sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Planetes #1 - Análise

Cheguei no escritório e tinha um mangá bem maneiro em cima da mesa, capa diferenciada, verniz localizado e todo um trabalho bonito, me falaram que era do mesmo escritor de Vinland Saga, o Makoto Yukimura, que acompanho pelo lançamento brasileiro. 'Bom, porque não ler?' pensei, e logo pedi emprestado.

Já havia um tempo que estava fora do mundo dos mangás, nem One Piece, minha leitura semanal obrigatória, acompanho mais daquele jeito, mesmo ainda amando. Peguei Planetes na mão já pensando numa certa genialidade de Makoto, até porque o outro trabalho dele é sobre Vikings, uma coisa bem diferente da cruzada espacial que é Planetes, mostrando a flexibilidade do autor.

Logo na introdução, com páginas coloridas, temos a introdução do problema: o espaço ao redor da Terra está cheio de detritos espaciais, de tanta coisa que o ser humano já jogou em órbita. Um acidente com uma grande nave é basicamente o estopim pros governos assumirem que precisam limpar tudo para que a exploração espacial continue no futuro, onde até a Lua já está habitada. Yuri Mihairokoh é um russo envolvido nesse acidente, mas o verdadeiro protagonista é seu aprendiz, Hachirota 'Hachimaki' Hoshino.

Hachimaki seguiu a carreira do pai e quer simplesmente entender o universo. Acompanhado de Yuri e Fee Carmichael, capitã da nave Toy Box, se empenham na limpeza de destroços, satélites abandonados e tudo o que se pode encontrar na órbita terrestre. Tem até uma cena bem parecida com Gravidade, ele fica rodando no espaço meio perdido.

Mas não é só isso, lixo espacial, naves, planetas, satélites, etc. Planetes é um drama, claro que tem aquele toque de aventura, que todo shonen mostra, mas ele se leva a sério, Yukimura quer te mostrar a profundidade e infinitude do espaço sideral e como isso pode afetar o ser humano, ali representado com todo o ímpeto de um garoto seguindo seu rumo.


Você se preocupa com um grupo terrorista que quer acabar com a exploração humana, pensa como seria viver na Lua ou até com alguém que tenha nascido por lá (tem um capitulo incrível sobre essa!). Não é só uma caça a detritos, é a importância do ser humano se perceber como o próprio universo em si, como Carl Sagan já dizia, somos apenas um pálido ponto azul, mas também fazemos parte e somos o universo. Sim, Makoto Yukimura consegue te passar isso.

Quanto ao traço, pra quem acompanha ou já viu a evolução do mangaká em Vinland Saga, consegue perceber a simplicidade de Planetes, desenhando os humanos de uma forma simples, mas que passa muito bem a emoção a ser mostrada e toda a sensação de movimento que um mangá deve ter. Yukimura tem um desenho técnico fenomenal, com naves, estações, construções e tudo mais, porém, sem uma consultoria prévia, onde ele mesmo falou, que não gostaria de ser influenciado, ou até mesmo, impedido pelas especificações técnicas de fazer sua história.

São apenas 4 edições, duas já saíram e estou esperando a outra metade, que já possui um anime igualmente lindo, mas quero muito terminar o mangá primeiro. Tanto o impresso quanto a animação ganharam o Seiun Award, um prêmio japones dado as melhores obras de ficção. Quem tem os direitos no Brasil é a Planet Manga, comercializando os volumes por R$18,90.

Análise escrita por Rodrigo Castello, dono da coluna Primeira Edição.

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