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Quarteto Fantástico (2015) - Resenha

A maior decepção do ano ou uma polêmica exagerada? Confira o que achamos de Quarteto Fantástico, o reboot de 2015 da série!

O reboot do Quarteto Fantástico foi um filme discutido e polêmico desde seu anúncio. Com atores e com um estilo muito diferente do esperado para algo relacionado a franquia; a obra estava fadada a ter um trajeto conturbado. Mas, admito, o que eu esperava não era nem perto do que eu recebi.

Eu recebi algo muito, muito pior. Mas chegaremos a isso - vamos seguir em ordem. O filme começa bem. Tipo, bem de verdade. É legal ver o Reed moleque com o Ben, amigos desde sempre, vivendo uma conturbada infância

Daí vem um salto temporal de sete anos... Certo.

Agora com os atores que estávamos esperando, o filme retorna de uma boa introdução para uma origem cheia dos clichês - o famoso "vamos censurar alguém que faz algo incrível só porque é perigoso". E, ao decorrer das aparições dos outros personagens, começamos a perceber que Quarteto Fantástico é um filme praticamente autoral. A única coisa que viera dos quadrinhos foram os nomes e a viajem interdimensional - esta última da versão Ultimate do super grupo.

E quando digo praticamente autoral eu quero realmente dizer isso. Os personagem compartilham pouco ou quase nada com suas origens. São personagens novos, para um filme novo. Isso é ruim? Não necessariamente. Neste filme ficou ruim? Bem...

Ainda na primeira metade do filme, a maior preocupação fica em mostrar as principais características das personagens - tenta evidenciar, de forma repetitiva, a hiper inteligência de Reed, Sue e Victor. Ao entrar Johnny na trama, parece que temos o grupo fechado, certo? Essa é a ideia que o filme passa. Uma pena, Ben Grimm (Coisa), esquecemos de você aqui.

O Ben é realmente esquecido no filme a ponto de ficar quase trinta e cinco minutos sem ter uma participação importante - de pouco mais de uma hora e meia. Enfim, seguindo, o filme (que é dotado de uma trilha sonora excepcional) aposta nas famosas cenas "música de fundo e personagens crescendo".  Eles começam a se dar bem em segundo plano ao mesmo tempo em que a máquina é criada. São quase que melhores amigo - mas o espectador não sabe o porque. E, com um bocado de propagandas escancaradas ao decorrer do filme (estou falando de vocês, celulares da Samsung), o filme começa a mostrar a que veio.

Apostando em um esquisito "triângulo" amoroso entre Reed, Sue e Victor; o filme trabalha o antagonismo de Victor Von Doom da forma mais porca possível. O vindouro vilão é mal planejado, mal desenvolvido e seus ideais são ruins e tragicamente posicionados. É esquisito ver como ele cresce na história. A única cena boa do personagem no filme é quando ele faz o discurso sobre representatividade tecnológica - que os cientistas não recebem a atenção devida. Somente isso.

Depois de unir o pessoal (inclusive o Ben, que é lembrado de última hora), chegamos no momento em que o filme se solidifica como um thriller de ficção científica. Eles viajam, tudo dá errado e ganham os poderes. É importante notar que os quatro atores principais e até mesmo Victor são bons atores. Eles não estão ruins no filme. Sabem atuar, tem talento... Mas não conseguem salvar o roteiro que pouco os explora - quando deveria fazer isso, ou tem música de fundo ou anos se passam.

Chegamos a exata metade do filme e com isso vem um salto temporal... De novo. Agora, de um ano. E tudo começa a despencar.

A qualidade gráfica e visual do filme tem uma DRÁSTICA queda. Antes do salto temporal; os efeitos estavam até que bem legais - e de repente tudo fica EXTREMAMENTE feio. Nada mais funciona. O filme de 10 anos atrás consegue ser mais bem feito de o que estamos tendo aqui. Fica tudo realmente mal feito - os cortes no orçamento do filme acabaram ficando visíveis.

Ainda, o roteiro se torna extremamente forçado e chato e lento. O grupo meio que se une ao exército sem real motivo - afinal, tivemos um salto de um ano, não? - e tudo é enlatado e ridículo. É uma pena ver gente boa em papéis tão ruins.

O filme ainda tem pouco mais de quarenta e cinco minutos restando, e mesmo assim quase nada acontece. A história anda da forma mais lenta possível - o filme continua com a mesma sensação de quase lá. O tempo passa e não teve nada. Quase uma hora de filme e nada de demonstração real de poderes. Nadinha. E então o roteiro parece que vira ao contrário - deu tudo errado da primeira vez? Porque não tentamos de novo?

Essa coisa ridícula faz o filme ficar incrivelmente repetitivo. É importante notar que a locação do filme é praticamente una: eles ficam o filme quase que todo na mesma área, do início ao fim. As personagens parecem estranhas umas com as outras, porque o filme não se preocupa em explicar a amizade deles aflorando. Tudo é muito artificial e programado. 

E, com uma hora e poucos minutos de filme (!) o clímax começa a ser preparado. A luta contra o vilão; que dura tempo para cacete a ter início. Por mais que a cena do Doom reaparecendo tenha sido tensa e interessante; seus poderes não fazem sentido algum. E a sua aparência é esquisita e difícil de entender.

E isso tudo para a luta final. Que dura uns 10 minutos, e daí o filme acaba. Simples assim. A luta é feia - muito feia, no caso, inacreditavelmente mal feita - e rápida; a ponto de você rir no meio da sala do cinema. E então é isso: acabou.
+ Trilha Sonora
+ Os atores do Quarteto
+ Uma pegada mais "Thriller de ficção científica"
- O filme é absurdamente lento
- Victor Von Doom
- Roteiro enlatado e forçado
- Direção esquisita
- Diversos saltos temporais
- Clímax pífio
- Efeitos aquém aos padrões atuais
- Interações mínimas entre personagens
Nota: 4.5
Direção: Josh Trank
Roteiro : Jeremy Slater, Simon Kinberg, Josh Trank
Estrelando: Miles Teller como Reed Richards, Michael B. Jordan como Johnny Storm, Kate Mara como Sue Storm, Jamie Bell como Ben Grimm/O Coisa e Toby Kebbel como Victor Von Doom.

Resenha por Alex Jacket, autor da coluna O Limite 

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