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O Limite: A Disney é a razão de muito problema hoje em dia.


O ano? 2009. Desde 2009, uma das maiores editoras dos Estados Unidos passa a fazer parte da maior empresa de entretenimento do mundo. O valor da aquisição? Quatro bilhões de dólares. Talvez, hoje em dia, isso não pareça muito; mas a seis anos atrás, o valor era astronômico. Muito foi comentado na época da transação, mas parece que a discussão parou e nunca mais retornou. Agora, em 2015, volto a falar deste assunto em um mundo dos quadrinhos e dos cinemas que mudou totalmente. 



Antes de responder qualquer tipo de pergunta - seja ela exagerada ou não - vamos analisar os fatos corretamente. Antes da aquisição da Disney; já haviam sido lançados 22 filmes com a utilização de personagens ou histórias da Marvel Comics. Filmes, estes, que eram em parceria com diversas outras empresas do ramo cinematográfico; como a Paramount, Universal, Sony (Spider-Man e Motoqueiro Fantasma), Fox (Quarteto, X-Men) e a MGM (Namor). Até 2008; a Marvel nunca tinha lançado nenhum filme próprio, digamos assim. Desde 1944 até 2007; não existia Marvel Studios.

O sucesso da Casa das Ideias, entretanto, era bem grande; independente de ter filmes ou não. Principalmente para crianças, adolescentes e adultos do gênero masculino. A Marvel sempre foi uma máquina de dinheiro. Oras, só de se pensar que uma editora de super heróis conseguiu lançar dois filmes com o próprio dinheiro já dá para se imaginar isso. As histórias eram ousadas, contavam com super-obras em banda desenhada que conseguiam bater de frente com outras editoras do ramo.

Agora, vamos falar da Disney. O sucesso da empresa era (e ainda é) massivo - muito além do que a Marvel. Seja em animações, nos seus parques animados, nos filmes, com a Pixar, a rede de televisão ABC... A Disney é e sempre foi uma das maiores empresas criadoras de conteúdo do mundo. Seja na época de Walt Disney ou não: os produtos da Disney eram universalmente consumidos. Mas aqui entra a parte interessante: com uma exceção ou outra; a Disney tinha boa parte de seus produtos direcionado para garotas, principalmente crianças. Óbvio que isso não significa que garotos não iriam gostar da Disney; mas boa parte da receita da empresa vinha com a venda de seus produtos para as meninas - com poucas exceções, como filmes da Pixar e afins.

Então temos uma empresa que fazia sucesso com produtos para meninos e outra que fazia sucesso com produtos para meninas. Está vendo um padrão aqui? Pois bem; eu estou.

Os fatídicos anos de 2004 e 2005 vieram para mostrar que Super Herói não era lucrativo só em revistinha ou animações para a TV. Depois de anos tentando - e falhando mais do que acertando - a
DC Comics/Warner Bros e a Sony conseguiram trazer de volta, e com muita força, Super Heróis para o formato de cinema. O sucesso massivo de Batman Begins (2005) e Homem-Aranha 2 (2004, Sony Pictures) deram um novo ar para uma indústria que estava sofrendo com mais tragédias que triunfos. Poucos eram os filmes que realmente valiam a pena. Além dos dois anteriormente mencionados; talvez, eu diria, X2 (2003) e Hellboy (2004); mas nenhum deles deu um resultado tão grande quanto o de Batman Begins e Homem-Aranha 2.

O movimento da Marvel, então, foi extremamente apropriado: criar um estúdio de cinema, que conseguisse bancar as próprias produções e levar as histórias das revistas para o cinema da forma mais precisa possível. 2008, então, finalmente chegou; quebrando recordes.

Iron Man 1 (+/- 580M de dólares de Box Office) e O Incrível Hulk (+/- 260M de dólares de Box Office) foram os dois primeiros filmes da nova Marvel Studios; o estúdio de cinema da própria editora. Não era mais necessário 'vender' os direitos para os filmes; eles conseguiam fazer agora. Ainda, no mesmo ano, Hellboy II (+/- 160M), O Justiceiro: Zona de Guerra (+/- 10M, deu prejuízo!) e O Cavaleiro das Trevas (+/- 1 bilhão de dólares de Box Office) foram lançados. Com exceção do ABSURDO sucesso de Cavaleiro das Trevas, outras propriedades como Hellboy e Justiceiro iam muito, muito mal - chegando até a dar prejuízo.

Enquanto a DC fazia parte da Warner; o segundo maior box office do ano - Iron Man - era de uma empresa que fazia muito sucesso entre os garotos e ainda, digamos, não tinha nenhuma dona. Agora ficou claro? A maior empresa de entretenimento do mundo que tinha poucas coisas direcionadas para garotos - Disney - estava vendo uma outra empresa crescendo, absurdamente rápido, em um ramo aonde a Disney vinha cada vez mais caindo - nos filmes em live action e em produtos para garotos.

