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WOLF #1 - Resenha.


Ales Kot (Zero, The Witching Hour) fica nos roteiros, Matt Taylor (Arcadia) com a arte e Lee Loughridge (Constantine: The Hellblazer) com as cores em uma nova história da editora Image Comics que, em seu extenso capítulo de estreia com 60 páginas, promete uma aventura mística e mágica. Será que consegue entregar?


Para não ficar esperando muito: Sim. Wolf consegue entregar tudo o que promete. E mais. Muito, muito mais. O longo capítulo introdutório - de mais de 60 páginas - nos traz uma realidade alternativa a nossa mas que compartilha de muitos dos mesmos problemas. Por mais que aquele mundo tenha traços místicos e sombrios; a realidade social é quase que a mesma.

Wolf é uma história fantástica que conta uma realidade nem tão fantástica assim. Racismo está em pauta - e o personagem principal, Antoine Wolfe, cabeceia a discussão com seus balões de pensamento e com seu discurso afiado.

O que importa da história é que o fim do mundo está chegando, e junto com ele muitos mistérios. O protagonista começa pegando fogo, mas porque? Quem é essa estranha garota, a Anita Christ, que chega sem avisar? Ales Kot acerta em entregar uma sombria e curiosa história que intriga o leitor a partir da primeira página.

A arte é ousada e grosseira, combina muito bem com Antoine e o ambiente dessa esquisita Califórnia - é uma pena que as cores não acompanham. Sinceramente, a minha única crítica ao capítulo é essa: cores pálidas acabam tirando um pouco da magia da revista. Esquisito, porque Loughridge faz um trabalho fenomenal em Constantine: The Hellblazer.

É uma história sobre apocalipse. Isso é praticamente Wolf. O acerto aqui, porém, é como manejaram de forma crível para não cair na mesmice do fim do mundo mainstream. A Image Comics continua a impressionar esse ano com histórias incríveis - incluindo o maravilhoso Descender e o intenso The Wicked + The Divine.

Talvez o que mais impressiona em Wolf é o quanto ele conta uma história sem tentar empurrar nada goela abaixo do leitor. É legal apontar isso, porque em uma época de histórias mastigadas - ou extremamente confusas; o leitor muitas vezes é destratado simplesmente para o quadrinho poder vender mais. Aqui a coisa é outra. Temos um ambiente que dá pra imaginar e um protagonista que é mais humano que tudo - por mais que a magia esteja com ele.
A obra acaba entrando num ambiente novo e pouco explorado dos quadrinhos - um místico ambiente de detetives, mas com um foco no protagonista humanizado e mais relacionável a nossa realidade. Wolf acerta muito em representar nossa realidade da forma nua e crua, mesmo com todas as ideias mirabolantes do roteiro impecavelmente montado.

Wolf prossegue a mostrar como a editora não está de brincadeira com essas novas histórias. Se você quer um bom drama policial underground; Wolf é o que eu te recomendaria. 

Nota: 9
Resenha por Alex Jacket, autor da coluna O Limite
A leitura fora feita a partir de uma cópia digital da revista, comprada no comiXology (em inglês, somente).

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