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Constantine [Piloto]

Constantine, que teve seu episódio piloto "vazado" ainda essa semana, nos traz uma boa ideia do que podemos esperar da (segunda) adaptação do mais famoso mago inglês dos quadrinhos para algum outro tipo de mídia. Nome forte da DC Comics e influente em praticamente todas as revistas mais dark comercializadas hoje em dia, será que o seriado consegue entregar o que os quadrinhos conseguem?

Ao momento de dar play você deve ignorar o nome do seriado. Não, você não vai ver uma adaptação de Constantine dos Novos 52 - aquele que está sendo vendido mensalmente no Brasil e nos EUA - você estará vendo uma adaptação para a TV aberta americana do famoso quadrinho da Vertigo: Hellblazer.

O que isso significa? Você vai ver um cara loiro com barba rasa e sobretudo bege, com um arranhado sotaque britânico e seu melhor amigo, um taxista que não é muito fã de falar mas o acompanha
mesmo assim. E isso você vai perceber em menos de cinco minutos do episódio.


Esqueça outras adaptações do Mago Inglês: aqui você não vai ver um nova-iorquino de jaqueta de couro sério e malvado. Você vai ver um anti-herói sádico que não sabe brincar ou fazer piada, mas mesmo assim tenta.

Saindo de todas as comparações: Constantine entrega o que muitos esperavam. Estamos, finalmente, tendo uma adaptação de Hellblazer! E temos tudo o que queríamos: mistério, ocultismo, meias verdades e todo o resto. E quando digo tudo, é até mesmo Ritchie Simpson e menções a Newcastle.

Para quem não sabe, Newcastle fora o primeiro trabalho de John que, ironicamente, deu bem errado e deu início a sua carreira. Spoilers do enredo a parte, no seriado as coisas acontecem como no quadrinho! Menções a Newcastle como um TERRÍVEL passado que ocasionou consequências das piores ao mesmo tempo em que deixa o telespectador desavisado confuso e nas sombras, sem entender muito, mas ainda sim interessado, como nos quadrinhos.

Isso tudo une a série uma grande cara do que os quadrinhos nos mostram. Você não vai encontrar respostas para tudo logo em um primeiro episódio. Hellblazer não é assim. Ao decorrer da história, você vai gostar e odiar personagens até que de repente vai ver suas histórias e ficar impressionado. 


A série também conta com grandes easter eggs que nos dão dicas do que pode estar por vir, além de muitos elementos misteriosos e subliminares - outras grandíssimas características dos quadrinhos.

Mas, por mais que a série nos introduza muitos elementos dos quadrinhos, nada é um mar de rosas. Algumas coisas são estranhas no seriado... É tudo muito corrido, a um ponto em que as coisas podem até parecer artificiais, e é difícil conseguir prestar atenção na história principal ao mesmo tempo que a cada final de bloco algo tenso acontece para prender o telespectador. Isso tudo acaba nos deixando dispersos e sem saber o que é relevante ou não para a história. O final também é um pouco exagerado e artificial.

É claro que, por ser um episódio piloto, ele precisa agradar os grandes corporativos por trás da companhia para ser aceito - logo, tem uma cara um pouco mais comercial. Levando em consideração as cabeças por trás do projeto da série (Daniel Cerone, de Dexter, e David S. Goyer, produtor da trilogia cinematográfica do Cavaleiro das Trevas) não tem como a série ficar com esses aspectos. Com certeza, ela vai amadurecer em relação a isso.

Uma prova são os novos personagens inseridos na trama. Temos o anjo Manny e a garota Liv. Ambos com suas características bem inspiradas em outros personagens de Hellblazer, eles tem muito potencial para crescer. Sim, o episódio piloto teve momentos em que a artificialidade ficou tamanha que chegou a atrapalhar a progressão, mas conseguimos ver claramente que as coisas tem espaço para melhorar. É cedo demais para falar, mas com certeza iremos ver o trabalho de Jame Delano finalmente adaptado. E dessa vez, de verdade.

E sim, antes que você se questione, John Constantine é um mago e exorcista britânico, loiro, de sobretudo bege, gravata mal amarrada, cabelo bagunçado, barba mal feita e fumante. E na série ele é tudo isso. Por ser da TV aberta, provavelmente você nunca verá John com um cigarro na boca, porém vai ver ele apagando cigarros (assim como vimos neste episódio), brincando com seu isqueiro Zippo, segurando cigarros apagados e tudo mais. Isso é, tirando o ato de colocar o cigarro na boca e tragar o mesmo, de todo o resto ele é um fumante.

Colocar tal aspecto na série foi uma boa forma de conseguir mostrar uma das principais características do personagem. Claro, da única forma possível, mas ainda sim, ela está lá. John é um fumante sim, e isso trará grandes problemas para ele no futuro, não precisa ter dúvidas.


Com uma história um pouco corrida e artificial, "Constantine" consegue entregar o que promete em seu piloto: uma adaptação de Hellblazer. Com muito tempo para amadurecer, a série com certeza promete ser uma das melhores de 2014/15.
Nota: 8/10

Quer saber mais sobre John Constantine e Hellblazer? Saiba tudo sobre ele antes mesmo do episódio ser exibido oficialmente nos EUA!


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