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Invasão - Os Vingadores no pós Guerra Civil


Steve Rogers se rendeu, a aliança que lutava contra a lei de registro super humano não possui mais um líder e se desorganizou. A Guerra Civil se encerrou. Entretanto, a comunidade heroica segue dividida entre aqueles que aceitaram se registrar e aqueles que seguem na ilegalidade. Nesse contexto, duas equipes lutam pelo direito de utilizar o título de Vingadores: o grupo liderado por Tony Stark e seus heróis registrados; e o grupo de heróis rebeldes liderados por Luke Cage.

Vingadores

A revista Poderosos Vingadores inicia com uma coisa que Bendis (o roteirista) gosta bastante: como foi a escolha de cada membro.

O Homem de Ferro e Ms. Marvel se reúnem para escolher a dedo que heróis deverão compor o novo time de Vingadores, formando uma equipe equilibrada, com habilidades variadas e preparado para todo tipo de situação. Eles querem montar o time perfeito e não deixar para o acaso, como praticamente ocorreu em todas as vezes (como no arco Motim). Além disso, Tony Stark dá a Miss Marvel o cargo de líder do grupo, porém suas próprias decisões vivem passando por cima das dela, o que é natural, já que ele tem uma personalidade bem dominadora.

A narrativa do primeiro volume ocorre de forma que acompanhemos o diálogo entre os dois, cada uma das escolhas, e ao mesmo tempo vejam os as conseqüências dessas escolhas, mostrando um período no futuro com o grupo em ação reunido pela primeira vez, e mostrando a dinâmica desse novo grupo (que funciona bem até).

Vale a pena ressaltar a escolha do Sentinela para compor o time. Tony Stark praticamente impõe essa escolha a Carol Danvers (Miss Marvel) afirmando que ele é um cara com poderoso pra caraleo, mas que ainda não é um herói completo, mas que um dia será e que, quando esse dia chegar, ele irá querer estar lá. Na real, ele sabe que o cara é uma bomba relógio, ele é literalmente o Superman (tem até um S no uniforme), mas inseguro com tanto poder. Siga meu raciocínio: “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidade”, o poder do cara é infinito, assim como a responsabilidade. Conclusão, o cara pira.

Além disso, as histórias mostram outras coisas interessantes, como as coisas que os heróis pensam, mas não falam (que é legal, mas às vezes quebra o ritmo da narrativa) e como eles se sentem em ter como uma de suas prioridades caçar seus ex-colegas de equipe.

O que considero um defeito desse título é termos um Homem de Ferro meio cuzão de quando em vez, o que mostra que Brian Bendis não sacou a sutileza não maniqueísta da saga Guerra Civil.

Recrutamento de Ares, o deus da guerra para os Vingadores
Novos Vingadores

O título Novos Vingadores mostra as histórias daqueles que mantiveram sua ideologia, não se curvaram perante a lei de registro e que em geral têm um perfil mais urbano: Dr. Estranho, Luke Cage, Punho de Ferro, Wolverine e Homem Aranha.

(Para aqueles que não conhecem os três primeiros, o Dr. Estranho ganhará um filme em breve, Punho de Ferro e Luke Cage ganharão uma série na Netflix).


Os dois primeiros arcos desse título valem muito à pena. O primeiro deles se passa em diferentes tempos: um anterior, em que esses Vingadores rebeldes se encontram com os Vingadores de Tony Stark numa armadilha que os fizeram acreditar ser possível resgatar o Capitão América da cadeia; e um posterior, que mostra o resgate de Eco, uma espiã enviada pelo Capitão América e o Homem de Ferro ao Japão para ficar de olho no submundo do crime desse país antes de eclodir a Guerra Civil.

Como o nível de poder dos Novos Vingadores está seriamente desfalcado, um confronto com Tony Stark se faz impossível e eles fogem para o Sanctum Sanctorum, lar do Dr. Estranho, que conjura um feitiço para que ninguém possa vê-los enquanto estiverem lá.

Depois, no Japão, Eco é capturada por um grupo criminoso de ninjas liderados por Elektra (a namorada do Demolidor no filme com Bem Aflek, lembra? Eu também gostaria de esquecer) e Luke Cage reúne o grupo para resgatá-la. No fim, durante o confronto entre os dois grupos, Eco mata Elektra e seu corpo inerte se transforma, revelando que ela era na realidade um skrull, uma raça alienígena transmorfa. Ao que parece eles planejam uma invasão a Terra e qualquer um pode estar mentindo sobre sua real identidade.

O ponto alto deste título é os dilemas pelos quais os heróis passam. Luke Cage está na ilegalidade, mas tem que tomar conta de sua mulher e filha, que sempre são colocadas no fogo cruzado. Enquanto o Homem Aranha começa a questionar se sua posição de fora da lei vai realmente de acordo com o que julga correto, afinal, como ele mesmo pontua, o Rei do Crime e Norman Osborn também não se enxergam como vilões. Além disso, ninguém mais sabe em quem confiar, qualquer um pode ser um skrull e a paranoia está instalada.

Como se não fosse o bastante, um novo vilão, chamado Capuz, surge para tentar se tornar o “Rei do Super Crime”, reunindo todos os vilões super poderosos (de segunda) que já cansaram de apanhar dos heróis e finalmente têm uma chance de conseguir alguma coisa.

Infelizmente, após estes dois arcos (Revolução e Confiança), o roteirista B. M. Bendis perde muito a mão e torna as histórias repetitivas e com diálogos cansativos que no final não adicionam nada a trama, o bom e velho papo furado. Além disso, Bendis também descaracteriza alguns vilões que fazem parte da gangue do Capuz, ele os coloca como tudo farinha do mesmo saco, todos só querem saber de dinheiro, e leitores mais experientes sabem que não é bem assim.

