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Crise Conversa: Qual o limite do reboot?

Tendo em vista o vindouro reinício da Marvel e o fracasso de crítica (porém sucesso comercial) do início dos Novos 52; qual o limite de um reboot no universo dos quadrinhos? Personagens que mantém seu nome, mas mudam completamente, tanto visual quando seu comportamento, revistas canceladas, novos títulos que já começam com fracassos e reformulações de equipes criativas. Será que isso tem um limite ou ninguém liga? Veja a opinião do Crise:


Antes de começar, esse Crise Conversa aconteceu antes do grande anúncio do novo 'reboot' da DC Comics, levem isso em conta.

Alex: O verdadeiro problema* é deixar uma série conseguir chegar em números absurdos. O reboot é sim necessário. O problema é quando fazem de uma forma hiper comercial - como com os Novos 52. Aí é delicado. Lá atrás, após a Crise nas Infinitas Terras, o reboot foi feito de forma incrível. Era tudo novo e diferente, mas com uma pitada do velho. Renovar é necessário sim, quadrinhos são sobre mudança, é só tomar cuidado pra não cair no comercial.

Rafael: Não há limite (assim como no humor). Um reboot as vezes é necessário para corrigir erros do passado, dar uma interpretação nova pro personagem e para sua relação com o mundo em volta. Acho que o leitor deve ter maturidade de que não é porque houve reboot que as histórias que você curtia e que foram apagadas perderam o valor (exemplo, a Sociedade da Justiça durante saga que dá nome ao blog). Os editores só querem renovar a casa. Vale lembrar que a Marvel não está fazendo reboot porque é essa a sua política e sempre foi assim. O que já gerou alguns problemas, por exemplo, quando um roteirista quer dar sua própria interpretação do personagem, fica a impressão para o leitor de que de uma hora para outra o personagem mudou de personalidade sem motivo nenhum. É o caso do Senhor das Estrelas pelas mãos do Bendis, que não tem absolutamente nada a ver com o da grandiosa e primorosa fase Abnett e Manning.

Rodrigo: O dinheiro sempre pesa na conta dos reboots. Vendas não vão bem e, ao invés de mudar a equipe criativa dos títulos, reformular pouco a pouco, as editoras começaram a não ligar mais. O maior incômodo é a interrupção, tem cada vez menos tempo entre um reboot e outro, deixando claro que a editora só quer mesmo vender, fodam-se os leitores.

Alex: Mas Rafael, como vai ser com a Marvel nessa vindoura saga, então?

Rafael: Então, na Marvel, o que está acontecendo agora é a mudança no ultiverso, não nos personagens. Após a saga Guerras Secretas, aquele Aranha que foi clonado, viu a namorada morrer e sei lá mais o que, continuará o mesmo.

Alex:  Então vai ser só uma mudança drástica e vai tudo voltar pro #1? Tipo como foi com a Marvel NOW, agora em 2013/14? Será que não está na hora de um super reboot no universo Marvel?

China: Mas realmente, o problema do reboot é a banalização. Se a revista não tá vendendo, só troca a equipe criativa, não precisa apagar tudo.

Cuba:  Eu nunca tinha lido Marvel, comecei com a coleção da Salvat e o Sid me indicou o X-Men do Marvel Now. Gostei pra caralho, o traço e a história com viagem no tempo, me fisgaram de primeira. Agora vendo que tem um reboot se aproximando, eu me desanimei bastante.

Alex: Gostei também do Novíssimos e dos Fabulosos X-Men, mas fiquei um pouco chateado que tive que ler muitos artigos na wikipedia e comic vine para entender as coisas...

Rafael: Não sei como ficará a numeração, mas isso é o de menos. A verdade é que Marvel Now não foi nada. Os editores da Marvel viraram pros roteiristas e falaram, encerrem seus arcos até a data tal e comecem um arco novo (e a gente tah criando tal, tal e tal grupo novo). Sinto que foi mais uma questão de marketing, mas ficou bom.
Então, vcs vê que em Marvel Now vc ainda teve que ir atrás do que aconteceu antes? Reboot na Marvel é assim, não é reboot.

Rodrigo: A mesma coisa que N52. Pegou Flashpoint, que era um evento X do Flash e, do nada, falou que era pra todo mundo convergir naquilo, que ia encerrar tudo e criar coisa nova. Sei que são empresas grandes e ~devem~ fazer a coisa direito, mas da uma sensação de extrema falta de planejamento.

Rafael: Sobre a necessidade de um reboot, eu não acho que haja. Se os editores querem criar uma coisa nova do nada, melhor pegar uma realidade alternativa, como no universo Ultimate.

Alex: Acho engraçado, que na DC, vai acontecer um Convergence para ~quebrar~ a vibe.

Rodrigo: Convergence vai rolar porque eles tão de mudança de uma costa do continente pra outra. Na confusão toda, não vai dar pra organizar muito a galera que vai se mudar junto e tals. Ai vai tapar o buraco de dois meses com publicações extremamente promissoras e com as capas mais maneiras do mundo.

Ricardo Kyo: O reboot possui uma única finalidade: voltar a vender. Essa de "consertar erros do passado" não rola, pois ao mesmo que ocorreram trabalhos ruins, ocorreram trabalhos muito bons. O fato é até simples para se pensar em fazer um reboot, se está vendendo bem, então deixe como está, se não está, então recomece do zero e bola pra frente. Os Novos 52 são um sucesso comercial muito competente - mesmo que atualmente vem se estabilizando - e por isso foi uma boa ideia sim.
Infelizmente (ou felizmente) temos a necessidade de reboot, já que caso contrário teríamos quase sempre a mesma equipe criativa, os mesmos pensamentos na indústria e, por fim, as mesmas páginas de quadrinhos, pois os roteiristas se sentiriam obrigados a seguir uma linha previamente planejada por alguém que lá esteve muitos anos antes. Sou a favor, mas claro que com parcimônia.

Fabricio Velucci: Eu acho que a DC precisava de um reboot antes dos novos 52. Tinha universo dmais. Mas eu não acho que um reboot total seja necessario pra consertar as coisas. Da pra fazer um evento dahora com um soft reset. Se vai entrar equipe nova com roteiristas e ilustradores novos, faz um evento dahora que mude algo mas nao apague tudo que foi feito anteriormente. Se você apaga, fica só mais confuso. Imagina, toda a jornada do heroi vai pro saco. Eu to meio por fora, mas os novos 52 não foi um full reboot né? Pq no Morte na Familia eles mencionam a piada mortal no trecho da batgirl. Posso estar falando merda, mas se eles deixaram o reboot meio arbitrário, fica mais confuso.

Alex: Fabricio, Tirando Batman, Lanterna Verde e Flash, foi um reboot. Tipo, superman voltou do zero, arqueiro também, etc

Velucci: Um soft reset q eu lembro q a marvel fez foi o Secret Invasion. É um evento meio merda, mas eles trouxeram devolta a vida varios personagens q todos gostavam mas que havia morrido. A historia foi tosca pra caralho, mas o outcome foi muito bom. 

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