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Gotham S1E01 "Pilot"

Uma homenagem lotada de licenças poéticas. Finalmente, o dia da estreia de Gotham chegou. Junto a Arrow, Flash e Constantine; Gotham é a aposta sóbria e policial de uma adaptação que, para muitos, chegou de surpresa. Confira nossa review aqui, mas cuidado: spoilers! Leia por sua conta e risco.

Antes da tempestade, sempre existiu Gotham. Um episódio piloto, como sempre, é um emaranhado de erros e acertos. Gotham não escapa disso. Felizmente, as partes boas são melhores que as ruins.

Não tem como negar que, desde o início, o fantasma da péssima atuação assombra o episódio. A cena do assassinato da família Wayne é robótica e sem sentimento, com uma terrível atuação do assaltante, de Martha e Thomas Wayne. Entretanto, existe esperança: o garoto Bruce é simplesmente fenomenal. Desde seu vívido grito até suas últimas cenas em tela, o futuro vigilante é muito bem interpretado: conseguimos ver a frieza e a tristeza dentro de uma solitária criança.

Jim Gordon - o protagonista da série - infelizmente não impressiona. Claro, é um primeiro encontro com o seriado (admito que não via o ator desde suas épocas em The O.C), mas não espere incríveis
atuações por sua parte, pelo menos não agora. Com um porém, Donal Logue se destaca no papel do parceiro de Gordon, Harvey Bullock, o policial corrupto que está, provavelmente, a caminho da luz.

Fiquei impressionado com a inesperada ambientação do seriado. Depois do sucesso da trilogia O Cavaleiro das Trevas; pensei que o tom sóbrio ia prevalecer em outra adaptação do universo do morcego. Estava errado. Com uma pegada noir e paletas sépias por todo lado, o seriado acerta em cheio em apresentar uma sensação real de como algo relacionado ao universo Batman deve realmente ser. Na minha sincera opinião, os filmes de Tim Burton e a série Arkham dos videogames acertaram em ambientação também. "Gotham" não está fora disso. A cidade está fiel e maravilhosa, a cada detalhe, de sua poluição até o seu céu amarelado, com uma trama noturna. Não tem como não perceber que isso - e a trilha sonora misteriosa - completam a sensação de que pelo menos o diretor ou produtor são fãs do homem-morcego.

Infelizmente, a trama não segue a boa ambientação. Com perseguições robóticas e artificiais, não tem como levar a sério o episódio inteiro. Claro, como disse antes, é um seriado no seu episódio piloto, comercialmente mirado para agradar todo e qualquer público. Com certeza, uma trama melhor e mais bem trabalhada virá ao decorrer da temporada.

Existe, também, um oceano de easter eggs. Nygma, Cobblepot, Falcone, Ivy, Selina Kyle e a relação de Harvey e Jim são os pontos altos: tudo parece ter sido meticulosamente encaixado para
que, nos vindouros episódios, a trama ajude a criar uma sensação de imersão na soturna cidade violenta.

A má atuação de Jim e Barbara - essa última, principalmente na terrível cena do diálogo com a Renee -  estragam sim um pouco da experiência do seriado, mas a inesperada surpresa ficou por Cobblepot - o Pinguim. Com olhos escuros e nariz vermelho, o ator mostra a vivência frenética do futuro rei da máfia. A cena tensa entre ele e sua senhora, Mooney, rouba o brilho do episódio: não tem como não ficar mordendo os lábios.

Com certeza, a relação entre Jim e Harvey será interessante. Só não foi nesse episódio. As coisas devem mudar.

O episódio termina na mansão mais famosa dos quadrinhos, conseguimos ver de perto a relação entre Bruce e Alfred, e desde então fica clara a referência entre eles. Algo grande virá a existir.

Antes do Batman, da Hera Venenosa, do Pinguim, do Charada, da Mulher Gato; sempre existiu Gotham. Com essa premissa, o seriado com certeza vai para frente. Verdade, não foi o melhor dos pilotos, mas com certeza as coisas vão melhorar.



Nota 7. "Uma homenagem cheia de licenças poéticas"
Aonde o episódio acertou: menino Bruce, ambientação, Cobblepot.
Aonde o episódio errou: trama inicial fraca, atuação robótica e perseguições artificiais.

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