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Sid-Caverna: Morcego Quebrado

Todos cometemos nossos erros. O meu erro foi abandonar essa coluna por tanto tempo. Eu poderia gastar linhas me explicando e falando sobre os inúmeros motivos que fizeram eu me afastar? Eu poderia, mas não vou. É hora de seguir em frente e merecer meu espaço novamente.


Durante a minha longa ausência eu não me desliguei do mundo dos quadrinhos, pelo contrário, estou mais próximo dele do que nunca, pois agora trabalho em uma comic shop. E acho que a coisa que mais me atormentou durante todo esse tempo foi assistir sem poder fazer nada o Batman, a porra do herói mais interessante dos quadrinhos, ser destroçado e humilhado pelas suas terríveis histórias.
Sério! Por que estão fazendo isso com o Batman?!

Antes de destruir o Scott Snyder e o Geoff Johns eu vou falar um pouco do passado:
O Morcego sempre teve as histórias mais diversas, indo das insanidades dos anos 60 pra um período mais sombrio nos anos 80 e para controversas dos anos 90. Mas vamos falar do passado recente.

Acho que as melhores coisas do Batman que eu li em revistas mensais foram as histórias do Paul Dini. Ele foi um dos maiores roteiristas da grandiosa Batman: The Animated Series, criando a Arlequina para o delírio de todos os fãs do Coringa. Enquanto o Grant Morrison despirocava na revista principal, Paul Dini ficou com o segundo plano de Gotham, mas isso não atrapalhou em nada seu trabalho. Ele criou uma série de histórias de detetive (coisa que o Batman não parece ser mais) que mostravam com riqueza o universo perturbado de Gotham e de seus maníacos, enquanto os heróis da cidade (não só os encapuzados) lutavam para salvar a cidade. Ele trabalhou o Silêncio melhor do que o próprio criador no arco Coração do Silêncio. Ele provavelmente quase criou um dos melhores casais que a DC poderia ter, a Zatanna e o Batman. E se você quer mais alguma referência dele, foi o Dini que fez o roteiro do Batman: Arkham Asylum e Batman: Arkham City.

O Batman também teve uma série primorosa, ganhadora de tudo quanto é prêmio que se pode ganhar, com Gotham City Contra o Crime. Escrita pelo Greg Rucka, ela focava nos policiais de Gotham e em como era difícil manter a sanidade e a integridade em um ambiente tão louco e hostil. Espero que a Panini encaderne logo isso para eu poder falar mais pra vocês dessa maravilha.


Agora falando de Morrison e de polêmicas, o escocês insano provavelmente criou a história mais maluca do Batman que já existiu. Começando com o surgimento de um filho, criando a Luva Negra, deixando o Bruce retardado, matando ele e fazendo ele viajar no tempo, deixando o Dick Grayson como Batman e criando uma organização global (que foi esquecida) de vigilantes pelo mundo!
Sim, foi uma fase insana e muitas pessoas a odeiam e outras a amam. O fato é que o Morrison construiu algo e adicionou riqueza para a mitologia do herói. Ele provou que mesmo hoje é possível criar algo completamente inesperado e evoluir muita coisa a um personagem sem agredir tudo o que ele é.

Snyder e Johns...vamos lá, chegou a vez de vocês.

Geoff Johns foi um escritor muito bom, ele escreveu coisas maravilhosas no passado, coisas realmente incríveis e que aumentaram muito o meu amor pelo universo da DC.
Mas parece que ele esqueceu tudo. 

Sendo o cabeça de coisas horríveis como Liga da Justiça e Vilania Eterna, ele foi do melhor autor da DC pra um dos piores e mais previsíveis. 

Mas aonde o Batman se encaixa nisso?! Calma que eu vou chegar lá. A partir daqui teremos muitos spoilers do que aconteceu com o Batman recentemente, então estejam avisados! Scott Snyder...eu gosto dele, ele tem boas ideias e sabe escrever bem. Mas pare agora e pense em todas as coisas que você já leu dele. Batman? Vampiro Americano? O Despertar? Monstro do Pântano? 

