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O Marvetinho: Briguinhas de Internet - Hur Dur



Estamos em pleno ano de 2015 e as pessoas (de todas as idades, incluindo as que já deveriam ter maturidade) ainda conseguem encontrar forças para brigas e guerras nas redes sociais. Ou seria, na verdade, o fato de não encontrarem forças para deixarem de fazer esse tipo de coisa? Seja nas seções de comentários de sites, seja em fóruns de Internet, seja no Facebook ou no Twitter, a Internet é propícia para as pessoas despejarem todo o seu orgulho e arrogância sem terem de olhar nos olhos dos outros. E como tem sido isso para a nerdice?

A maior dificuldade seria: por onde começar? Acredito que começar pelo óbvio seja uma boa opção. Quando se trata de nerdice o debate mais óbvio é sobre Marvel Vs DC (ou Marvel “v” DC). Esse debate sempre existiu, mas a Internet o elevou de forma em que se tornou algo tosco. Veja bem, não há problema algum em rivalidades, elas existem e forçam as partes envolvidas a darem o melhor de si. Além disso, o ser humano sempre gostou de uma boa e velha competição. Marvel e DC são como Corinthians e Palmeiras, nada mais. O que torna a rivalidade dos times de futebol algo imbecil? O exagero dos torcedores em diferentes níveis, sendo o mais pesado a violência (e até mesmo morte). Até onde sei não há casos de assassinato creditados à rivalidade entres os leitores das duas editoras, mas as discussões da Internet chegam a ser de um nível completamente “Ensino Fundamental” (ou “hur dur”, se preferir). Surgem também os que são o completo oposto, e xingam de “fanboyola” quem participa da rivalidade, considerando-se superiores por gostarem igualmente de ambas as editoras. O mesmo caso vale para Marvel/Disney Vs Fox Vs DC/Warner (mesmo antes do acordo entre Marvel e Sony não havia rivalidade entre ambas as partes). Deixo aqui uma menção honrosa para o debate "Tobey Maguire ou Andrew Garfield?".

Se por um lado essas rivalidades chegam a níveis completamente toscos, ao menos o seu conceito não o é, mas o que falar das imposições de opinião? Este problema não limita-se a editoras ou estúdios, e esse é o seu maior problema, pois pode brotar de qualquer lugar. Uma pessoa pode fazer uma postagem inocente, sobre a sua opinião, ou até mesmo uma piada, e receber em troca respostas de ódio. Os mascotes desse tipo de problema são o “mimimi“ e o “hater”. Pessoas vivem falando que o outro “está de mimimi” e é hater, mas não percebem que o hater são elas mesmas. Outro termo importante é o “poser” e o “fanboy” (cujo derivado é o já citado “fanboyola”). Nesses meios surgem também os argumentos prontos, que são usados mesmo que não se encaixem no debate (na cabeça de quem usa se encaixa perfeitamente). Alguns exemplos desses argumentos são “Isto é uma adaptação. ADAPTAÇÃO. Toda essa descaracterização está correta e você não tem o direito de não gostar, pois é uma ADAPTAÇÃO, não pode ser igual”. Veja bem, em que dicionário está escrito que adaptações por natureza devem se diferenciar substancialmente da obra original? Se por um lado a adaptação realmente pode fazê-lo, ela também pode ser completamente fiel ao material de origem, então o que há de errado em alguém não gostar de determinada modificação? Tanto gostar quanto não gostar são válidos, não? 

Uma outra briga, semelhante a essa, é sobre o “Você já viu o filme?”, em que uma pessoa não pode formar nenhum tipo de opinião negativa sobre o filme, pois ele ainda não foi assistido. Trata-se de uma ideia muito válida quando alguém fala que a qualidade do filme é ruim sem de fato ter assistido ao mesmo. O problema, porém, é quando alguém comenta sobre algo específico, como o visual de algum personagem, algo que foi visto em algum trailer, ou alguma informação divulgada pelo estúdio, diretor/produtor, ou elenco. Para se ter opinião sobre certos aspectos não é necessário assistir ao filme. Além disso, o estúdio divulga trailers, pôsteres e imagens para que as pessoas formem opiniões sobre o seu material, é um tanto ilógico pessoas reclamarem disso. Além disso, a reclamação se dá apenas quando o outro tem uma opinião negativa sobre o produto, se ela tiver gostado do que viu, não precisa ter visto o filme antes de dar a sua opinião. Esses tipos de briga surgem para qualquer adaptação, mas ganharam destaque na adaptação do novo Quarteto Fantástico (não pelo Johnny Storm negro, como alguns logo acusam, mas pelo filme inteiro), no novo Coringa e na escolha do novo Peter Parker. Um fato engraçado é sobre como o xingamento “poser” é jogado de um lado para o outro, na briga. A pessoa que defende o produto afirma que o outro é poser por não gostar da adaptação do material original, enquanto quem não gostou afirma que o outro é poser por defender algo que não condiz com o material original.

É tudo uma questão de ódio aos haters (completamente justicável). O problema é não saber identificar quem é e quem não é. A terminologia da palavra vem justamente do ódio leviano deles. Ter ódio leviano de alguém que nem sequer é hater torna a pessoa... hater. Se as pessoas pararem de fiscalizar quem é hater e quem não é, o seu número irá diminuir, pois os próprios fiscalizadores deixarão de ser. O mais vergonhoso é ver que aparentemente (não tenho estatísticas) a maior parte dessas tosquices se dão realmente entre pessoas mais velhas, e não crianças ou adolescentes. Ter opinião contrária não é ser hater, gostar de algo não é ser fanboy, e ser desrespeitoso não é ter opinião.



Por Lucas Giesteira

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