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Invasão - Review: Guardiões da Galáxia

Fui à estréia do filme dos Guardiões da Galáxia esta quinta-feira e ouvi muita gente falando que o filme foi o melhor já feito pela Marvel. Talvez eles tenham razão. Cuidado com os spoillers!


Para começar, os personagens estavam muito bem caracterizados. Claro que eles não eram exatamente os personagens dos quadrinhos, mas adaptação é adaptação (e vice versa).

Enquanto esperava o filme estrear (meses e meses de espera), fiquei pensando comigo como a Zoe Saldanha não combinava com o papel da Gamora e que ela não me parecia “a mulher mais letal do universo”. Bom, ela calou minha boca e mandou muito em sua atuação (para ser sincero ela é uma das poucas coisas que gostei em Avatar). Sinceramente não sei como ela não faz mais filmes fodas.

Rocket Racoon, como já era esperado roubou muitas cenas. Era uma combinação infalível, ele era o seu bicho de estimação, gênio estrategista e com um humor sacana. Já Groot era um personagem mais difícil de desenvolver, afinal ele só fala “I am Groot”, então o diretor colocou algumas cenas com foco quase que exclusivo nele para mostrar a personalidade que se esconde atrás dessas três palavras, como a cena em que ele dá a flor para a menininha.

Chris Pratt também ficou muito carismático no manto de Senhor das Estrelas e conseguiram construir uma back ground bastante convincente de um cara que precisou se virar na malandragem numa realidade inimaginável para qualquer humano comum, mas que no final manteve os valores que aprendeu na Terra. Só é meio estranho no final quando ele vê a mãe dele onde estava a Gamora. Freud explica.

E o que achei mais curioso foi o Drax. Ele nas HQs atuais (2008-2011) é um badass, ele é praticamente o Kratos do God of War. Já no filme pegaram a aparência de badass e colocaram um cérebro de passarinho. O que é interessante disso é que mesmo nas HQs houve uma fase em que o Drax competia em força e burrice com o Hulk, ou seja, pegaram o físico de uma fase do personagem e a personalidade de outra. Minha única crítica a ele é que esse negócio de “mataram minha família” é uma motivação meio genérica, mas tudo bem.

E com esse grupo tão diverso, eles focam o filme exatamente numa das coisas mais legais do quadrinho, que é a formação do grupo em si. Até a metade do filme cada um tinha uma motivação diferente, eles estavam juntos, mas não eram uma equipe. O Senhor das Estrelas tinha que ficar lembrando constantemente o Rocket da quantidade absurda de dinheiro que eles iam ganhar, enquanto sua própria motivação é questionável, ele estava nessa pela grana ou pela Gamora? E aí que entrou o lado super herói do filme, quando o dever chama, o Senhor das Estrelas faz um discurso bonito e os Guardiões da Galáxia nascem para proteger a vida de zilhões de inocentes. Uma cena muito bem feita, em que parece que o Rocket saca o clichê e fala "Tá bom, estamos todos de pé e agora?".

Tudo isso regado àquele clima bem anos 80, com um estilo narrativo dos filmes dessa época também, e não posso esquecer da trilha sonora que só melhora culminando na cena no meio dos créditos do Groot dançando, foi a melhor cena do filme.

Uma coisa que em que a Marvel sempre acerta é que, apesar de o filme ser direcionado ao grande público, eles se preocupam em colocar alguns detalhes para quem é fã mesmo dos quadrinhos se sentir representado. Primeiro o mais óbvio, Luganenhum (Knowhere), a comunidade construída dentro da cabeça decepada de um Celestial. Eles poderiam ter feito a cena com o Walter Mercado (o Colecionador) em qualquer lugar, mas eles fizeram em Luganenhum e até deram uma boa justificativa para ter tanta gente num local tão estranho. Em segundo lugar, gostei de ver que, apesar de a roupa dos personagens estar bem diferente da dos quadrinhos, eles mantiveram aquela chama que é o símbolo do grupo (ou será que era mensagem subliminar do Tinder? Que eu nunca usei, por sinal coff coff). Outra coisa foi que, durante o filme eu realmente estava pensando como seria legal ver o Groot sendo replantado em um vazo como ocorre na HQ. E BAM! É isso que eles fazem. Mas o que realmente me fez arregalar os olhos foi ver o Cosmo, o cão em roupa de astronauta. Nessa hora senti como se o diretor tivesse piscado para mim, porque apesar de cômico, ele é um personagem muito legal.


E ao que parece também teve uma menção ao Space Invaders na cena em que as naves do Yondu protegem Xandar, mas para ser sincero, um amigo teve que me contar porque eu não prestei atenção.

Agora, o que eu não gostei... (vai ter gente que vai me chamar de hater, mas se critico é porque eu quero que melhore). A cena em Knowhere onde todo mundo por um acaso se encontra, os Guardiões, Yondu e Ronan, é muita coincidência de uma vez. O pessoal ficou surpreso de saber da existência do local, mas ao que parece eles eram os únicos mal informados do universo. Forçaram um pouco a barra.

Além disso, o filme segue o mesmo erro de praticamente todos da Marvel: o vilão não é bom. Sim, tivemos o Loki e o Soldado Invernal, mas são só dois vilões bons em 10 filmes (se meu cálculo não estiver errado). Enquanto os créditos subiam tive que perguntar a um amigo que estava do meu lado “por que que o cara do martelo queria destruir aquele planeta?”, e ele só me disse “ah, o cara era um fanático religioso, um Hamas da vida”. Não daria para ser mais clichê.

Entendo que por um lado a intenção do filme era mostrar o desenvolvimento da relação entre os cinco personagens principais, mas sinceramente fiquei decepcionado com o que fizeram com o vilão. Ronan não é o que se pode chamar de personagem raso, ele já lutou contra os Vingadores e já salvou o universo algumas vezes. Na realidade, Ronan hoje em dia é casado com uma ex-Vingadora, Cristalis, e sua motivação é patriótica e dirigida por uma ética militar, disposto a fazer de tudo pelo seu povo, o que já o levou a realizar alguns atos no mínimo atrozes.

Vou dar nota 8.0 para filme, porque apesar desse defeito grande de roteiro, os personagens ficaram muito bem adaptados e caracterizados, os efeitos especiais são incríveis e o humor está muito bem colocado.

Por fim, quando o Drax encontra com Ronan pela primeira vez, eu não consegui não pensar nisso: 




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