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O Marvetinho: Homem-Formiga


Homem-Formiga traz duas dramáticas histórias entre pais e filhas. Hank Pym, o herói original, tem uma conturbada relação com a Hope Van Dyne, após a morte de sua mãe, Janet Van Dyne. Por outro lado, Scott Lang, o novo Homem-Formiga, tem uma filha, Cassie, que o ama e o admira muito. O problema está nos impedimentos causados pela mãe da menina e o seu noivo, devido ao fato de Scott ter sido preso e não poder pagar a pensão da filha. 

Para os fãs, porém, o maior drama do filme foi a saída do diretor Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo s2), e a sua substituição por Peyton Reed (Sim Senhor). Anteriormente tínhamos um diretor autoral e de grande talento, que estava preparando a sua versão sobre um personagem desconhecido para o grande público. Era evidente que os fãs da editora, do personagem ou do diretor; estivessem ansiosos pela realização do filme. O que torna tudo mais dramático é o fato de a sua saída ter ocorrido completamente em cima da hora. De repente nos deparamos com um diretor de comédias legais, mas desimportantes, assumindo o filme.

Sobre isso tudo, portanto, já sabemos das desvantagens da saída de Edgar, mas e as vantagens? Já discuti sobre a questão dos universos cinematográficos e a autoralidade, ambos devem existir em sintonia, como em Guardiões da Galáxia e nos dois filmes dos Vingadores (Joss Whedon reclama, mas teve bastante liberdade para fazer os seus filmes, e a Marvel precisa colocar o seu dedo em algumas partes). Edgar Wright faria o seu filme, que provavelmente seria muito bom, mas será que certas decisões não desagradariam aos próprios fãs que o queriam na direção? Muitos já não veem com muito entusiasmo o envelhecimento de Hank Pym e a ausência de Janet (que deu nome aos Vingadores e serve como carisma para a equipe, quando está nela), decisões de Wright. A questão é que as decisões não terminariam por aí, pois o pouco que temos referente à Janet na versão de Peyton Reed, seria encolhido (perdão) na versão anterior, e o filme seria isolado do restante do Universo Marvel (enquanto na versão final temos até mesmo a participação de um vingador, mas de forma natural e bem colocada).

A presença do ex-diretor, porém, ainda é sentida, mesmo no roteiro final (pelo qual é creditado, algo parecido com Zak Penn em Os Vingadores). Podemos ver no filme, que não se leva a sério em determinados momentos, o seu tipo de humor característico. Esse fator é muito importante neste filme, em especial, pois o grande público não consegue levar o personagem a sério. Desta forma, mesmo com o humor de todos os filmes anteriores do estúdio, o humor deste é mais próprio, brincando consigo mesmo e sabendo utilizar muito bem o protagonista Paul Rudd (sempre excelente) e a suposta cafonice de um super-herói diminuto que conversa com formigas. Se falei de Rudd, também devo lembrar de seus parceiros, sobretudo Luis, vivido por Michael Peña, que está excelente.


Michael Douglas está muito bem como Hank Pym, no que se refere a um temperamento mais complicado, típico do personagem. É claro que no filme isso é amenizado, mas não excluído, está lá. A sua agressão à Janet, por sua vez, foi trocado pela morte da mesma, pela qual Pym se culpa. A sua relação problemática com Hope também foi bem trabalhada, de forma que vamos descobrindo os motivos no decorrer da trama. Devido à falta de espaço, porém, talvez tudo tenha sido resolvido de forma um tanto simples. Pym faz uma revelação à filha, mas logo em seguida a cena corta para o desenrolar do treinamento de Lang, e o resultado da cena talvez fique um pouco esquecido. Evangeline Lilly também está muito bem no papel e é uma mulher forte na trama, mas para quem acha que a Viúva Negra é diminuída como personagem feminina ao ter um romance com Bruce Banner, sinto informar que Hope é tragada pela sociedade patriarcal, ao se interessar por Scott.

Jaqueta Amarela, vivido por Corey Stoll, é um vilão que cumpre o seu papel na trama, mas não será memorável. Apesar de o ator, que se sai bem, não ser um Jeff Bridges, o seu personagem é o equivalente ao Obadiah Stane no primeiro Homem de Ferro, no que se refere à sua relação com o herói (mas, no caso, Pym) e com a sua empresa. Devido à falta de vilões para o Homem-Formiga (e ao roubo de Ultron por Tony Stark), a escolha de transformar uma das identidades de Pym em vilão é boa e faz sentido.

Como pode-se notar, eu não tenho críticas em relação à execução do filme, Peyton Reed fez um ótimo trabalho. Tudo o que me incomoda está relacionado às mudanças em relação ao papel de Pym como herói aposentado e à morte de Janet, o que resulta nas suas substituições por Scott e Hope. Isso, porém, nada tem a ver com a qualidade do trabalho, e até mesmo me esqueci disso tudo enquanto assistia. Devo dizer também que há muitas de referências. Porém, o fato de eu não ter nada a reclamar sobre o filme, não necessariamente o torna memorável, se assim posso dizer. Homem-Formiga cumpre o seu papel, mas convenhamos, o seu papel não é grandioso. A questão é: isso é um problema? O filme deveria ser grandioso? Deveria ser tão memorável? Acredito que um dos grandes acertos do filme é justamente o fato de se manter em uma escala menor (desta vez não é proposital), mas isso gera as suas consequências. Para um filme que acabou de chegar aos cinemas, é muito difícil definir a sua memorabilidade, mas acredito que não terá o mesmo feito de Guardiões da Galáxia (a comparação mais evidente). Homem-Formiga, porém, não precisa disso. É ótimo desse jeito.

O Marvel Studios já teve dois acertos com membros desconhecidos (isso se desconsiderarmos que o próprio Homem de Ferro e até mesmo os Vingadores não eram conhecidos), e espero que isso encerre a incredulidade do público com os filmes do estúdio, como no próprio caso do Homem-Formiga, personagem completamente debochado pelas pessoas que desconhecem os quadrinhos. Também espero que todo esse deboche seja insignificante para o sucesso do filme (pelo sucesso em si, não pela necessidade de continuação, que ao meu ver o filme não possui). Sinto-me na obrigação de lembrar que há duas cenas pós-créditos, e desta vez ambas são empolgantes, ao contrário de Thor - O Mundo Sombrio, ou mesmo Os Vingadores, que só possuíram uma cena importante. Devo encerrar o texto afirmando que até então eu nunca havia me afeiçoado a uma formiga. Grande Anthony.


Por Lucas Giesteira

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