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Invasão - As sagas Marvel no pós Guerra Civil


O período pós Guerra Civil teve ainda outros arcos importantes que refletiam o novo status quo e que prepararam o terreno para a próxima grande saga. Alguns desses arcos são interessantes não somente por estas razões, mas também porque elas ajudam a apresentar e explicar alguns personagens chave do Universo Marvel.

Novos Vingadores: Illuminati

Este título não pode ser chamado nem de saga, nem de arco, na realidade são cinco histórias separadas que mostram a dinâmica de um grupo secreto de super humanos que definem o futuro da comunidade superheróica, ou mesmo o futuro da humanidade.

Os membros iniciais são: o Homem de Ferro, também idealizador do grupo; Doutor Estranho, mago supremo da nossa dimensão; Reed Richards, do Quarteto Fantástico; Charles Xavier, dos X-Men; Namor, o príncipe submarino de Atlântida; e Raio Negro, rei dos Inumanos (raça de humanos residentes da Lua geneticamente modificados pela raça alienígena Kree). Todos são reis, representantes de um povo, defensores de um plano (como o místico) ou, no mínimo, se julgam os mais apropriados para tomarem determinadas decisões. Além disso, todos já mostraram antes que compreendem que algumas vezes é preciso sujar as mãos para garantir um benefício estratégico, o que também explica a necessidade de manter a existência do grupo em sigilo absoluto.

(Pantera Negra, rei de Wakanda, no centro da África, também foi chamado a participar do grupo, mas temendo as conseqüências das ações do grupo, se recusou logo de início).

O grupo foi unido pela primeira vez logo após a chamada Kree-Skrull, que teve a Terra como campo de batalha e, assim, o primeiro volume deste título mostra os seis indo até uma nave mãe skrull para retaliá-los pelos estragos causados pela guerra e também para avisá-los para que nunca mais retornem. Um dos pontos altos dessa história é poder ver Raio Negro usando seu real poder, o que ele faz raramente dada a devastação que ela causa.

No segundo volume, o grupo é convocado por Reed Richards, que está atrás das Jóias do Infinito (que temos visto aos poucos nos filmes da Marvel) e precisa da ajuda dos demais Illuminati para completar sua busca. Richards lembra que toda a vez que alguém se apossa das joias, como Thanos já fez, a Terra sofreu grandiosamente e, por isso, reuni-las e garantir que ninguém se aposse delas é urgente.

Reed já detém três das jóias, a do poder, a da alma e a do espaço, e com ajuda delas mostra a seus companheiros onde as demais estão. A jóia da mente está no que pode se chamar de inconsciente coletivo dos seres vivos do universo e Dr. Estranho, Namor e Xavier utilizam a máquina Cérebro para atingir este local que nada mais é que um conceito. Para se apossarem da jóia da realidade, que se encontra no limiar da própria existência, Reed e Tony canalizam o poder de Raio Negro para que romper as paredes da nossa dimensão. E com as cinco joias reunidas, será possível alcançar a jóia do tempo, que se encontra a vagar pelo continuum temporal.

A terceira história mostra os cinco lidando com uma antiga ameaça, o Beyonder (algo como “cara do além”), que foi responsável pela saga Guerras Secretas (não confundir com Guerra Secreta) a primeira grande saga das HQs de super heróis. Enquanto a quarta história, eles se reúnem para dar um jeito em Noh Varr, também chamado Marvel Boy, um jovem Kree que veio a Terra com a promessa de destruí-la. A melhor parte desta história e a discussão com que ela é iniciada em que cada um dos membros do Illuminati discorre sobre a(s) mulher(es) de suas vidas e suas dificuldades de relacionamento. Isso mostra o lado humano dos personagens, um dos pontos fortes da Marvel, e faz com que o leitor se interesse não só pelo Homem de Ferro, Sr. Fantástico ou o Hulk, mas também por Tony Stark, Reed Richards e Bruce Banner.

A quinta e última história mostra uma reunião do grupo após a Guerra Civil e o relacionamento entre eles já não é mais o mesmo dado seus conflitos recentes. Mesmo assim, Tony acredita que mais uma reunião do grupo é necessária para mostrar-lhes o cadáver de Elektra, que na realidade é um skrull, e alertá-los da possível invasão alienígena.

Hulk Contra o Mundo


Os Illuminati decidiram que o Hulk é perigoso demais para permanecer na Terra e a solução que encontraram para esta questão foi jogar a criatura, com seu alter ego (Bruce Banner), no espaço o que dá origem a famosa saga Planeta Hulk (sobre a qual não estou planejando falar tão cedo).

Quando Hulk consegue voltar a Terra, ele está possuído por uma raiva sem precedentes e por isso nunca esteve tão poderoso. Ele deseja se vingar dos Illuminati pelo que lhe fizeram e mostrar ao mundo quem são na realidade estes supostos heróis.

Os pontos fortes dessa saga são: primeiro, ela é auto explicativa, tudo que você precisa entender sobre o Hulk ou sobre os demais personagens envolvidos é detalhado no decorrer da trama; segundo, todos nós queremos ver os heróis dando tudo de si numa luta, usando seu poder até aquele limite máximo que perdoa o pleonasmo – é uma porradaria louca nas mãos do grande John Romita Jr.; e essa saga, apesar de ter um final “feliz” ela ressalta o lado antiético dos Illuminati e dos heróis que muitas vezes os roteiros preferem não mostrar, no final, todos acabam com um gosto amargo na boca.

