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Invasão - Homem de Ferro: Hipervelocidade


Pode uma série ser pouco conhecida e mesmo assim sempre estar presente na lista das melhores histórias de uma personagem? Este é o caso de Hipervelocidade, um arco do Homem de Ferro em 6 volumes, que, apesar de estar listada em sites como a IGN e CBR como uma das melhores histórias do ferroso, é ignorada por muitos fãs.

Um vídeo de Tony Stark é enviado à SHIELD logo após ele ser hospitalizado e nela Tony conta sobre um projeto recente, uma nova armadura que não só atinge velocidades de vôo e processamento sem igual, como também tem em seu software todos os padrões mentais de seu criador. Ao final há um alerta de que se aquela gravação havia chegado a SHIELD a armadura havia fugido ao controle, atacado aquele que a projetou e deveria ser detida. Assim, a SHIELD dá início uma caçada frenética pela armadura que age e pensa mais rápido do que qualquer pessoa ou aparato tecnológico.

Entretanto, pouco depois é revelado que a gravação havia sido corrompida e alterada, Tony nunca havia dito que a armadura poderia fugir do controle, mas sim que o software com sua personalidade assumiria o comando caso alguma coisa acontecesse com seu piloto. E isso é o que havia acontecido, um grupo de terroristas robôs havia disparado contra Tony e a armadura, hospitalizando o primeiro e, por consequência, ativando o segundo. 

Agora, a armadura que pensa que é Tony Stark precisa descobrir e deter aqueles que o atacaram, enquanto foge da SHIELD e enfrenta robôs rebeldes. Mal sabe ele que além disso, o disparo que o atingiu também o infectou com um vírus que aos poucos apaga a sua programação, enquanto se manifesta em seu subconsciente eletrônico na forma de uma mulher de estilo pin up que combina sensualidade, psicopatia e, ao final do arco, até sensibilidade. Ela se chama Absinto e representa duas das três paixões/fraquezas de Tony: mulheres e álcool (velocidade seria a última dessas paixões).


Homem de Ferro: Hipervelocidade, escrita por Adam Warren, reúne muita ação numa trama frenética, aliada a um grande roteiro que permite questionar alguns assuntos bastante atuais, como inteligências artificiais, o submundo digital e, em menor escala, drogas.

Há uma cena  em que Tony Fantasma (como Absinto chama a consciência digital que conduz a armadura) se disfarça, de modo a não chamar atenção, e vai a uma rave submarina para robôs e androides para tentar obter informações sobre os terroristas que o atacaram. Apesar de a ideia poder parecer bizarra e não crível em um primeiro momento, a situação em que Tony Fantasma se encontra acaba se tornando uma cena ao estilo noir (e seus clássicos momentos de detetive a paisana), mas atualizado. O leitor pode se sentir em meio a um encontro de usuários do site Silk Road da deep web, com robôs se vangloriando de softwares-psicotrópicos (vulgo, drogas para robôs) ou armas que haviam desenvolvido.

Falando em drogas, este assunto não é o principal da HQ, mas acaba sendo um elemento que traz tensão a trama quando o comandante da SHIELD que está atrás de Tony Fantasma revela que não dorme desde que a caçada teve início e que está precisando aumentar a dosagem da droga que o mantém ativo, uma droga desenvolvida pela própria SHIELD para situações como essa. Esta situação ilustra o que seria um confronto com robôs, uma vez que eles têm uma capacidade de processamento muito maior que a de qualquer ser humano (ou para dizer de modo mais simples, pensam muito mais rápido) e não tem necessidades fisiológicas, como a de dormir, as pessoas envolvidas no conflito seriam obrigados a utilizar drogas de aumento de desempenho para ter alguma chance. Além disso, para trazer para o nosso mundo, os efeitos negativos das drogas no comandante vão ficando óbvias e essa situação pode nos levar a questionar o uso cotidiano desse tipo de estimulante em mundo que exige que as pessoas sejam cada vez mais produtivas. Dentre este tipo de droga, a cocaína é apenas o mais comum.

Claro que o leitor pode apreciar esta HQ apenas pela ação, muito bem ilustrada por Brian Denham, mas uma apreciação completa da trama passa pelo tema de inteligências artificiais, muito atual nos dias hoje, afinal softwares que passam pelo Teste de Turing estão começando a aparecer e o Google já está até sonhando. 

Este assunto encontra seu ponto máximo de discussão nas últimas edições do arco, em que é finalmente revelada a motivação por trás desse grupo terrorista robô contra quem Tony Fantasma está lutando, aí é também apresentado o preço pago para que este tipo de tecnologia seja desenvolvida. Não posso falar muito para não dar spoiler, mas o leitor pode até sentir certa empatia pelos vilões.

Em conclusão, esta é uma daquelas histórias que merecem ser lidas não importa quem você seja, um fã hardcore do personagem, um fanboy, um dcneco ou um completo alheio ao mundo. Isso porque ela não exige conhecimento prévio e não influencia ou é influenciada pela cronologia do personagem, ela é basicamente uma história com bons personagens e uma boa trama e não há nada melhor do que isso.

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