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Invasão: Nem tudo são flores com a Marvel no cinema


Semana passada a Marvel Studios anunciou sua programação para os cinemas para até 2019 com 9 filmes (mais os dois do ano que vem), uma semana após o incrível lançamento do trailer de Vingadores 2: A Era de Ultron! Os marvecos estouraram champanhe enquanto os dcnecos choraram as pitangas. Mas existe um outro lado dessa história que parecem que ambos os lados estão ignorando, que é a influência (negativa?) desses filmes nas HQs.

O uniforme velho e o uniforme novo do Gavião Arqueiro
Para começar, os filmes alteraram o uniforme de alguns personagens nas HQs. Acredito que o exemplo mais claro seja o do Gavião Arqueiro, em que dá para ver claramente a influência do filme na nova fantasia. Está me achando chato? Mimizento? Calma que eu estou só começando.

Arranjaram um Nick Fury negro para a cronologia principal da Marvel em um arco bastante forçado e jogaram o Nick Fury branco original para escanteio. Clara influência dos filmes.

Agora o negócio começa a ficar quente: recentemente Chris Claremont, roteirista clássico dos X-Men e que atualmente escreve a revista do Noturno, afirmou que a direção da Marvel proibiu a criação de qualquer novo personagem mutante no título dos X-Men. O motivo? Qualquer novo mutante introduzido no universo Marvel é automaticamente um personagem a mais para a Fox explorar em seus filmes. Pouco antes Jim Starling, a grande mente por trás de Thanos, teve um desentendimento recente com a Marvel devido às restrições impostas a ele em relação ao uso do personagem Adam Warlock para que não houvesse divergências em relação ao que seria feito nos cinemas com o personagem, o que gerou até uma postagem de Stalin em que ele dizia:

“…after I brought Adam Warlock back from the dead in the Infinity Revelation, someone at Marvel anonymously put a corporation-wide-no-use restriction on the character, effectively putting the brakes on the on-going plans I had for him and the Titan.

“… depois de eu trazer Adam Warlock de volta dos mortos em Infinity Revelation (ainda não publicada no Brasil), alguém na Marvel colocou uma restrição geral proibindo o uso do personagem, apertando os freios nos planos correntes que eu tinha para ele e o Titã (Thanos).”

Além disso, nessa crescente competição nos cinemas, a Marvel tomou mais duas medidas drásticas: matou o Wolverine e cancelou a revista mensal do Quarteto Fantástico. Tudo isso porque os direitos de produção de filmes dos X-Men e do Quarteto Fantástico estão com a 20th Century Fox e a cada filme desses grupos que é lançado significa $$$ que a Marvel perde e por isso ela está fazendo tudo o que pode para minar os lançamentos desses filmes. Afinal, uma HQ desses títulos nada mais é do que propaganda dos filmes da concorrência.

Uai, mas não estaria a Marvel perdendo o dinheiro que ganharia com as HQs desses títulos? O dinheiro arrecadado com revistas em quadrinhos é irrisório se comparado à grana que rola nos cinemas.

Por último, se você acompanhar os lançamentos da Marvel nos Estados Unidos você verá a recente importância que os Inumanos ganharam e a razão disso é que os Inumanos são uma raça de seres meio humanos com poderes especiais, uma descrição bem similar a dos mutantes. Assim, já que a Marvel não pode fazer filmes dos X-Men, ela está substituindo sua importância no contexto geral pelos Inumanos. Eles estão até mudando nome do grupo para Nuhumans (que soa como New Humans ou Novos Humanos), porque Inumanos remete a uma idéia negativa.

Os Inumanos
Talvez você ache que tudo isso que falei fatos sem importância, mas a questão é que, com a Marvel despontando no cinema (mercado que dá muito mais dinheiro do que o de revistas), suas histórias em quadrinhos estão sendo feitas cada vez mais em função de seus filmes e isso poda a criação de seus artistas. Cada vez mais se sente que não é mais uma questão artística, mas sim de mercado, que pode minar o espaço para ideias novas ou ousadas e substituí-las por intervenção editorial. Afinal o que é ousado não agrada todo mundo e não vende.

Então, Marveco. Então, DCneco. Pergunte-se se o preço a ser pago pelo sucesso da Marvel nos cinemas vale realmente à pena. Eu mesmo não sei, só o tempo dirá. A única coisa que posso afirmar com certeza é que eu não sou fã de cinema, sou fã de histórias em quadrinhos.

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