A participação do Sentinela nessa saga também é importante porque dá continuidade ao desenvolvimento deste personagem e mostra novamente que ele é seu próprio pior inimigo. O Sentinela é como a bomba nuclear dos Vingadores, é aquele recurso que define a guerra, o problema é que ele é uma bomba que pode explodir a qualquer momento e levar todos que estiverem próximos.

Thor: O Renascer dos Deuses


Concomitantemente à saga Vingadores: A Queda, Thor encontrou sua própria derrocada, ele e seu povo enfrentavam o Ragnarok (o equivalente ao apocalipse da mitologia nórdica) em uma saga com o impensável nome de Thor: Ragnarok – onde todo mundo morre no final.

Porém, as conseqüências que emanariam de uma realidade em que o planeta Terra não tivesse Thor como seu guardião seriam desastrosas e por isso Donald Black, o alter ego de Thor, conversa com o deus do trovão no plano da não-existência sobre a necessidade de eles nascerem uma vez mais. Relutante a princípio, Thor acaba concordando que há ainda motivos pelos quais caminhar entre os vivos e se levanta em uma das ressurreições mais belas das HQs.

Joe Michael Straczynski é um mestre quando se trata de escrever tramas místicas e roteiriza o renascimento do deus trovão em uma atmosfera cheia de magia em que o leitor não termina o primeiro volume compreendendo exatamente como foi possível que Thor ressurgisse, tal fato fica aberto às interpretações que podem se extrair da conversa entre o deus e seu alter ego. Afinal, fatos permeados por magia não devem ser explicados pela lógica.

Danald Blake era um médico antes de desaparecer junto a Thor e muitas vezes já havia dito a seus pacientes terminais que buscassem resolver suas pendências e se preparassem para a partida. Mas ao renascer ele percebe que, para dar início realmente a uma nova vida, também são necessários diversos preparativos. Deste modo, ao iniciarmos a leitura dessa saga incrível de Straczynski não nos deparamos com uma história sobre um super herói, mas sim a história de um deus e um humano que buscam ajeitar suas vidas e se adaptar a um mundo que mudara muito no período em que estiveram ausentes.

Primeiramente, Thor precisa reerguer Asgard, a morada dos deuses, e ele o faz no meio do estado americano de Oklahoma o que o leva a ter que lidar com certas burocracias com as quais não está acostumado e, como se não bastasse, o próprio Homem de Ferro, agora líder da S.H.I.E.L.D., vai atrás dele para discutir de que lado o deus do trovão se posicionaria em relação a lei de registro superhumano. Em uma das melhores cenas desse arco, Thor mostra a Tony Stark como que, mesmo sobre sua torre de marfim, ele não é nada frente aos deuses. O único argumento que Thor usa sobre sua posição é uma um golpe de seu martelo no peito do Homem de Ferro, e isso motivado apenas pelo incomodo momentâneo que este lhe causara, mas deixa claro que ainda voltariam a conversar sobre a desrespeitosa manipulação de seus genes para usá-los contra seus amigos e ex-colegas de equipe (durante a Guerra Civil).

Isso é só uma amostra do enredo que mostra que o deus nórdico ainda enfrentará muitos desafios, primeiro ao lidar com seu falecido pai e, obviamente, com seu irmão – ou deveria dizer irmã?

Capitão Marvel


O kree de nome Mar-vell veio a Terra primeiramente como um enviado militar que deveria investigar nosso mundo, mas, ao conhecer melhor a humanidade, declarou-se protetor do planeta que o adotara. Havendo sido tomado como um traidor da própria raça, seguiu em frente para se tornar talvez o maior herói que a Terra já teve.

O Capitão Marvel tornou-se mais do que herói, ele se tornou um símbolo e um exemplo de bravura para qualquer pessoa, reafirmando isso até em seu último momento, quando um câncer fez com que ele abraçasse a amada de seu arqui-inimigo Thanos: a Morte. E assim ele permaneceu, uma memória, uma lenda.

Até agora...

No meio da confusão da Guerra Civil, de maneira totalmente inesperada, Mar-vell retornou (história publicada no Brasil em Guerra Civil Especial 4). Teria ele retornado no nosso momento de maior necessidade, para lembrar-nos do que significa ser um herói ou para nos servir de guia nessa nova era?

Ao final da guerra, tem início um título dedicado a explicar este retorno. O título se chama “Captain Marvel”, o que pode dificultar a busca. Sua publicação no Brasil começa em Avante, Vingadores 21.

Ao iniciarmos a história nos deparamos com um Capitão Marvel tão curioso e confuso com seu retorno quanto àqueles a sua volta. Enquanto Tony Stark envia uma agente da S.H.I.E.L.D. para se aproximar do Capitão e descobrir tudo o que for possível sobre ele, este passa longos momentos contemplado um quadro chamado Entrada de Alexandre na Babilônia, do pintor modernista francês Charles Le Brun, em que acredita estar lacrado a respostas para suas questões. Em outro lugar, uma ricassa, antes conhecida por sua futilidade, motivada por seu contato com o Capitão Marvel no dia do seu retorno, funda uma igreja que o trata como um messias, enquanto um jornalista acredita que há algum esquema sujo por trás dessa igreja e começa sua investigação.

O enredo se desenrola a partir daí focando no mistério do retorno do Capitão e o impacto do seu simbolismo.


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