Avançar para o conteúdo principal

O Despertar: Parte Um - Análise

No fundo do oceano, ninguém pode te ouvir gritar. Scott Snyder e Sean Murphy são colegas de longa data. A última obra que os dois trabalharam fora Vampiro Americano: Seleção Natural. Alguns anos depois desta última história, a dupla retorna para o selo VERTIGO com uma das mais inesperadas e tensas tramas de terror e suspense que a editora já teve. Série vencedora de dois Eisner (Melhor arte e melhor série limitada); confira o que o Crise achou deste encadernado que acaba de ser publicado pela Panini no Brasil.

Chegou até que rápido aqui nas terras brasileiras o encadernado de O Despertar (The Wake, em título original). A recente e premiada série de 2014 da Vertigo - o selo mais "hardcore" da DC - a primeira parte de O Despertar vem em uma edição de capa mole com 132 páginas com qualidade LWC e lombada quadrada por 19,90R$; e conta com metade da saga, do capítulo primeiro ao quinto.


A qualidade do encadernado deixa um pouco a desejar; mas o preço não tão alto acaba compensando a compra. O quadrinho veio até que rápido pra cá, sendo que o último capítulo (o décimo) saiu nos EUA em junho do ano passado. Foi uma surpresa ver o encadernado na banca!

Especificações do produto à parte; vamos para o conteúdo: a referência a Alien - o Oitavo Passageiro no início da análise ('no fundo do oceano, ninguém pode te ouvir gritar') não é para pouco: encontramos em O Despertar um suspense com uma protagonista feminina forte em uma plataforma relativamente futurística de petróleo que fica escondida quilômetros da superfície. Enquanto Alien é no espaço, O Despertar é mais em baixo.

A Doutora Archer é convidada para estudar sons estranhos que estão saindo das profundezas do mundo; e ao aceitar o trabalho, mal ela sabe que seu novo emprego poderá ser fatal. Lá em baixo, uma raça estranha e muito diferente aparenta estar em cativeiro e controlada - mas será que por muito tempo?

Este "oitavo passageiro" trará muito caos e medo; em uma história com um clima de suspense incrivelmente bem representado pela equipe criativa. Sean Murphy - o desenhista - e Matt Hollingsworth - o colorista - trazem propostas escuras e sombrias com linhas finas e hiper detalhadas que conseguem traduzir o intenso e excessivamente rápido roteiro de Snyder como se um fosse feito para o outro.

A arte é, na maior parte, feita em painel de duas páginas, o que trás uma estranha sensação de liberdade quando se lê. Os traços e cores são um dos melhores motivos para se comprar a história. Por mais que Scott Snyder acerte em cheio com um roteiro tenso e diferente (com algumas inspirações de brilhar os olhos); a história acontece de forma meio corrida e os personagens secundários desta primeira parte não são muito bem aprofundados. Claro, O Despertar será contado em duas partes curtas (de cinco capítulos cada, sendo este encadernado a primeira parte); o que acaba forçando o roteiro a precisar ser um pouquinho mais corrido e com um enfoque menor nos secundários.

Vale lembrar que alguns dos clichês do sci-fi também estão aqui: as mitologias nunca antes escutadas do passado e o folclore... Elementos estes que, em uma história tão tensa e escura e aquática, acabam combinando e MUITO. Entenda: quando falamos de "mitologia de povos antigos" em uma obra de ficção científica com robôs ou aeronaves já torcemos um pouco o nariz (cof cof transformers cof cof alien vs predador cof); mas e quando se trata de figuras do mais fundo do oceano da terra? Essa área do globo é quase tão inexplorada quanto o espaço. Scott acerta em cheio com essas ligações mitológicas e históricas da raça humana e nos levanta a questão: "e se?"

O Despertar: Parte Um pode não ser o melhor encadernado que a Vertigo já teve - também não é o melhor trabalho de Snyder - mas conta com uma arte soberba e uma história interessante e ousada que, por mais que seja um pouco corrida e tenha personagens mal explorados; entrega uma trama empolgante, e com uma última página de pensar "MAS QUE PORR--" as perguntas e ansiedades pra próxima edição vêm fortes unidas com a grande dúvida de como poderá ser a próxima parte.

Nota: 9. No fundo do oceano, ninguém pode te ouvir gritar.
Acertos: Um roteiro que trás ideias novas com uma inspiração singela em Alien que conta com uma arte e cores de cair o queixo. As mitologias e origens históricas bem pensadas.
Erros: Uma trama um pouco corrida demais com personagens secundários um pouco mal explorados.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Invasão - Por onde começar a ler X-Men

O grupo mutante X-Men é um dos maiores títulos da Marvel e sempre compete pela liderança de maior número de edições vendidas da editora e isso é um reflexo da qualidade de seus personagens e histórias.

ESPECIAL: Constantine - Ordem de leitura!

Com tanta série vindo por aí, querer conhecer um pouco mais do que está chegando pode parecer uma boa ideia. Saiba o que ler para ter um conhecimento sobre o  mago inglês mais famoso da DC Comics e estar preparado para o que pode vir a ter na série.

Supergirl, Lanterna Vermelha

Não é de hoje que a Supergirl tem alguns problemas em controlar sua raiva e alguns sentimentos mais fortes e, de acordo com o novo escritor de Supergirl, Tony Bedard diz que Kara vai evoluir de uma adolescente cheia de raiva para uma adulta, defensora da Terra. Mas primeiro, ela tem que se livrar dessa fúria da juventude! Cuidado com os spoilers: