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Invasão: A evolução da Marvel no cinema


Esta semana no Crise Conversa tivemos um assunto polêmico: Estaria a Marvel deixando seus próximos grandes filmes mais sérios e sombrios para tentar conquistar o público da DC nos cinemas? A partir da discussão comecei a pensar na evolução dos filmes Marvel e o porquê de ela ter tomado o rumo que vai ficando mais claro a cada lançamento.

Primeiramente, afirmar que a Marvel está deixando seus filmes mais sérios para fazer frente a DC é muito arriscado. Na realidade, o degenerado filme do Lanterna Verde que seguiu a Marvel no tom cômico, não necessariamente por a DC querer copiar a Marvel, mas talvez por ter acreditado na fórmula e que seria apenas usá-la que o filme faria sucesso – o que se provou um ledo engano.

Na Marvel, os filmes cômicos tinham um papel muito claro: o de apresentar seus velhos personagens ao grande público (que em

geral nunca pegou um quadrinho na mão). Como todos estes personagens tinham perfis muito diferentes (na primeira fase: um soldado, um playboy e um deus) e até inverossímeis, dado que eles atuam no nosso mundo de pessoas normais e não num mundo de fantasia, para que o público compreendesse os personagens, reconhecesse suas particularidades, simpatizasse com eles e acreditasse no que estava vendo foram necessárias cenas marcantes. A introdução do humor foi a solução encontrada, porque  um cena engraçada é lembrada mesmo sem utilizar efeitos caros – fato importante se lembrarmos do baixo orçamento dos primeiros filmes.

Um exemplo disso é Thor que, ao ser introduzido no nosso mundo e convivendo com pessoas normais, comete diversas gafes em cenas cômicas que explicitam traços de sua personalidade. Além disso, no primeiro filme de cada título a aparição do personagem principal em si já era o suficiente para atrair o público, não era necessária uma grande trama, como em Homem de Ferro, onde o humor foi utilizado no seu desenvolvimento inicial, como nas cenas em que a armadura é construída. Para o público ver o personagem já era o suficiente.

Então tivermos os Guardiões da Galáxia: podemos notar que nenhum dos personagens é um pateta que está lá apenas para fazer piada, nós conseguimos acreditar na personalidade de cada um. Assim, o humor vem do fato de todos serem muito diferentes e terem que interagir. Essa interação que gera cenas cômicas e que descreve os traços marcantes da dinâmica do grupo.

(Essa é a tecla que sempre bato nas minhas colunas, o grande valor das história da Marvel está no desenvolvimento dos personagens e a dinâmica de suas interações)

Já no segundo filme de cada herói, sua presença na tela já não era o suficiente para conquistar o público, foi necessário introduzir uma trama mais complexa que causasse uma mudança nos personagens.
Não é como se a Marvel Studios soubesse disso desde o início, ela aprendeu isso com a experiência adquirida a partir de cada filme. A trilogia do Homem de Ferro ilustra bem isso por ser pioneira: no primeiro filme temos foco no humor; no segundo, tentaram seguir a mesma fórmula do primeiro e recebeu muitas críticas por isso; e o terceiro,onde temos a primeira trama mais séria, onde temos um Tony mais inquieto e um inimigo já mais complexo, com uma motivação e um motivo de ser. Eu particularmente achei a história desse filme muito boa, o que o estragou foram as cenas de ação decepcionantes, erro que não cometeram já em Capitão América 2.

Até ver o trailer de Vingadores 2 essa semana, acreditava que 2015 seria um ano ruim para a Marvel justamente por apresentar mais do mesmo: um filme com vários heróis lutando contra minions e um filme galhofa de origem de herói (Homem Frumiga). Mas eu estava enganado, Vingadores 2 já está apostando numa trama que prenda o público, porque ver os heróis juntos já não será o suficiente.


Para concluir, não, a Marvel não está tomando este rumo visando o público da DC – ainda mais se levarmos em conta que o público fã de HQs é ínfimo comparado à grande massa que vai aos cinemas. O que vemos hoje é uma evolução muito bem conduzida pela equipe da Marvel Studios, composta por profissionais muito competentes e verdadeiros fãs do universo. E arrisco dizer que, como essa mudança ocorreu nos seis anos decorrentes desde o lançamento do primeiro filme e já temos mais seis anos de filmes confirmados, ainda veremos mais mudanças drásticas na estrutura e tonalidade dos filmes Marvel.


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