quarta-feira, 10 de junho de 2015

O Marvetinho: Meus pensamentos sobre a Guerra Civil cinematográfica

O último filme dos Vingadores chegou aos cinemas recentemente e o (que eu considero excelente) trabalho de Joss Whedon dividiu algumas opiniões, por diferentes motivos. As pessoas, contudo, já estão pensando no próximo filme de grande porte do Marvel Studios, que será dirigido pelos irmãos Russo, dois diretores que caíram nas graças dos fãs do estúdio; e eu, assim como todos, já tenho fortes pensamentos e palpites sobre a adaptação.

Se eu perguntasse a diferença entre adaptar Harry Potter e heróis da Marvel (ou de qualquer outra editora), muitos diriam que um é personagem de livros, enquanto os outros são personagens de quadrinhos, e estariam certos. A questão é: ao que isso leva? Poderia trocar os livros de Harry Potter por quadrinhos, que tal Watchmen? A mesma pergunta seria feita. Tanto cada livro quanto Watchmen são fechados, mesmo que sejam sete livros da saga do jovem bruxo. Então qual seria a diferença entre os dois tipos de adaptação? O universo dos quadrinhos de super-heróis, cujas histórias são publicadas mensalmente, é categoricamente impossível de ser adaptado na íntegra (ou mesmo algo próximo disso) no Cinema, pelo infindável número de personagens, mas sobretudo pelo enorme número de histórias e cronologias (e não estou nem me referindo aos multiversos). O peso de uma cronologia muda todo o sentido de uma história e, se nas adaptações literárias vários trechos e até mesmo capítulos dos livros são cortados e costurados, nas adaptações de quadrinhos décadas inteiras de publicações são apagadas e os acontecimentos costurados. Além disso, o enorme tempo de publicação que certos personagens possuem pode fazer com que muitas de suas histórias fiquem datadas, sobretudo histórias políticas, como no caso da maior parte dos vilões e histórias do Homem de Ferro.

Ora, nada disto é novidade, mas me parece vir à tona quando falamos das expectativas do público em geral frente ao evento que será a Guerra Civil da Marvel, agora nos cinemas. Sempre temos leitores pedindo arcos e acontecimentos específicos nos filmes, como no caso das várias pessoas que quase imploram por um filme do Homem-Aranha baseado na Última Caçada de Kraven, mas acredito que a Guerra Civil, por ter se tornado a saga mais conhecida da Marvel, chegou a um outro patamar. É incontável o número de pessoas afirmando que o novo Homem-Aranha não pode ser jovem, pois na saga ele já era adulto; ou afirmando que ele irá tirar a máscara, ou que algum herói terá que morrer (para fazer o papel de Golias, da saga original), ou que o Tony Stark terá de fazer algo que seja cientificamente errado (como criar a cópia do Thor que matou o Golias). Não estou dizendo que as duas últimas coisas não poderão ocorrer (no caso das duas primeiras, sim), mas desejo abrir uma reflexão a respeito: até que ponto a saga será adaptada?

Comecemos pelo óbvio. Nos quadrinhos a guerra aconteceu depois de anos de publicações, de aventuras, anos de amizade entre os personagens envolvidos (que é o principal fator de impacto na saga). Nas telas temos dois filmes em que Steve Rogers está ao lado de Tony Stark, os mesmos dois filmes em que vimos os Vingadores reunidos, sendo que apenas no segundo a equipe está efetivamente montada e oficializada. Também temos dois filmes com o Capitão América, e três com o Robert Downey Jr. Homem de Ferro. Pelo número de filmes feitos, podemos falar que os anos de batalhas nem se comparam aos anos dos materiais originais, ou que o número de personagens do MCU é muito menor, e as relações entre os envolvidos na guerra é muito menos profunda.

A outra questão vem a partir da escolha do próprio estúdio. Eles poderiam ter feito um filme isolado, chamado apenas "Guerra Civil", ou poderia ser um derivado dos Vingadores, chamado "Os Novos Vingadores" (ou algo semelhante), mas escolheram utilizar a história em um filme do Capitão América. Desconheço os motivos de tal escolha, mas, seja como causa ou como consequência, o filme se focará mais no Capitão, o que retomarei adiante. Esse enfoque por si só já muda toda a forma de se contar a história, e também muda as prioridades, porque o filme ainda é dele. Não só dele, mas como de seus próprios coadjuvantes, como a Peggy (não em pessoa, no caso), a agente (e ao mesmo tempo interesse amoroso) Sharon Carter, o Soldado Invernal, o Falcão (não como vingador, mas como amigo de Rogers) e os vilões Ossos Cruzados e Barão Helmut Zemo. Em outras palavras, o filme se chamará Guerra Civil, mas poderá ser tão fiel à saga quanto Homem de Ferro 3 foi fiel à HQ Homem de Ferro: Extremis. Talvez o exemplo seja exagerado, mas o princípio é o mesmo.

Agora vem a pergunta: isso é bom? E eu posso perguntar: por que não? É claro que lágrimas escorreriam se víssemos a saga original adaptada quase na íntegra, mas o mais importante dessa HQ é que a trama por si só é ótima, mesmo que seja contada de inúmeras formas diferentes. Um fator primordial nas telas, que é o fato de o filme ser centrado no sujeito bandeiroso, é algo que muito me agrada enquanto fã, e aqui entramos em algo totalmente pessoal, mas justificável. Deixemos de lado qual lado está certo (anti-registro ou pró-registro), e pensemos apenas nas figuras representantes de cada lado, como indivíduos. Temos um líder que decidiu enfrentar os seus amigos pelo seu ideal, e temos outro líder que fez o mesmo, mas assassinou um colega e prendeu os outros em outra dimensão. Retomando o que já foi dito, nada disto necessariamente irá acontecer no Cinema, mas isso não impede que  o cerne das atitudes de Tony Stark seja o mesmo, o processo parece já ter se iniciado, inclusive. Em Era de Ultron vemos um gênio que decidiu construir uma inteligência artificial em segredo de seus colegas e de seu próprio líder, com a intenção de criar um mundo seguro e, nas palavras de Bruce Banner, "frio". Em seguida fez o mesmo com o Visão, mas deu sorte. Parece-me que o Tony Stark que fará tudo o que for necessário pelo que acredita chegou aos filmes, e isso se iniciou em Homem de Ferro 3 (talvez a maior utilidade que o filme trouxe ao cânone do MCU). É claro que todas essas atitudes duvidosas podem ser retratadas sem o personagem perder o apelo, mas me empolga muito mais que o filme seja protagonizado pelo homem que lutará pelo que acredita, mas que não passará de um limite moral para isso.

Por fim, o meu palpite é que este será o filme que terminará com maiores consequências, mesmo que temporárias. Nos quadrinhos o Capitão "morre" após a guerra, mas em sua própria revista e pelas mãos do Ossos Cruzados e Sharon Carter (sem a própria consciência), a serviço do Caveira Vermelha. Acredito que no filme o papel ficará com Zemo, assim como acredito que o sumiço do Capitão acontecerá depois de ele e o Homem de Ferro se entenderem, ao contrário dos quadrinhos. Eles também precisarão afastar o Stark, e essa é uma das minhas maiores dúvidas. Como? Talvez pelo sentimento de culpa? É sempre bom darmos os nossos palpites, e a cada notícia ou imagem do set de filmagens as especulações só aumentam. Deixe a sua opinião nos comentários!

Por Lucas Giesteira.

0 crises:

Enviar um comentário