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Invasão: A mais complexa obra de Frank Miller


Uma mini série em 8 edições, Elektra Assassina não é tão famosa quando os outros trabalhos de Miller, como A Queda de Murdock, Batman: Ano Um e, é claro, O Cavaleiro das Trevas. Porém ela consegue reunir tudo o que Miller havia alcançado com estas obras para criar algo totalmente novo e fantástico.

Este post não é tanto um review, mas mais um convite para o que o leitor procure este grande título.

Frank Miller é um artista incomparável, sua influência para os quadrinhos compete apenas com a de Alan Moore. Quando olho para o trabalho de Miller do final dos anos 80, posso notar um crescente no que se refere a sua audácia e qualidade e arrisco dizer que seu legado máximo talvez se encontre em Elektra Assassina.

Antes de falar de Miller e sua obra, é preciso reconhecer que este título não seria tão grandioso não fosse a arte de Bill Sienkiewicz. A integração dos trabalhos do roteirista com a do desenhista não tem precedentes, Sienkiewicz não mostrou simplesmente o que Miller tinha em mente, ele colocou no papel uma maneira extremamente pessoal de ver a narrativa. Em entrevista, Frank Miller admitiu que ao contemplar os desenhos de Sienkiewicz para seu roteiro, ele sentiu a necessidade de realizar muitas mudanças e adaptações ao que havia imaginado inicialmente, o que apenas engrandeceu a obra.

A trama de Elektra Assassina é ambientada na paranoica Guerra Fria e pode ser considerada simples: um demônio se apossa do corpo de um candidato a presidência dos Estados Unidos e planeja usá-lo para acabar com a vida na Terra, enquanto Elektra (assassina, ninja e ex do Demolidor) deve impedi-lo. Mas o estilo surrealista empregado de desenho e de narrativa criam uma profundidade que exige maturidade e comprometimento do leitor.

E, como já falei, Miller reúne os mais importantes elementos de seu trabalho até então, como sua admiração pela cultura japonesa (usada aqui como uma sátira do clichê que ele mesmo criou), o desenvolvimento de seus personagens e sem dúvida sua visão política. Segundo ele: “Para que as histórias com super heróis tenham força, elas devem estar fundamentadas em algo real, seja de origem psicológica, sexual, política ou qualquer outra coisa”. Tudo isso envolto de muito humor negro.

No que tange o desenvolvimento psicológico dos personagens, o primeiro capítulo é justamente um mergulho na mente conturbada de Elektra cheia de referências freudianas e é seguida sempre segundo as perspectivas dos personagens. Deve-se, porém, ter em mente que este tipo de narração nem sempre é confiável, ela revela muito sobre a personagem, mas pode distorcer a realidade das situações.

Já sobre o contexto político, Miller apresenta seu próprio ponto de vista sobre a diferença entre o discurso e as ações políticas, além de criticar grande organizações, representadas aqui pela SHIELD, que acabam se tornando verdadeiros monstros burocráticos, onde nem mesmo Nick Fury consegue saber tudo o que se passa sob sua direção.

Além disso, apesar de hoje ter posições muito questionáveis, Miller, na época do lançamento desta obra, apresentou algumas palavras de sabedoria quando o assunto é política ao comentar sobre o trabalho de seus colegas cartunistas: “Um cartunista é, de várias maneiras, um crítico. Com isso, surgem dois perigos: ele pode se tornar um cínico ou um ideólogo que defende determinado ponto de vista e ignora todo o fato que o contradiz. No meu caso, prefiro ter apenas um ponto de vista a ter uma ideologia, pois é muito mais pessoal e flexível”. E para nossa sorte, este é o Miller que encontramos nos seus maiores trabalhos.

Por fim, como esta obra é esquecida nas listas de maiores trabalhos de Frank Miller, deixo suas próprias palavras sobre Elektra Assassina: “Em termos de configuração geral, Elektra é a experiência mais original na qual já trabalhei. É uma conquista comparável a Ronin. O Cavaleiro das Trevas foi mais um síntese, foi uma tentativa de ir além do que tem sido feito em quadrinhos. Elektra é uma nova experiência. E mais... Elektra é algo inédito”.


   

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