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O Limite: Danger Days (MCR x Grant Morrison, 1/3)


A parte legal dos quadrinhos é o quão bem eles conseguem aparecer em outras mídias e criar uma interessante história - até mesmo nos conceitos mais extremos, como um quadrinho que termina uma trilogia que foi iniciada em um... Álbum musical? Isso mesmo! Grant Morrison (Crise Final, Multiversity) e Gerard Way (Umbrella Academy, Edge of the Spider-Verse) trouxeram essa proposta em uma envolvente história de uma distópica Califórnia em 2019. A parte interessante é que essa história é contada parte nos quadrinhos e outra parte nos CDs musicais.




Começamos a nossa história em Battery City - uma cidade fictícia numa distópica California - no ano de 2019. Até aí tudo bem. Temos uma entidade, a Better Living Industries (ou simplesmente BL/ind), que é um enorme conglomerado industrial e multinacional que tem atuação nos seguimentos farmacêuticos, agrícola, manufatureiro e, principalmente, petrolífero. É isso o que está no portfólio deles, mas é claro que tem um pouco mais por trás disso tudo.

Pelo seu imenso tamanho, Better Living Industries é muito influente na política de Battery City. Entenda bem, estamos falando de um futuro distópico; aonde uma empresa domina a política e  a economia de uma cidade inteira. Todo esse poder consegue esconder muito bem a corrupção! Por
mais que esteja em quatro distintas áreas; a BL/ind tem sua maior renda na venda de drogas ilícitas para a população em geral - uma droga especial, que consegue inibir uma ou todas as emoções de quem a toma. Uma droga feita para conseguir mudar.

Por mais que a BL/ind esteja conseguindo dominar praticamente todo o estado da California (e talvez ainda mais!), a cidade-cede da empresa - Battery City - começa a apresentar, em seus subúrbios no deserto, indícios de uma rebelião. Rebelião que estava, de fato, acontecendo!

Em ordem: Dr. Death Defying, Party Poison, Kobra Kid, Jet Star
Fun Ghoul e A Garota - Os Killjoys originais
Na margem da cidade - aonde encontra-se um intenso deserto - temos nossos heróis. Um grupo inteiro de anarquistas, liderados por quatro revoltos integrantes que estão preparados para ir contra tudo o que a BL/ind possa representar. Eles são Kobra Kid, Jet Star, Fun Ghoul e Party Poison - o líder da gangue, e formam os Killjoys. Ainda, eles são guiados por um DJ pirata, Doctor Death Defying, que os ajuda espalha a palavra anárquica e contra o sistema pelas redes piratas de rádio; para que todos saibam a verdade pro trás da BL/Ind.

Uma empresa do tamanho da Better Living nunca deixaria algo assim acontecer, mas os constantes ataques dos Killjoys estão começando a causar problemas. Sem hesitar, a BL/Ind pressiona o governo para criar um esquadrão que consiga impedir os Killjoys. Este esquadrão é o S/C/A/R/E/C/R/O/W, formado por Draculoids (um 'policial' que utiliza uma máscara branca vampiresca) e liderado por Korse - um vilão dos piores, que usa a droga da BL/Ind para inibir seu próprio medo para tentar oprimir esse grupo de "rebeldes".

O que a BL/Ind faz de fato é explicado no capítulo #1 do quadrinho Killjoys, enquanto o trabalho do Doctor Death Defying é explicado nas músicas Look Alive, Sunshine (aonde ele está guiando os Killjoys e espalhando as notícias da rebelião) e na musica Jet-Star and the Kobra Kid/Traffic Report (aonde ele nos atualiza sobre um dos ataques dos Killjoys, no caso, em um que o Kobra e o Jet perdem). O grupo tem sua preparação para o primeiro ataque na música Planetary (GO!); aonde eles falam que a batalha contra a BL/ind será uma "festa", aonde todos iram "dançar" (lutar), sem medo do que pode acontecer. A história dos killjoys indo fazer o primeiro grande confronto com Korse e os S/C/A/R/E/C/R/O/W acontece na música Na Na Na.

A música Na Na Na é o primeiro passo da história. Encontramos os quatro Killjoys, depois de se prepararem em Planetary (GO!), indo de cara contra o Korse se sua corja. O confronto é intenso e corrido, como pode ser visto no clipe, tendo tiros para todos os lados e brigas constantes entre os Killjoys e os Draculoids. Porém, é aqui aonde a história muda um pouco de ponto de vista.

Enquanto tudo isso acontece; mudamos a história para uma garota com um coração a prova de balas. Uma criança que não só queria ajudar os Killjoys na briga contra a BL/Ind, mas principalmente, fugir de um ambiente aonde as pessoas aceitam os absurdos que a empresa faz com a cidade. Seus pais, é claro, não querem deixar uma criança fugir para lutar. Mas sabem que esse é o destino dela. Enquanto o confronto de Na Na Na está acontecendo a garota com o coração à prova de balas tenta entrar na "festa" para "dançar" ao lado de seus companheiros. 

A criança é rapidamente aceita pros Killjoys! Ela vira um deles! Ela agora faz parte disso tudo, de um anárquico e emocionante grupo que luta contra o opressor e corrupto sistema. Uma garota com um
sonho, uma garota com voz forte o bastante para cantar até mesmo para os surdos. É uma pena que a vida não é feita só de boas intenções.

Korse consegue, no final do confronto de Na Na Na, capturar a garota. E agora? Um dos Killjoys, do grupo principal, fora raptado?! Pelos Deuses! Precisam fazer algo. Precisam se preparar para tentar salvar a garota.

