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Review: Saga Volume Um

A image comics pode não ser tão conhecida no Brasil como a Vertigo, DC Comics ou a Marvel; mas é inegável a qualidade de alguns quadrinhos deles. Série vencedora de três Eisner (melhor série, melhor nova série e melhor escritor) e vencedora de seis Harvey (melhor escritor, melhor artista, melhores cores, melhor nova série, melhor história contínua e melhor capítulo); Saga vem, finalmente, para o Brasil. Em uma edição de luxo super bem trabalhada pela Devir, Saga vem para mostrar que quadrinho não é só o mainstream.


De Brian K. Vaughen (Y: O último homem) e Fiona Staples (The Authority); não é exagero dizer que Saga é a melhor obra de ficção científica desde O Guia do Mochileiro das Galáxias, de 1979. A série em quadrinhos de 2012 quando chegou nos Estados Unidos trouxe consigo uma reviravolta na indústria. É até difícil saber por onde começar a falar deste volume um, que em 2014 chega ao Brasil.

A qualidade do encadernado é impecável, faz o preço um pouco alto valer a pena do primeiro ao último momento. Em lado de comparação, é tão bom ou melhor do que o hardcover estadunidense. A edição é a mesma que ocorreu lá nos EUA em 2012: os seis primeiros capítulos da série, que atualmente está com 24.

A história de Saga pode ser definida como uma "Space Opera com elementos de Senhor dos Aneis e Guerra dos Tronos". Mas não se engane achando que é um bocado de ideias emprestadas de outras obras. Saga pode até mesmo ser definido assim, mas é algo tão único que se coloca em pé de igualdade com tudo mencionado anteriormente. 

A história é de um romance paradoxal entre dois personagens de raças opostas, que estão em uma guerra maldita que já infectou a galáxia. Porém, o amor impossível teve seu resultado: Hazel, a filha deles. Claro, uma filha inter-racial era considerada natimorta, mas a garota nasceu. Isso, com certeza, não é legal para o governo; que inicia uma caçada a Marko e Alana - os pais - para tentar executar a filha impossível e os desertores. A história toda, entanto, segue uma narrativa consistente e inesperada do ponto de vista de Hazel, isso mesmo, da recém nascida. 

Brian K. Vaughen é conhecido por ser um roteirista e tanto. Para quem já leu Y sabe: ele consegue criar algo criativo e diferente e manter uma história incrível até o seu fim. Fiona Staples também demonstra um trabalho fenomenal. É uma das artes mais bonitas e ousadas que eu já vi nos quadrinhos em um bom tempo. Logo na capa conseguimos perceber isso: não teve medo algum de colocar uma mulher armada amamentando junto com um homem-cabra (ou tiefeling) espadachim. E diferente de muita coisa hoje em dia, o conteúdo de dentro do quadrinho é tão bonito quanto o da capa: traços com contornos finos e cores fortes; com um contraste que te permite ver tudo o que a cena tem pra te proporcionar.

Óbvio que com uma sinopse e um elogio a arte não é possível explanar a genialidade da série. A jornada de Alana e Marko pelo universo trás tanto conteúdo social que é assustador. Conceitos de família, relacionamentos, amor, racismo e guerra são trazidos a tona e discutidos com um olhar crítico e satírico enquanto os heróis tentam atravessar o universo simplesmente para cuidar de uma garota impossível. Mas a história não se passa apenas deste lado. Conseguimos, também, ver o ponto
de vista e a motivação dos "Perseguidores"; os "vilões" da série. Nem todos têm uma grande conexão entre si, mas as histórias deles vão, aos poucos, se entrelaçando. Temos o Príncipe Robo IV, O Querer e sua gata da Mentira e outros que ainda estão para aparecer.

Não pense que, por estarem perseguindo Alana e Marko, eles são necessariamente vilões. Claro, uns são, outros só foram contratados para matar alguém - são bounty hunters. Essa ausência de uma real  vilania deixa esses seis primeiros capítulos de Saga um grande mistério emocionante e inesperado.

Espere o inesperado e leia o estranho; veja gente morrendo e heróis se tornando vilões e vilões se tornando heróis. Isso é Saga, esse é o magnun opus de Brian K. Vaughen e da própria Image Comics. Saga é, definitivamente, o primeiro grande quadrinho do século. É o "Watchmen" e o "Sandman" do século 21, e não podíamos estar mais contentes por algo assim finalmente estar entre nós.


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