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Conhecendo o Oriente Médio através dos Quadrinhos (PARTE I)

Salaam Aleikum!



A gente sabe que vocês já decoraram todas os costumes nipônicos de tanto juntar o dinheiro da merenda para comprar mangás em suas juventudes. Agora está na hora de conhecer um pouco do Oriente Médio também através dos quadrinhos! Separei aqui  algumas das minhas publicações preferidas que tratam do tema para que vocês conheçam melhor. Todos os títulos tem versões em português e estão disponíveis facilmente nas livrarias e na internet.

O que mais me chama atenção nessas publicações é que trazem para nós a realidade da guerra, politica e interferência de outros países e de como ela delimita a vida dos civis.Uma verdade triste e que fica muito distante de nós, ocidentais, que acabamos por tem uma visão bem preconceituosa e errônea de como é o oriente. Graças a essas publicações, teremos uma versão diferente de como ocorre a guerra do lado de lá.
Para começar essa série de postagens, trarei três títulos com protagonistas femininas.

Persépolis




Autora: Marjane Setrapi
País: Irã (antiga Persia. Entendeu o título?)

Essa obra auto-biografada conta a história de Marjane, uma jovem iraniana que tem pais muito cultos e compreensivos, mas tem que lidar com o regime radical que está se instaurando no país. Todo tipo de cultura de fora é vetada e as mulheres está sendo obrigadas a usar o hijab (véu islâmico) e não podem sair sozinhas. Então, Marjane é mandada pelos pais para estudar da Austria, onde receberá o choque cultural entre o Oriente e a Europa, que só não será maior do que a volta de Marjane ao Irã. Situações desde comprar fitas k7 do Michel Jackson como se fosse drogas, trazer um poster do Iron Maiden dentro de um casaco para passar pra imigração até a perda de um tio para o regime ditatorial, as experiencias de Marjane são diversas e muito interessantes.

A autora tem outras obras em quadrinhos e também biográficas, como Bordados, que trata da sexualidade da mulher oriental. Persépolis também tem uma adaptação em longa-metragem. 


Habibi


Autor: Craig Tompson
País: ?!!!

Habibi, em árabe, significa "meu querido". A história de Dodola, menina que é vendida para se casar com um escribas, se confunde com a história do judaísmo, islamismo e cristianismo. Uma gama de informações a respeito do assunto é apresentada ao leitor em forma de narrativa: bíblia, língua árabe e cultura oriental em desenhos maravilhosos. É, de longe, minha obra preferida de quadrinhos de todos os tempos. Ele não acontece em um país especifico e tem um ar um pouco pós-apocalíptico. 

Dodola, personagem principal, casa-se com um escriba aos 8 anos(?!!) de idade. Ele o ensina a ler e escrever (o que não era costume que mulheres aprendessem), então ela pode conhecer as histórias que estão registradas em árabe. Um dia, seu marido é morto e ela é levada como escrava. Na sua estadia no carcere, antes de ser vendida novamente, Dodola conhece o bebê Can, filho de uma mulher também escrava. Ela acaba fugindo para o deserto com o bebê, onde  se prostitui para as caravanas que passam no deserto para conseguir comida e cuidar de Can. Porem, esse é apenas o inicio de uma história cheia de drama e magia.


O Paraíso de Zahra 


 Autores: Amir Soltani e Khalil Bendib
 Pais: Irã

 Vocês lembram da "Primavera Árabe", serie de protestos no oriente  que influenciaram, de certa forma, os protestos aqui no Brasil? Em  um desses eventos, um jovem desaparece e sua mãe, Zahra, e seu  irmão buscam por ele, destrinchando as ações ditatoriais do  governo atrás dos manifestantes desaparecidos. Sequestro, prisões  ilegais, tortura e morte, assim como no Brasil, estão presentes na  obra mostrando o destino de milhares de manifestantes e ativistas:  um cemitério clandestino  chamado Paraíso de Zahra. Outra coisa interessante é que a narrativa acontece por meio de posts do irmão do desaparecido, remetendo o uso da internet e redes sociais nos protestos.

 A história da obra é fictícia, mas representa a trajetória de muitas  famílias no Irã atrás de seus parentes e amigos perdidos na  Revolução. A personagem Zahra  ultrapassou os limites dos quadros e virou até candidata a presidência do Irã em um campanha ficticia em protesto ao veto da candidatura de 30 mulheres ao cargo nas eleições. 


MAS PERA AI, "PARTE I"?

Sim, cara pálida! Por incrível que pareça, o número de publicações a cerca do oriente não é tão pequeno assim. Para não ficar muito cansativo, vou trazer alguns poucos títulos em cada post para vocês poderem apreciar e irem atrás das suas preferidas.

E ai, gostaram de conhecer um outro lado do mundo através de histórias bonitas e trágicas? Tem alguma que gostariam de saber mais em uma resenha mais detalhada? Deixem ai nos comentários!

 Em breve, mais do oriente médio pra vocês (: 


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