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O Marvetinho: Guardiões da Galáxia


É comum, e até mesmo conveniente, que as críticas e opiniões sobre os filmes sejam feitas e publicadas antes ou durante a sua exibição nos cinemas. Contudo, mostra-se também interessante que o mesmo seja feito tempos depois, uma vez em que já se sabe melhor o papel que determinado filme ocupa no imaginário das pessoas. O caso é ainda mais proveitoso quando se trata de um filme do Marvel Studios, que lança em média dois filmes novos por ano. Desde o filme de James Gunn só tivemos o lançamento da continuação de Joss Whedon, Vingadores - Era de Ultron. Se o primeiro filme foi uma completa novidade, o segundo não impressionou algumas pessoas. Eu, enquanto fã, porém, senti a equipe muito mais completa em relação ao primeiro filme, tanto em composição (Rogers como líder, Stark financiando, sem a SHIELD para dar as ordens) quanto em relação aos novos membros.  O filme, porém, ainda só foi assistido nos cinemas (por mim, três vezes), então é seguro aguardarmos um pouco mais. Por outro lado, o próximo filme nem sequer foi assistido, chegará aos cinemas na próxima semana. Vejo, então a importância de falar sobre Guardiões da Galáxia, icônico filme do Marvel Studios, deixando de lado os filmes de 2015, por enquanto.


Críticos e amantes do cinema observam muito mais do que a diversão que um filme proporciona. Direção, roteiro, fotografia, enquadramento, atuação e entrosamento entre todas as partes são aspectos fundamentais para essas pessoas. Há, porém, algo que conquista tanto esse público quanto o grande público mundial: memorabilidade.

Esteja a pessoa procurando uma simples diversão ou Cinema enquanto técnica ou arte, quanto mais iconicidade o filme possuir, melhor. Um filme pode ser tecnicamente excelente, mas ser esquecido pelo expectador nos instantes seguintes ao seu término. O mesmo pode ocorrer com a simples e momentânea diversão de um fim de semana.

Temos de concordar que um filme de super-herói por teoria não deve se enquadrar no Cinema enquanto arte, mas também não precisa ser como os filmes da série Transformers, podendo ser tecnicamente bem feito em todos os aspectos, e garantindo a já esperada diversão. O que se pode dizer de Guardiões da Galáxia é que o filme se enquadra muito positivamente nesses dois aspectos, com uma diversão que está mais do que fenomenal, roteiro e direção excelentes, um elenco muito bem escolhido como um todo, e uma fotografia linda, com destaque para a primeira cena com o Peter Quill já adulto.

O filme, porém, vai além disso, e nos entrega também memorabilidade. Não se pode negar que pouquíssimas pessoas conheciam a equipe (desconhecida até para leitores de quadrinhos), e que muitos não deram a devida atenção ao filme antes de assisti-lo (tenho orgulho de me excluir disso), mas muitos dos que já assistiram ou assistirão certamente ficarão com o filme na memória, e guardarão consigo elementos específicos, como o Walkman e a fita de músicas de Quill (Awesome Mix Vol. 1). Trata-se  de um dos grandes trunfos do diretor, que (com a devida permissão do estúdio e do presidente Kevin Feige) decidiu colocar ideias pessoais no projeto. A partir de então o filme deixou de ser mais um do Marvel Studios que expandiria o seu universo cinematográfico (o que provavelmente já seria no mínimo ótimo) para ser exatamente o mesmo, mas com uma inspiradíssima trilha sonora com os maiores sucessos dos anos 70 e o importantíssimo Walkman, dentre outras coisas, como o tipo específico de humor.

Tanto como forma de justificar a trilha sonora (que contrasta completamente com o clima de outras galáxias repletas de extraterrestres) quanto de criar cenas engraçadas, o Walkman também dá os tons de drama ao filme, que envolvem a perda de Peter Quill desde a infância, pela morte de sua mãe. As músicas em si exercem a mesma função, ajudando a contar a história e trazendo parte do aspecto de comédia do filme.

A grande questão é que os últimos dois parágrafos falam apenas do que o filme traz a mais, de aspectos que farão o filme ser ainda mais lembrado do que poderia, já que não estavam na versão inicial do roteiro e foram trazidos pessoalmente pelo diretor James Gunn. O filme em si, os seus protagonistas e o seu tom geral por si só já seriam suficientemente icônicos para que a produção se tornasse uma das melhores do estúdio. O entrosamento entre os três atores em cena (Chris Pratt, Zoë Saldana e Dave Bautista) mais o irmão do diretor, Sean Gunn, fazendo os movimentos de Rocket, já teria sido excelente (com destaque para Chris Pratt, talvez o novo Robert Downey Jr. do Marvel Studios, mas com menos cachê) por si só, mas decidem então contratar Bradley Cooper para dublar o incrível Rocket Raccoon e completam o time com o personagem mais "fofo" dos últimos tempos, Groot (dublado pelo também carismático Vin Diesel). Pode-se notar que todo o elenco se define pela palavra "carisma", a mesma palavra que pode ser usada para o roteiro, para a trilha sonora e para as escolhas em geral de James Gunn e do velho conhecido Kevin Feige.

Inspiração, porém, é a primeira palavra a definir o filme, é ela que traz todo o seu carisma. Inspiração na escolha do diretor, que gerou a inspiração na escolha do elenco (junto de Feige), trilha sonora, escolha de personagens e da própria direção em si. Isso tudo porque me pareceu um dos filmes com maior liberdade de direção dentro do estúdio. O longa, porém, não deixa de estar muito bem conectado com o universo cinematográfico e de possuir muito da essência dos outros filme do Marvel Studios. Grande sintonia do produtor com o diretor? Com certeza. É o tipo de filme em que todas as escolhas são muito acertadas, como se estivessem sendo guiadas por uma força maior. É um discurso meio piegas, mas acredito que ilustra muito bem a sensação do fã da editora/estúdio ao se deparar com talvez o seu melhor filme. É aí que se entra nas complexidades de avaliação. Qual o filme mais bem feito tecnicamente? O Soldado Invernal, talvez? Qual foi um marco maior para o estúdio, filmes de heróis e os marvetes (ou fãs de quadrinhos) em geral? Os Vingadores? Qual o filme que, sem deixar de possuir esses dois aspectos e sem a "ajuda" de filmes solo de seus personagens, iconicamente fez mais pessoas se apaixonarem por eles e seus elementos? Guardiões da Galáxia.


Por Lucas Giesteira

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