Vingadores: Iniciativa

Agora, se eu tivesse que dar apenas uma sugestão de leitura após a Guerra Civil, com certeza indicaria a Vingadores: Iniciativa. A chamada Iniciativa dos 50 Estados foi uma ideia de Hank Pym (ex-Homem Formiga, atualmente Jaqueta Amarela) para recrutar, treinar e alocar super humanos em equipes de “Vingadores” em todos os estados dos EUA.


As histórias dessa HQ se passam na maior parte do tempo no Campo Hammond, em Standford (cidade em que ocorreu o incidente com os Novos Guerreiros), onde os recrutas (aka, todo tipo de pé-rapado) são treinados e a ideia não é mostrar esses novos e desconhecidos personagens saindo no pau contra criminosos, mas sim focar em tudo de errado e toda a sujeira que rola quando políticos são responsáveis por administrar super heróis. Representando o dedo do governo, temos primeiramente Henry Peter Gyrich – tipo uma Amanda Waller da Marvel – e Senador Woodman, que logo nas primeiras edições descobrimos que é um infiltrado da Hidra.

Na primeira edição somos apresentados a alguns dos personagens mais importantes da série. Primeiro, a equipe administrativa: Justiça, que já foi líder dos Novos Guerreiros e decidiu se registrar por remorso pelo que seus colegas fizeram; Barão Von Blitzschlag, um cientista nazista; Máquina de Combate (aquele amigo do Homem de Ferro); Manopla, um militar com uma prótese alienígena escolhido para treinar os recrutas. Segundo, os recrutas: Casca Grossa, por quem a Hidra tem um grande interesse; Komodo, uma garota que roubou a fórmula do Lagarto (inimigo do Homem Aranha); Homem Formiga, um cara qualquer para quem deram o uniforme e poderes que pertenciam a Hank Pym; Rage,que foi um Vingador até descobrirem que, apesar da aparência, ele tinha apenas catorze anos; Euforia; MVP, considerado um ser humano perfeito e que logo se mostra o membro mais promissor da Iniciativa; e mais um monte de gente menas importante.

Ainda na primeira edição Manopla verifica as capacidades de Arsenal – uma garota que acidentalmente encontrou uma arma alienígena, o Tactigon, que se adapta às necessidades do portador – e Trauma – que se transforma naquilo em que aqueles próximos a ele têm medo. Assim que os dois entram na sala de treinamento para lutar contra robôs, Trauma se transforma no que Arsenal tem medo para lutar, porém, ao vislumbrar seu maior medo, Arsenal perde o controle do Tactigon e acerta um tiro na cabeça de MVP que estava assistindo ao treinamento.

Casca Grossa, Euforia, Trauma, Manopla, Komodo, Barão Von Blitzschlag e Arsenal logo após a morte de MVP
Aí começa a sujeira grossa. É feito um esforço para que encobrir o incidente da morte de MVP. Aos recrutas não é permitido mencionar o assunto e, como se não bastasse, o cientista nazista é incumbido de clonar o recruta morto, primeiramente para retorná-lo ao seu pai e segundo porque a ideia de ter vários daquele que foi o melhor recruta até então por algum motivo pareceu promissora.

Mas a coisa piora!!!

Peter Gyrich tem a brilhante ideia de passar o Tactigon a um dos clones de MVP,a melhor arma ao melhor recruta. Porém, ao entrarem em contato, a arma passa as informações a respeito da morte de MVP a seu clone que surta instantaneamente. Ele não é ele, ele não está vivo, ele está “morto em ação” (killed in action, KIA). O clone, agora super armado, chama a si mesmo de KIA e irá matar todos aqueles que estiveram envolvidos com a sua morte. É uma história sangrenta, tensa e sombria em que arte de Stefano Caselli se encaixa perfeitamente.

Esse título tem duas qualidades que o torna o meu preferido do período pós guerra. Como já mencionei, o fato de mostrar tudo o que há de errado em um grupo de heróis controlados pelo governo e o desenvolvimento dos personagens, que eram páginas em branco para os roteiristas fizessem o que bem entendessem (e o resultado ficou muito bom) .

A interferência governamental não se mostra apenas nas ações antiéticas dos personagens, como a clonagem do membro morto e o acobertamento do acidente, como também na preocupação constante com a imagem da Iniciativa perante instâncias superiores (como a SHIELD, os Vingadores e a Casa Branca) e com a opinião pública. Isso se mostra quando Peter Gyrich prefere expor os jovens e inexperientes recrutas a morte certa a contatar os Vingadores para que lidem com KIA.

Para terminar, preciso destacar os personagens Treinador e Homem Formiga desse grupo. Se os demais personagens são bons, esses são ainda melhores. É muito interessante ver que eles não são heróis (o Treinador já foi um vilão), não estão ali por ideologia e irão ficar na encolha se a situação ficar feia, nada de risco desnecessário para eles. Eles estão lá tentando ganhar a vida de uma maneira sossegada, não são maus, mas estão cagando para serem heróis.

No começo eles não têm tanta importância, mas ambos adquirem seu momento de brilhar com o tempo. Eles introduzem dinâmica e alívio cômico a trama, além do fato de que em qualquer organização do mundo se encontra gente assim.

O Treinador e o Homi Frumiga
(Não sabe inglês? É uma boa hora para começar a aprender. Digita tudo no guugli, pô)

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