventados e renovados quanto a própria Gwen e o (finado) Peter foram. Felicia (que, no caso, participa de uma banda: Felicia + The Black Cats) fora completamente reinventada e, pelo menos aqui na Terra-65, não é uma genérica imitação da Mulher Gato.

O explosivo ato final.
A leitura dos cinco primeiros é rápida e deixa um gosto maluco de quero mais. O quinto capítulo é definitivamente explosivo e termina essa maravilhosa introdução da forma mais intensa possível. É o início de novas amizade e inimizades - algumas que irão durar um pouco e outras que parecem que se tornaram grandes nêmesis. Spider-Gwen é fenomenal do início ao fim, e como obra, deve-se ler de maneira sequencial, ao menos esse início. 

A continuação, que está programada à ser publicada agora em outubro, será uma série regular com a mesma equipe criativa, e não podíamos estar mais animados. Spider-Gwen vol. 1 tem seus problemas que são incrivelmente resolvíveis: um ou outro quadro em que os desenhos estão esquisitos e uma história um pouco corrida demais. Porém, pessoal, é pouca coisa perto da grandiosidade da personagem, e o retorno dela em outubro promete e muito.

Nota: 9.5
Edge of Spider-Verse #2 e Spider-Gwen (vol.1) capítulos #1 ao #5 tiveram sua resenha feita a partir de uma cópia digital do ComiXology. 

Resenha feita por Alex Jacket, autor da Coluna O Limite

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Invasão - Por onde começar a ler X-Men

O grupo mutante X-Men é um dos maiores títulos da Marvel e sempre compete pela liderança de maior número de edições vendidas da editora e isso é um reflexo da qualidade de seus personagens e histórias.

ESPECIAL: Constantine - Ordem de leitura!

Com tanta série vindo por aí, querer conhecer um pouco mais do que está chegando pode parecer uma boa ideia. Saiba o que ler para ter um conhecimento sobre o  mago inglês mais famoso da DC Comics e estar preparado para o que pode vir a ter na série.

Supergirl, Lanterna Vermelha

Não é de hoje que a Supergirl tem alguns problemas em controlar sua raiva e alguns sentimentos mais fortes e, de acordo com o novo escritor de Supergirl, Tony Bedard diz que Kara vai evoluir de uma adolescente cheia de raiva para uma adulta, defensora da Terra. Mas primeiro, ela tem que se livrar dessa fúria da juventude! Cuidado com os spoilers: