quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Invasão: Reinado Sombrio – Spin offs (parte II)


Há quase dois meses atrás, eu comecei a falar sobre alguns spin offs do período que ficou conhecido como Reinado Sombrio (links aqui e aqui). E para ser sincero, os mais legais mesmo são os de que falarei agora.

Thor

Já havia comentado antes como MichaelStrazyinsky fez um ótimo trabalho no título do deus do trovão e relendo esta fase do personagem minha admiração só aumenta.

No caso do arco de Thor em Reinado Sombrio não temos um papel tão importante de Osborn, mas sim de dois outros membros da Cabala, Loki e Dr. Destino. Primeiramente, o deus da trapaça arma um intrincado plano para que Thor deixe Asgard para seu irmão Balder, mais facilmente manipulável, assumir o trono e então convencê-lo de que sair de Oklahoma e ir para Latvéria é uma boa idéia.

É bem interessante notar que apesar de Destino, o monarca da Latvéria, ser claramente um vilão, ele acaba conseguindo aliados entre personagens que transitam com mais liberdade entre os dois lados do jogo, a vilania e o heroísmo, é o caso de Loki e Namor.

Também vale ressaltar que os outros personagens que compõem o contexto do Thor estão muito bem trabalhados e todos têm o seu momento “em tela”, como é o caso do alter ego Donald Blake, seus três maiores amigos em Asgard, Fandral e Hogun e eles também criam um alívio cômico muito bem posicionado em toda a trama.

Homem de Ferro

Que a verdade seja dita, por mais que eu goste de Tony Stark, é muito difícil encontrar sagas realmente boas do gladiador dourado. Mas esse não é o caso aqui, porque o arco do Homem de Ferro em Reinado Sombrio foi o melhor de todo o período a ponto de que acabou ganhando o prêmio Will Eisner de melhor série.

Norman Osborn inicia uma cassada por Stark por sua negligência em relação à Invasão Skrull, porém seu verdadeiro interesse está no fato de que os dados de todos os heróis colhidos com a Lei de Registro estão armazenados no cérebro de Stark. Agora ele precisa fugir de Osborn e apaga a própria mente para que seu conhecimento não caia nas mãos erradas.

Talvez a idéia pareça um pouco absurda, mas tudo acaba fazendo bastante sentido e se torna uma ótima desculpa para que o Homem de Ferro revisite vários locais e momentos de sua trajetória que contribuíram para a construção de seu personagem.

O roteiro é de Matt Fraktion e a arte, de Salvador Laroca.

Quem não gosta de ver um herói apanhando?

Poderosos Vingadores

Em um período em que o Bendis (em geral considerado um ótimo roteirista) vai mandando mal no comando do título Novos Vingadores, Dan Slott – um cara que foi ameaçado de morte pelas cagadas que fez em Amazing Spider Man – manda muito bem com seu próprio time de heróis mais poderosos da Terra.

Slott cria uma trama que trafega com fluência entre o dramático e o cômico ao focar no líder dessa equipe, Hank Pym. O personagem começa ainda perdido após se ausentar do planeta devido à invasão skrull e tendo que lidar com o recente falecimento de sua ex-esposa, a Vespa. Porém, após uma longa conversa com uma andróide que replica a personalidade de sua ex, Pym decide deixar de ser um mimizento e viver a altura de um vingador fundador.

Sua recém descoberta auto confiança é abalada muitas vezes durante as histórias, sendo lembrado por pessoas como o Senhor Fantástico de suas inúmeras cagadas (ele é o papai do Ultron, por exemplo). Mas aos poucos ele prova que seu potencial é maior que seus erros e lidera um grupo de Vingadores que tão bem sucedido que leva a mídia e o público a se questionar a respeito da legitimidade do grupo de Norman Osborn.



Este foi um dos melhores títulos da Marvel nessa época e foi escrito por um cara que manda muito bem, Christos Gage.

O primeiro arco começa com um ataque do clone do Thor no QG do grupo e com o desmembramento da equipe após ela ter sido usada pelos skrulls. Entretanto, isso ocorre enquanto uma equipe é enviada ao oriente em uma missão sigilosa, o que acaba por deixá-los desamparados em solo inimigo.

Logo em seguida, uma nova Iniciativa é organizada por Norman Osborn com vários super vilões (basicamente todos os buchas liderados pelo Capuz), praticamente dando a eles um aval do governo para que cometam seus crimes impunemente.

Em um título transbordando de personagens (muitos deles de segunda/terceira categoria), Gage consegue selecionar alguns dos piores dentre eles e lhes dar uma profundidade de fazer inveja, além de criar um foco num dos melhores personagens desse meio o Treinador.

Justiceiro

Rick Remender (na minha opinião, um dos melhores roteiristas da atualidade) inicia a trajetória de Frank Castle durante o Reinado Sombrio com algumas das mais empolgantes cenas do personagem ao colocá-lo em uma situação em que ele precisa fugir do todo poderoso Sentinela (lembrando que o Justiceiro é um humano normal, sem habilidade aprimoradas, enquanto o Sentinela é quase um deus).

Em seguida, Frank deve confrontar o Capuz e seu exército de vilões trazidos de volta do mundo dos mortos para chegar a Osborn e matá-lo. Nesse meio, também encontramos seu ex parceiro, Microship, que decide ajudar o Capuz a atingir Castle na esperança de que o vilão possa trazer de volta a vida sua família como fez com seus lacaios.

Outros

Eu poderia continuar enumerando os títulos que valem a pena dessa época, mas chega uma hora que a gente fica de saco cheio. Além dessas, eu sugiro que olhem a mini série do Mercenário, Ares e do Dark Wolverine e as one shot que levaram o nome de A Lista, em que Osborn supostamente elimina diversos heróis para que não o atrapalhem em seus planos futuros – vale muito a pena a do Justiceiro, em que o filho de Wolverine trucida o anti herói.

Essa luta é foda. Nós vemos o pensamento do Justiceiro, já todo rasgado, tentando se conformar com morte iminente.

0 crises:

Enviar um comentário