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Marvel Demolidor: Primeira Temporada - Análise

O Verdadeiro Homem Sem Medo. Com uma ambientação sombria e violenta; a primeira série original Netflix com personagens da Marvel se consolida como um emocionante thriller que transmite para TV quase tudo o que o quadrinho representa. Confira nossa análise da primeira temporada aqui; mas saiba que a análise pode conter spoilers!

Demolidor é uma série divertida, sombria e violenta; que traz toda a essência do Homem Sem Medo para uma adaptação de treze episódios para o serviço de streaming Netflix, que oferece toda a temporada de uma única vez.

Matt Murdock é um herói que ama muito a cidade em que mora; por mais que essa cidade tenha sido outrora ingrata com ele. Com uma infância conturbada; Matt agora vive em um bairro de Nova Iorque que fora destruído pelos eventos do filme "Vingadores", de 2012. Essa 'ponte' com o universo cinematográfico da Marvel/Disney é criativa e inesperada; fazendo o seriado ser mais integrado com outros trabalhos da Marvel.

O Demolidor não é um personagem fácil de trabalhar. Nos quadrinhos, ele é poético e religiosos, com momentos solitários e sombrios. Todas estas características estão presentes no seriado; e Charlie Cox consegue muito bem interpretar a personagem em todos os aspectos, não só na cegueira.

Uma pena, entretanto, que o Homem Sem Medo tenha, no seriado, poderes inflados até que demais. Não, nada perto do filme-fiasco de 2003, protagonizado pelo Ben Affleck, que o Demolidor pulava de prédios altos e caía em pé - o seriado trata com um pouco de exagero não a parte física do personagem, mas sim os seus sentidos; que são consideravelmente melhorados graças a perda da visão.

Sim, o Matt tem os sentidos "melhorados" nos quadrinhos; mas achei que o seriado teve alguns momentos que melhoraram até que demais os poderes dele. Um exemplo é quando ele está dentro de um apartamento, fechado, e consegue sentir que um homem está no andar térreo do prédio, com cheiro de colônia e cigarros; além de saber que ele é russo e está procurando por ele. Um pouco exagerado, talvez, principalmente por Matt estar no começo de sua carreira e não ter treinado o bastante para desenvolver mais suas habilidades.

Falando sobre início de carreira; aqui temos algo bem interessante. Matt Murdock está começando, não sabe direito o que está fazendo, então ele apanha para caramba. São muitos os momentos de fraqueza e instabilidade para o herói. Diferente dos filmes da Marvel/Disney, aqui, Matt está realmente no começo, e erra bastante.

A Karen Page (Deborah Ann Woll) e o Foggy (Elden Hanson) são, junto com o Matt, os únicos personagens a aparecer em todos os episódios da primeira temporada; e estão muito bem. Foggy faz um interessante contraste à Matt: diferente do Homem Sem Medo, ele é bobão e mulherengo. A relação de amizade dos dois é cativante e divertida, fazendo os momentos fora da ação e de trabalho mais reais. Karen não fica atrás, e sua participação é a que da ensejo para o decorrer de diversos acontecimentos na série; além de mostrar mais a parte externa do escritório de Nelson & Murdock.

Pelos antagonistas, Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) oferece um contraponto ainda mais sombrio e raivoso para a série. Personagem que em muitos momentos está fora de si; é muito bem trabalhado em sua relação com Vanessa (Ayelet Zurer), mostrando a preocupação e a vida da máfia mais de perto do que nunca. Fisk é um vilão que, ao decorrer da série, sofre grandes mudanças de personalidade, e conta com uma história de fundo excepcional. Uma pena, entretanto, que seu plano para o bairro de Hells Kitchen seja um pouco batido: ele quer desestabilizar e destruir para poder, depois, construir por cima algo muito melhor e sem os problemas de antes. Mais ou menos o mesmo plano de Malcolm Merlyn na primeira temporada de Arrow.

Enquanto Fisk e Vanessa estão bem no antagonismo, infelizmente, é só eles. James Wesley (Toby Leonard Moore) e Leland Owlsley (Bob Gunton) - personagens importantes no esquema mafioso de Fisk - estão terríveis na série. Por mais que o Wilson Fisk tenha a seriedade de um Rei do Crime; seus comparsas parecem personagens de seriados de comédia genéricos que são cancelados e estreados todos os anos. Parece que a série percebeu isso também; fazendo-os tão descartáveis que até esquecemos da importância deles quando fora de cena.

O seriado é sim a melhor adaptação de um quadrinho para a TV que tivemos até agora, e os motivos são muitos: uma superprodução, com efeitos impressionantes, lutas de ficar sem ar - principalmente aquela do segundo episódio, largamente inspirada em Old Boy - e a sorte de ter 13 episódios de uma hora cada - o ideal para conseguir desenvolver tudo sem ter muito filler (aqueles episódios que servem para nada na história). Demolidor, porém, não deixa de cometer seus pecados. Nos três primeiros episódios, por mais que o valor da produção e as brigas estejam presentes, a série precisa se auto-explicar o tempo inteiro, mostrando momentos repetitivos de Matt e a forma que ele vive, tentando forçar os personagens para o telespectador. É algo sutil que logo é deixado de lado, mas torna a experiência do início do seriado um pouco maçante quando não estão acontecendo lutas ou momentos de tensão.

Se o começo da série peca um pouco por ser maçante, o mesmo não pode ser dito do final. Os quatro últimos episódios trazem situações tão impressionantes e excepcionais que acabam colocando Demolidor como uma das melhores adaptações da Marvel - incluo os filmes aqui no meio. Depois de ter tido tempo de se desenvolver, Matt, Karen e Foggy são tão comuns e interessante aos telespectadores que acabam desenvolvendo um sentido de empatia com qualquer um que assista. É impossível encontrar problemas nessa parte final do seriado. As batalhas deixam de ser tão exageradas e hiper-produzidas para passar a ter uma sensação mais crua e real. É impressionante e satisfatório cada minuto do desfecho do seriado. Desfecho este que, repito, solidifica Demolidor como a melhor adaptação da Marvel em mídias não impressas. 

Nota: 9.0. O Verdadeiro Homem Sem Medo.
Acertos: Matt, Karen, Foggy, Fisk e Vanessa são personagens fielmente adaptados e muito bem desenvolvidos. O valor de produção do seriado, a quantidade ideal de episódios, as lutas muito bem feitas... São muitas as virtudes do seriado que se solidifica como uma das melhores - se não a melhor - adaptação da Marvel.
Erros: Leland e Wesley dão um ar de bobeira para a vilania da série, além de um começo que, fora dos momentos violentos ou cheios de ação, é maçante.

Marvel - Demolidor já está disponível na Netflix!




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