Avançar para o conteúdo principal

O Marvetinho: O pequeno vislumbre do novo Coringa é de arrepiar, mas o visual ainda é péssimo


Quando decidi dar o nome à coluna, parecia claro para mim que o meu foco seria a Marvel. Por outro lado, o nome não indica exatamente o tema da coluna, mas sim a minha própria pessoa, "O Marvetinho". O espaço, portanto, está aberto a outros temas. Este texto, seguindo essa liberdade, fala sobre um dos maiores personagens da editora rival, e um dos maiores vilões de todos os tempos, o Coringa.

Em uma onda contínua de ódio virtual, acredito ser necessário afirmar que, quando no título escrevo "o visual ainda é péssimo", está implícito que essa é apenas a minha opinião, e expô-la aqui não é impô-la a ninguém.

Uma vez postas as cartas na mesa, começo com a pergunta: existe um Coringa definitivo? A resposta individual a essa pergunta é fortemente responsável pela opinião de cada um a respeito do Palhaço do Crime de Jared Leto, por razões bem claras. A questão, porém, é relativa, falta contexto a esse tipo de pergunta. Vimos, em 2008, um Coringa que não possuía a pele realmente branca, usava simplesmente maquiagem em seu rosto, deixando o resto do corpo em tom de pele normal. Possuía cabelos sem corte (e sem um pente, também), cicatrizes da boca às bochechas (que serviam para deixá-lo com um sorriso maior), a já mencionada maquiagem estava constantemente borrada, e a sua personalidade diferia da do Coringa das histórias em quadrinhos. A questão, aqui, é o motivo de eu nunca ter me incomodado com o personagem de Heath Ledger e Christopher Nolan (muito pelo contrário, sou apaixonado por essa versão do personagem), ao mesmo tempo em que me incomodo com a aparência do vilão de Jared Leto e David Ayer.

A resposta pode ser dada em duas palavras, que os fãs da Marvel conhecem bem: universo cinematográfico. Sempre foi deixado muito claro que a trilogia The Dark Knight era a trilogia de Christopher Nolan, por mais que fosse uma adaptação de personagens e histórias dos quadrinhos, sempre se tratou de algo autoral. Deixar isso claro realmente faz com que as pessoas tendam a olhar a obra como tal. Podemos ver a trilogia de Nolan como se fossem 3 graphic novels que contassem uma história paralela do Batman, deixando de lado as HQs mensais. Uma vez que se estabelece um universo cinematográfico, porém, os seus filmes passam a ser o equivalente às próprias HQs mensais, e aí reside toda a diferença.


A forma como uma obra é enxergada, bem como o objetivo do autor, devem ser completamente levados em consideração durante uma avaliação. Por exemplo, se um autor faz uma versão cartunesca e caricata de algo considerado sério e realista, o fato de o expectador não gostar do que lhe foi apresentado não significa que a obra seja ruim, uma vez que a forma caricata foi produzida, e não acidental. O mesmo se aplica à trilogia de Christopher Nolan, uma vez que existem fãs do Cavaleiro das Trevas que realmente não gostaram de um Ra's não imortal, de um Bane com respiração de Darth Vader, ou de um Batman não tão detetive. O caso, porém, é que aquela não é a versão definitiva do Batman, é a versão de um diretor. O mesmo não se aplica a um universo cinematográfico, ao menos não nas mesmas proporções. O universo cinematográfico é, por princípio, o equivalente ao universo principal de determinada editora. Isso não significa em si que seja igual ao universo principal das HQs, mas sim que é o universo principal na mídia cinematográfica, a versão definitiva daqueles personagens. É claro que provavelmente haverá outros universos cinematográficos da Marvel e da DC, mas isso não está previsto para acontecer tão cedo. A própria Marvel deseja continuar com o seu universo mesmo após o fim dos contratos de Chris Evans e companhia.

