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Invasão - Guerra Civil


A Guerra Civil talvez tenha sido a maior saga já feita pela Marvel e ela já foi discutida e rediscutida, de modo que de início pensei em fazer este post sobre ela e outras sagas que seguem na cronologia. Mas relendo a saga, fui lembrado de quão fuderosa (foda + poderosa) ela é e decidi fazer este post exclusivamente sobre ela, afinal, marvete ou dcneco, essa é uma leitura obrigatória para qualquer fã de quadrinhos.

Alguma vez você já pegou o jornal e leu sobre algum projeto de lei que buscava melhorar alguma coisa que você via como necessária, mas não concordou no como a mudança seria feita? Como a cota para negros, que visa melhorar o nível de escolaridade dessa parcela da nossa população; ou as bases de polícia pacificadora instaladas nas favelas do Rio de Janeiro. Medidas que são no mínimo polêmicas e cuja minha opinião no assunto não interessa, afinal, estamos aqui para falar sobre HQs. Bem, o arco Guerra Civil é sobre isso.

A história começa mostrando as recentes atividades de um grupo de heróis de segunda/terceira categoria, os Novos Guerreiros, um grupo tão fulera que pensou que realizar um reality show baseado em seus combates seria uma boa idéia. Os heróis estão escondidos em moitas planejando qual a melhor maneira de invadir uma casa recheada de super vilões que fugiram da cadeia (na saga Motim) e como elevar os índices de audiência do seu programa. Uma das vilãs acaba os avistando e os Novos Guerreiros são obrigados a encerrar a discussão e agir às pressas.

A empreitada dos heróis parece estar correndo bem, até que Namorita (prima do príncipe de Atlantis, Namor) decide perseguir Nitro, um inimigo do Capitão Marvel (o primeiro cara a derrotar Thanos, só para ter uma noção), que possui o poder de explodir e reconstituir seu corpo. Quando ela o alcança, ele simplesmente diz para ela, “Receio que eu não seja o tipo de pé-rapado com que vocês estão acostumados, mocinha. Agora, você está enfrentando gente grande”, e explode seu corpo ali ao lado de uma escola primária.

Dezenas de pessoas morrem, muitas delas crianças.

A opinião pública nunca foi tão contra a ação de super seres e exigem alguma ação do governo em relação a eles. Não é para menos, eu não gostaria de estar tranqüilo sentado no meu sofá para que um herói (digamos, o Superman) do nada atravessasse minha parede lutando contra um inimigo (digamos, o Zod) e não se responsabilizar por nada. Esse tipo de coisa não pode mais ser aceita, a polícia segue estratégias de ação para que suas perseguições e combate ao crime não gerem baixas civis ou a bens particulares. Por que com os super heróis seria diferente?

As famílias daqueles que morreram no acidente envolvendo os Novos Guerreiros e muitos outros civis exigem uma reação e enquanto nada é feito, eles irão agir com suas próprias mãos. O primeiro a perceber isso é Johny Storm, o Tocha Humana do Quarteto Fantástico, que, ao entrar numa balada com a namorada, é atacado e hospitalizado por uma multidão furiosa.

Enquanto isso no governo, já estava sendo discutida há algum tempo a lei de registro de super humanos, que os obrigavam a serem treinados e que se tornassem funcionários do governo (como é possível verificar nas revistas mensais da época, como Homem de Ferro, Novos Vingadores e Homem Aranha). Tal comoção pública era tudo o que precisava para que a proposta fosse aprovada, em poucos dias ela se tornará lei e a SHIELD já preparou uma força tática para perseguir aqueles que se recusassem a segui-la.

Maria Hill, a substituta de Nick Fury (que está foragido desde a saga Guerra Secreta), se reúne com o Capitão América para garantir que ele consiga dar conta dos rebeldes. Aí que o novo leitor pode começar a entender que o Capitão não é um pau mandado do governo, apesar de se vestir de bandeira americana. Ele deixa claro a Maria Hill (ou a Robin de How I Met Your Mother) que é contra o registro e que jamais caçaria pessoas que dedicam suas vidas para proteger a dos outros. O Capitão América entra para ilegalidade e os rebeldes acabam de receber um representante de peso.

Do outro lado temos o Homem de Ferro, que se posiciona a favor do registro, e ele também precisa de alguém para ser o garoto propaganda da lei. Em uma campanha genial, ele convence o Homem Aranha a revelar sua identidade em uma coletiva de imprensa. Isso, ao mesmo tempo em que a caçada aos heróis ilegais se inicia.

Como muitas das sagas Marvel, alguns dos pontos altos da saga é perceber a fidelidade e congruência entre as personalidades de cada um e sua posição política e ações.

Do lado do Capitão América, temos heróis cuja máscara sempre havia sido uma maneira de proteger sua família e amigos dos perigos que envolvem suas vidas duplas, como o Demolidor e, como deveria ser, o Homem Aranha – que só não assume essa postura devido a sua confiança e fé em Tony Stark na época, mas que logo perceberia o erro que estava cometendo.

Enquanto do lado pró-registro, liderado pelo Homem de Ferro, temos heróis de vida mais abastada, como o Sr. Fantástico, Hank Pym, Miss Marvel.

Muitos dos que leram esta saga podem ter se perguntado como um ricaço, que muitas vezes quer estar acima da lei, pode ser a favor do registro, enquanto o cara que veste a bandeira dos EUA é contra. E a resposta é essa, é um embate entre pragmatismo e idealismo, característicos do Homem de Ferro, um homem de negócios, e do Capitão América, respectivamente.

Como de costume, esta saga teve vários spin offs que complementam a saga. Se você se empolgar e quiser ler algum, sugiro o título Novos Vingadores em que o Brian Michael Bendis explora um personagem do grupo por edição, mostrando: primeiramente como o Cap. América se sente na nova posição em que se encontra, como um fora da lei; a posição de Luke Cage, que se vê dividido entre a família recém formada e os ideais que o levaram a lutar para melhorar o bairro em que cresceu; e o Sentinela, o cara com o poder de um milhão de sóis explodindo, mas que não consegue definir qual seria o melhor curso de ação a seguir (e por isso acaba sendo levado pela correnteza); além da Mulher Aranha e do Homem de Ferro.

Eu, particularmente, nunca consegui me decidir por um lado, porque se de um lado, concordo com a ideia de que deve existir uma legislação para controlar seres tão poderosos, de outro, não acho que fazê-los trabalhar para o governo,movido a politicagem, seja a resposta. Nas palavras do próprio Steve Rogers: “Super heróis precisam estar acima dessas coisas, ou Washington vai começar a nos dizer quem são os supervilões”.

E esse é o maior mérito desta saga, não há um certo e um errado, é tudo uma questão de perspectiva, como tudo na vida, você percebendo isso ou não.

O leitor que pegar apenas a saga principal perceberá isso claramente, mas infelizmente alguns roteiristas dos spin offs não sacaram isso, talvez por não ser uma prática convencional nas HQs de super herói, e transformaram o Homem de Ferro em vilão. Esse é o maior ponto fraco da série.


Ao final da saga temos uma vez mais uma renovação do status quo do Universo Marvel: Tony Stark é o novo diretor da SHIELD; os Vingadores estão divididos em dois grupos, um pró e um contra o registro; e é lançada a Iniciativa dos 50 Estados, que busca treinar e alocar um grupo de heróis por estado americano. Porém, no final das contas, o mundo superheroico nunca esteve tão vulnerável ao que viria a seguir.


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