A resposta foi clara e objetiva: depois de diversas negociações, em 2009, a Disney comprou a Marvel (trademark), Marvel Comics e Marvel Studios por aproximadamente 4 bilhões de dólares. Isso é
muita, muita grana. O chairman da Disney, Robert Iger, disse (na época da aquisição):
"Nós acreditamos que adicionar a Marvel ao portfólio único de marcas da Disney irá prover significantes oportunidades de crescimento a longo prazo. A aquisição da Marvel nos oferece uma oportunidade de avançar nossa estratégia e criar um negócio que é mais forte que a soma de suas partes. São produtos que estão direcionados à garotos".
A adição da Marvel à Disney iria cobrir um buraco enorme que a Disney deixou aberto por muito tempo. E Robert Iger estava certo: hoje em dia, o cinema está lotado de filmes de super heróis, que são máquinas de fazer dinheiro; e a maior parte deles são da Marvel Studios/Disney - filmes estes, porém, que mal conseguiram superar os sucessos de 2004/5 (Spider-Man 2, Batman Begins) ou de 2008 (Iron Man e Cavaleiro das Trevas)

É claro ver, entretanto, como os filmes da Marvel caíram em qualidade. Nenhum filme da Marvel Studios/Disney ainda conseguiu superar, em média de críticas, o sensacional Iron Man, de 2008, da Marvel Studios. Porém, o lucro só aumenta e aumenta e aumenta! Com um ritmo frenético de lançamentos, tem pelo menos dois filmes da Marvel Studios/Disney por ano. Em 2015; tivemos Era de Ultron e iremos ter Homem-Formiga; em 2016, Capitão America 3 e Doutor Estranho - isso sem dizer nos outros filmes das outras empresas que detém os direitos de personagens da Marvel. Se considerá-los; adicione X-Men e Quarteto na lista - ambas franquias anuais.

Essa queda de qualidade é muito, muito ampla; não fica só nos filmes. A Disney, mesmo seis anos após a compra, ainda vê a Marvel como um instrumento de produtos "para garotos". Personagens femininas inexpressivas nos filmes; aliados com produtos de marketing que as excluem também. Nos quadrinhos, por mais que a diversidade ainda seja um pouco maior - e esteja crescendo com o decorrer do tempo - tudo parece muito forçado e unicamente criado a vendas. Diga o que for de A-Force, mas unir UM MONTE de personagens femininas numa revista não a torna um instrumento de igualdade de gênero. É só uma revista cheia de "she-hulks" e "she-iron men", sem muito conteúdo ou porque. Não é a quantidade de revistas protagonizadas por mulheres que falta; mas sim qualidade nas mesmas. Nos filmes, ainda, o primeiro a ser protagonizado por uma mulher da Marvel Studios/Disney é Capitã Marvel - só lá em 2018; dez anos depois da criação do estúdio.

A visão predadora da Disney também está afetando, e muito, os quadrinhos da Casa das Ideias. Não, amigos, as revistas dos X-Men e do Quarteto Fantástico não foram canceladas por acaso: a Disney está dando prioridade para as revistas que possam integrar o universo cinematográfico. Wanda e Pietro Maximoff - Feiticeira Escarlate e Mercúrio, respectivamente - eram mutantes até meses atrás. Uma pena que a Marvel Studios/Disney não pode usar os mutantes em seus filmes. A desculpa? Oras, mude a origem deles! Não são mais mutantes - muito menos filhos do Magneto - para poder ficar coerente com a dupla de irmãos que tiveram participações no medíocre filme Vingadores: Era de Ultron - aonde são seres "aprimorados"...

Acabar com o primeiro super grupo da editora? Claro! Quarteto Fantástico acabou; "the end is fourever", já diz a capa da última edição de Quarteto nos Estados Unidos. Coincidência não pode ser,
afinal, Quarteto é outro filme que a Disney não pode criar. Uma pena.

Sem mais uma linha inteira de colecionáveis dos X-Men, Quarteto e Motoqueiro Fantasma. Exclusão dos mesmos super-grupos de quase todo merchandising; focado somente nos heróis favoritos do cinema: se tem quem consuma, independentemente de ser bom ou ruim, as mudanças vão continuar ocorrendo.

Então, seria a Disney a causadora dos maiores problemas dos quadrinhos hoje em dia? Bem, podemos dizer que, em partes, sim. Com uma atitude predatória nos cinemas - forçando mudanças em toda a indústria e saturando o gênero no cinema; apresentando títulos cada vez menos polidos - e trazendo drásticas transformações nos quadrinhos, deixando tudo cada vez mais comercial e genérico, guiado a vendas: A Disney é, com certeza, o maior problema para a Marvel hoje em dia.

Por deixar cada vez mais comercial, exaurindo o cinema com filmes cada vez piores e mudando os quadrinhos para se adaptar a mediocridade do que está acontecendo no cinema; a Disney está mostrando as verdadeiras mudanças "a longo prazo" que tinha quando comprou a Marvel. Precisa ser muito, muito ingênuo para dizer que a Disney não tem influência na Marvel Sutdios ou Marvel Comics: tem sim, e só não percebe quem é cego ou fanboy.

O clássico fã da Marvel - aquele que gostava das mega-sagas, das histórias e dos diversos super-grupos - hoje em dia mal vai ver os filmes do Marvel Studios no cinema. E eu entendo esse pessoal: todos estes filmes parecem os mesmos. Com heróis rasos e vilões mal trabalhados.

"Seria este um momento de mudanças para os quadrinhos da casa das ideias?" Bem, provavelmente sim. "Isso tudo pode melhorar?" Cara, assim eu espero, porque em 2017 teremos três filmes da Marvel Studios e em 2018 também; logo, o mínimo que eu posso esperar é que isso tudo melhore, se não voltaremos à época em que falar que gostar de quadrinhos é motivo de chacota e piada.

***
Escrito por: Alex Jacket

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