Assim sendo, por mais que, mesmo em um universo compartilhado, cada filme deva ter a identidade de seu diretor, os personagens como um todo não deveriam surgir de escolhas tão individuais, ao meu ver. E para exemplificar isso eu não preciso ir muito longe, o próprio Batman v Superman é um filme com a marca de Zack Snyder, mas o visual do Batman não é o visual do diretor, é o visual do Batman, pura e simplesmente. Isso, porém, deve-se mais ao fato de o diretor ter escolhido reproduzir o visual criado por Frank Miller do que a uma escolha vinda de um centro. É facilmente observável que a DC/Warner não tem uma figura como a de Kevin Feige, para a Marvel/Disney. Zack Snyder está, a curto prazo, criando o universo da DC nos cinemas, mas isso seria o mesmo que Joss Whedon criando o MCU, sem Kevin Feige para criar o mapa desse universo. Queiram as pessoas ou não, há uma diferença entre um diretor de grande influência dentro do estúdio, e o presidente de produção de todo um segmento do mesmo.  Assim sendo, autoralidade não falta para o universo compartilhado da DC, o que é muito bom, mas como consequência surge uma falta de unidade. Outra consequência do fato é que autoralidade só é algo bom na opinião individual quando o gosto do autor agrada o expectador.
A segunda imagem é fake, mas possui os mesmos tipos de tatuagens auto referenciais

A minha questão pessoal com o visual criado por Leto e Ayer para o Coringa se resume ao fato de que essa é a versão deles; e no contexto do universo cinematográfico, acredito que seria a hora de esquecermos a autoralidade do nível de Christopher Nolan e darmos vez à versões definitivas dos personagens. A questão é que eu adorei o design básico do Coringa, como maquiagem (nos olhos, na boca) e penteado, e também gostei de outros detalhes próprios, como as sobrancelhas raspadas e os dentes de metal. O que me perturba, portanto, é o seu corpo completamente tatuado. O pior, porém, são fatos específicos, como o fato de até mesmo o seu rosto ser tatuado, e as tatuagens serem completamente auto referenciais. Ora, o personagem é louco, mas o nível das auto referências é demais, para mim. Porém, nada que uma roupa não resolva, mas só uma touca ou uma bandana para esconder o "damaged" de sua testa. Isso tudo, claro, sem mencionar a enorme qualidade das tatuagens. Quantas sessões foram feitas? Foi com o melhor tatuador de Gotham? Eu poderia terminar por aqui, mas então foram divulgadas imagens do personagem de brinco, escapando do Batman (para evitar acusações sobre preconceito, eu possuo brinco). Temos, portanto, um Coringa tatuado, de brinco, que usa camisa social aberta até o fim do peito, e uma jaqueta prateada. E, se o considerarmos sem camisa, parecendo-se mais com um psicopata, temos mais um Victor Zsasz do que um Coringa, propriamente dito. Vale também lembrar (e isto é uma observação, não uma crítica), que o tom de pele dessa versão não é tão branco assim.

Zsasz

Nas próprias HQs já vimos o Coringa de várias formas: com barba, com tatuagem nas costas (mas não era auto referencial), sem o rosto, com as mesmas cicatrizes de Heath Ledger, e por aí vai, mas o definitivo continua sendo um só. O fato de não ser a única versão não a impede de ser definitiva. Como estão seguindo muito a versão de Frank Miller, é muito bem vindo o terno branco, mas o resto não me anima. O que de fato me animou foram os segundos finais do trailer de Esquadrão Suicida, com uma atuação que promete deixar as pessoas boquiabertas.

Por Lucas Giesteira

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Invasão - Por onde começar a ler X-Men

O grupo mutante X-Men é um dos maiores títulos da Marvel e sempre compete pela liderança de maior número de edições vendidas da editora e isso é um reflexo da qualidade de seus personagens e histórias.

ESPECIAL: Constantine - Ordem de leitura!

Com tanta série vindo por aí, querer conhecer um pouco mais do que está chegando pode parecer uma boa ideia. Saiba o que ler para ter um conhecimento sobre o  mago inglês mais famoso da DC Comics e estar preparado para o que pode vir a ter na série.

Sweet Tooth #02

Estava bastante ansioso para saber o que sairia desta HQ no segundo episódio. A primeira edição foi boa, e poderia esperar tanto uma estagnação da história, como uma reviravolta. Felizmente, o melhor aconteceu.