São coisas legais não são? Alguma delas tem um final bom? Alguma delas conseguem ter algum impacto no fim da leitura? Leiam e atestem esse fato, mas se vocês o conhecem vocês sabem que este desgraçado não consegue escrever um final que presta. Alguns são tão terríveis que conseguem estragar toda a experiência da história.

O Snyder assumiu o Batman de forma brilhante, Corte das Corujas é um puta arco foda, que apesar de ter um final fraco, ainda consegue evoluir um personagem tão antigo e tão desgastado. Mas Morte da Família foi um desastre. Eu sei que a DC provavelmente empurrou o Coringa goela abaixo dele, mas fazer isso com o personagem e criar uma história podre dessa é quase que imperdoável.

Depois veio o Ano Zero, um arco desnecessário querendo adicionar mais enrolação para uma origem muito mais do que estabelecida. Batman Ano Um sim é uma HQ definitiva, Batman Ano Zero não é nada além de uma tentativa de conectar tudo e achar que está sendo inteligente. Fraco e sem propósito.

Bat-Chiclete de Kryptonia!
(Batman 35, de Snyder)
Rufem os tambores! Pois agora vem Endgame! O nosso amigo Alex amou Endgame e fez uma excelente resenha da saga, mas eu tenho muitos motivos pra discordar completamente dele. O arco começa de maneira ridícula e patética com o Batman enfrentando toda a Liga da Justiça e dando um cacete neles, apelando até para chiclete de Kryptonita para derrotar o Superman. Sim! Ele cospe a porra de um chiclete de Kryptonita na cara do Superman doidão! Meu deus do céu...

Depois disso ele trás o Coringa de volta, mais uma vez o fodendo vilão até o limite da imaginação, e transformando o cara em um ser IMORTAL! E além dele ser imortal ele começa a destruir toda a Gotham e o Batman é forçado a pedir ajuda da própria Corte das Corujas e de todos os seus vilões! A porra do Snyder consegue destruir toda a ideia que ele próprio criou da Corte sem dó nem piedade!

A luta até a morte entre o Batman e o Coringa era algo que eu não queria falar, mas aquele final, com aquele bromance entre os dois e um coração de sangue se formando entre os corpos deles...eu preciso mesmo xingar isso? Se vocês são fãs do Batman como eu vocês entendem o sentimento sem precisar dizer uma palavra sequer...

Agora o novo Batman, já que o Bruce morreu (de novo), quem é?! É o Gordon! O Snyder tacou o foda-se em todo o ar noir do Morcego e toda a trama policial maravilhosa que o Greg Rucka criou e deu um visual Taxi Driver pro Gordon e fez ele ser o novo Batman ROBÓTICO de Gotham City. Sério. Eu nunca vou te perdoar por isso Scott Snyder, nunca.
Alguém consegue gostar disso?
(Batman 41, de Snyder)
Apesar de tudo, Francis Manapul e Brian Buccellato ainda tentam fazer algo bom, seguindo os passos do Paul Dini, ficando em segundo plano enquanto algum autor mais importante pirava na revista principal. Eles criam histórias ricas e densas que exploram muito bem a natureza do Batman e de Gotham City. Acho que é a única coisa atual do Batman boa de se ler.

E eu não esqueci do Geoff Johns! O que será que ele aprontou com o Batman pra ser digno de minha fúria? ELE TRANSFORMOU A PORRA DO BRUCE WAYNE EM UM DEUS! Agora o Metron, aquele Deus maneiro que ficava sentado na poltrona flutuante observando tudo, é o Batman!!!
Bat-Deus. (Liga da Justiça #43, de Geoff Johns)
DC, eu já percebi e todos os fãs do Batman já perceberam que vocês não sabem o que fazer com o personagem. Vocês criam polêmicas atrás de polêmicas pra tentar fazer o personagem de vocês que mais vende vender um pouco mais. Mas...por favor...deixem o Batman em paz. Voltem a fazer histórias legais e criativas que não destrocem completamente tudo que o maior herói da DC representa. Eu só quero voltar a olhar o céu dos quadrinhos, ver o Bat-Sinal e sorrir, sabendo que o Batman sempre estará presente com suas maravilhosas histórias.

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