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Invasão - X-Force


Já faz tempo que não falo dos títulos X da Marvel, mas finalmente o dia chegou. Os títulos mutantes são inúmeros e da onde eu parei você pode pegar diversos títulos de acordo com os eventos ou personagens que mais lhe interessarem: como Vampira, que deixa o grupo e vai resolver o grande drama da sua vida, ser privada de contato físico; o resgate de Layla Miller, que foi para o futuro; as missões do grupo principal dos X-Men ou dos novos recrutas. E por aí vai. Mas, dentre todos estes, o título X-Force é a leitura obrigatória, não só ele é o caminho mais curto para compreender a trilha que o circulo mutante toma, como também as histórias são incrivelmente desenhadas e escritas. Além do monte de sangue e violência que rola.

Relembrando: no fim da saga Dinastia M a Feiticeira Escarlate, filha de Magneto, no seu momento mais conturbado profere as palavras “chega de mutantes” e destitui o poder de 99% de toda raça mutante, sobrando assim menos de duzentos mutantes no planeta.

Nenhum novo mutante nascia desde então. Até que finalmente, a máquina Cérebro captou o sinal de um nascimento mutante na saga Complexo de Messias. Durante a saga, muitos velhos inimigos antigos dos X-Men ressurgem com algum interesse na criança (nem que seja para matá-la), o que leva Ciclope a reunir os mais letais dentre os mutantes para formar a X-Force, uma equipe proativa para eliminar os inimigos da raça. Ao final da saga, Cable convence Ciclope que o tempo em que vivem é muito perigoso para que a criança cresça e a leva para o futuro.

No entanto, no presente o campo deve ser limpo para que Cable possa trazer a criança de volta. A equipe de limpeza é a X-Force e seu líder é Wolverine, um cara que é melhor no que faz (mesmo que o que ele faça não seja nada legal).

A própria formação do grupo já é um evento dramático: acostumados com uma conduta moral rígida, muitos membros do grupo sofrem um choque com a natureza de suas missões, que envolve caçar, torturar e eliminar alvos.

O primeiro a ser abalado com esse choque de realidade é Pássaro Trovejante, um índio americano dotado de super força. Não apenas ele ainda sente a morte do irmão (há MUITO tempo atrás, o Pássaro Trovejante original) e, claro, as mortes de amigos recentemente (visto na saga Complexo de Messias), como também se sente perturbado com o que ele mesmo se mostrou capaz de fazer e a trilha de sangue que deixa para trás a cada dia junto a X-Force.

Rahne Sinclair, ou Lupina, uma jovem com o poder de transformar-se em lobo, também percebe rapidamente o peso de suas ações e da própria natureza das missões em que o grupo se envolve, afinal, seus primeiros inimigos são os Purificadores, um grupo de extremistas religiosos que se dedicam exclusivamente a eliminar mutantes através de qualquer meio necessário (como visto anteriormente). Infelizmente, seu objetivo ao procurar Ciclope para entrar na X-Force é justamente entrar em contato com este grupo, seu pai é membro dos Purificadores e a considera uma criação do diabo, mas mesmo assim, Rahne ainda acredita que há esperança para ele e busca salvá-lo de si mesmo e ter sua aprovação.

Um caso muito diferente é Laura, a X-23, que ainda uma garota, foi criada em laboratório com os mesmos dons de Wolverine, garras de adamantium inclusas (você deve conhecê-la da séria animada para televisão X-Men Evolution, onde ela apareceu pela primeira vez). Ela foi criada para ser uma arma, o que ela faz é seguir ordens, cumprir a missão, não existem barreiras morais em sua mente. Ainda nos primeiros volumes do título ela olha para Wolverine e se pergunta como ele, que foi criado para ser uma arma como ela e é o X-Men de mais sangue frio, pode ser tão emotivo. Esta é uma personagem que vale a pena acompanhar a evolução.

Posteriormente, Arcanjo é arrastado para dentro do grupo. Warren Worhinton III, um X-Men original, era conhecido como Anjo devido a suas asas brancas. Isso até que Apocalipse o escolhesse como seu cavaleiro da morte lhe dando novas asas metálicas, que não só o deixou mais poderoso, como também criou dentro dele uma sede de sangue baseada na ideologia de Apocalipse de que apenas os que se provarem dignos e fortes o suficiente merecem viver. Assim, Warren sofre com uma personalidade dividida, ora pacífica, ora selvagem.


Se as histórias dos demais são no mínimo tristes, quem acaba mesmo comovendo o leitor é Wolverine. Não me entenda mal, o velho carcaju não é um mimizento e estraçalha quem for preciso. Porém, do grupo inicial, ele é o único que conhecia as conseqüências e o peso que ações tão violentas trazem e seus sentimentos não poderiam ser piores ao ver seus amigos entrarem para a mesma vida. Isto se verifica em especial com X-23, Wolverine a trouxe para se juntar aos X-Men por acreditar que a escola do professor Xavier pudesse ser um bom local para ela aproveitar seus últimos anos de juventude como a criança que ela ainda é e ao vê-la envolvida nas ações da X-Force ele sente que falhou com ela.

Ciclope é outro personagem que desperta curiosidade na trama, ele não faz parte do grupo, ele é o chefe, é quem escolhe as missões e decide os alvos. O leitor se pega imaginando do que mais ele será capaz, qual será sua próxima ação. Antes considerado praticamente um filho por Xavier e com limites morais bem claros, ele evolui para ~não ser o líder que os X-Men merecem, mas o líder que os X-Men precisam~. O que está totalmente de acordo com a situação mutante atual.

No início do primeiro arco acompanhamos o ressurgimento de um velho inimigo, Bastion, ele é uma máquina completamente comprometida com o objetivo de eliminar a qualquer custo os mutantes do planeta. Trazido a vida novamente pelos purificadores, Bastion tem um plano muito claro: ele se apodera de uma versão modificado do vírus tecnorgânico (o mesmo envolvido na saga Aniquilação: a Conquista) e o usa para reanimar e velhos líderes anti-mutantes, como Bolivar Trask (criador dos sentinelas), reverendo Stryker (fundador dos Purificadores) e Graydon Creed (fundador dos Amigos da Humanidade) e controlá-los como peões num jogo de xadrez. Assim, tem início uma complexa campanha publicitária, política e militar para eliminar os poucos mutantes que restaram na Terra meticulosamente controlada por Bastion.

Não demora a X-Force tome conhecimento quem são seus inimigos, no entanto, existem outros a espreita ameaçando os objetivos dos X-Men, mas seus objetivos não são tão claros.

Como se não fosse o bastante, Lucas Bishop continua a perseguir Cable e a criança considerada a messias mutante através do continuum temporal e Ciclope interrompe a missão da X-Force de resgatar quatro dos novos recrutas da escola mutante (deixando estes claramente desamparados) para irem ao futuro lutar ao lado de Cable. Tem início a Guerra Messiânica.

Para terminar, quero reafirmar que o clima deste título (e de outros títulos dos X-Men) é bem diferente do restante do universo Marvel. Apesar dos dilemas morais dos personagens, isso não limita de modo nenhum suas ações, ao contrário de muitos outros heróis. É uma verdadeira obra prima escrita por Craig Kyle e Christopher Yost (também conhecido como a dupla KY) e desenhada por Clayton Crain e Mike Choi, que transmitem perfeitamente o clima sombrio e violento de cada arco.

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