A criança foge de casa e se une aos Killjoys na música Bulletproof Heart; enquanto ela é raptada no final de Na Na Na. Os Killjoys retornam e, com o resto da gangue, se preparam para outro confronto com a BL/Ind, mas agora para salvar A Garota. Um confronto que eles sabem que pode ser mortal. E o discurso de Party Poison - o líder dos Killjoys - na música homônima - deixa claro: estamos indo para morrer. É uma missão suicida, sabemos, mas não deixamos ninguém para trás.

O plano não é só ir para a BL/Ind, mas sim também tentar enfraquecê-la o máximo possível. Em um momento de loucura, para tentar impedir os incontáveis membros do grupo S/C/A/R/E/C/R/O/W, os Killjoys lançam uma bomba em Battery City. Verdade, ela impediu um pouco o avanço da BL/Ind, mas também feriu diversos civis. Esse ato manchou o nome dos killjoys, e com a ajuda da mídia corrupta e do governo manipulado pela BL/Ind, eles estavam passando a ser vistos como vilões. 

Grant Morrison como Korse
Mesmo assim, o momento estava chegando. A garota raptada por Korse sofria presa, e a BL/Ind tinha tudo para conseguir se recuperar rapidamente. Os killjoys não tinham opção: era hora de ir para a cede, tentar meter bala e salvar a garota. É agora ou agora!

A bomba que os Killjoys jogaram em Battery City é tem sua explicação no capítulo #2 de Killjoys e é mencionada na múisca S/C/A/R/E/C/R/O/W. A preparação dos Killjoys para o confronto final está na música Party Poison.

O confronto final acontece em duas músicas. A primeira é a música SING. Aqui, o objetivo é tentar destruir a corporação que está varrendo a mentalidade das pessoas, criando a "geração nada", produtos do sonho branco e opressor. Os Killjoys, após enfraquecerem a BL/Ind, estão indo de cabeça para tentar acabar com isso tudo e salvar A Garota. Mas não é assim tão fácil.

Aqui, o clipe de SING explica mais que a música. A música em si é um hino de batalha, que mostra que temos que lutar contra as coisas que nos faz mal, ir contra aqueles que oprimem; procurar conteúdo, não ser um nada. SING é, na minha opinião, uma das músicas mais profundas do CD (Danger Days); e mostra como o confronto é. A minoria rebelde, que quer tirar as garras corruptas de uma empresa da cidade, que quer salvar uma integrante...

Por mais que SING emocione e faça todos irem atrás da batalha e lutar o máximo possível, Party Poison tinha avisado: esta é uma missão suicida. Os Killjoys conseguem entrar na BL/Ind e fazer um senhor estrago lá, ao mesmo tempo que conseguem encontrar A Garota. Mas, no caminho para fora, Korse e os S/C/A/R/E/C/R/O/W, fortemente armados, estão lá para impedi-los. E conseguem.

Aqui começa a próxima música, save yourself, i'll hold them back. Os killjoys - Party Poison, Jet Star, Kobra Kid e Fun Ghoul - são mortos um a um, tentando ao máximo salvar A Garota. Infelizmente, este é o destino deles... Enquanto a morte chega para cada um deles, pelo menos um sucesso. A Garota consegue ficar viva! Consegue escapar!

Este é a história por trás do fim dos antigos Killjoys e da única sobrevivente da gangue original - A Garota. E tudo termina com um Adeus do Doctor Death Defying, que desliga os rádios por um tempo admitindo que a festa acabou, e deixa todo mundo com uma das notícias, que fora descoberta na invasão dos Killjoys à BL/Ind: aquela "grande bola de radiação" que as pessoas chamam de sol, bem, ela está matando todos de pouco a pouco, deixando eles queimar. A radiação do sol está começando a queimar as pessoas que utilizam a droga da BL/Ind e, com menor intensidade, aqueles que nunca utilizaram também. E agora?!

Termina aqui a história do CD Danger Days. Volto semana que vem com a segunda parte, Conventional Weapons; e finalizo a história dos anarquistas anti-sistema Killjoys na terceira parte - The True Lives of the Fabulous Killjoys - daqui duas semanas.

Os integrantes são:

Grant Morrison (Multiversity, Crise Final, Animal Man)  como Korse
Gerard Way (Edge of the Spider-Verse, Umbrella Academy) como Party Poison
Ray Toro como Jet Star
Frank Iero como Fun Ghoul
Mikey Way como Kobra Kid
e Steve Montano (arte dos quadrinhos Guardiões da Galaxia vol. 1) como Doctor Death Defying

As músicas que contam a primeira parte da história dos Killjoys estão no cd "Danger Days" pelo My Chemical Romance.


Não são todas as musicas do CD Danger Days que fazem parte da lore por trás da história dos Killjoys. Por mais que músicas como "The kids from yesterday", "Summertime" e "Vampire Money" tenham elementos dessa aventura, essas músicas não fazem total parte da história de Danger Days.
As músicas do CD que fazem parte da história são:

Look alive, Sunshine
Na Na Na
Bulletproof Heart
SING
Planetary (GO!)
Jet Star and the Kobra Kid/Traffic report
Party Poison
Save Yourself, i'll hold them back
S/C/A/R/E/C/R/O/W
Destroya (essa daqui faz parte mais da segunda parte, Conventional Weapons, mas está no cd Danger Days)
Goodnight, Doctor Death

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