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O Limite: Como o monopólio da Panini é um grande problema para todos nós.

Já entrou em uma banca ou loja de quadrinhos esperando encontrar aquela revista número um ou encadernados em ordem, prontos para serem comprados? Você não está sozinho. Entenda, em um sincero desabafo, como o monopólio de uma das maiores editoras do mundo pode ser prejudicial para todos nós - consumidores.
Eu, como consumidor e amante de quadrinhos, me encontro muitas vezes em uma sinuca de bico que é o mercado nacional. Claro; como tudo nele, existe um lado positivo e negativo, e não venho aqui encher a boca para falar como a Panini é "um lixo" ou "ruim"- principalmente porque de tudo que a Panini possa vir a ser, "um lixo" com certeza não é.

Diferentemente de muitos países lá fora; a Panini do Brasil é a distribuidora tanto da Marvel quanto da DC, até mesmo de seus selos undergrounds como Vertigo e Wildstorm para a DC, e ICON para Marvel.

Por um lado; temos quadrinhos "mais baratos". Lá fora; uma edição simples (de um capítulo, os famosos mensais) sai por 2 dólares, salvo engano. Aqui no Brasil, na maior parte dos mixes, temos três capítulos que o compõem por 6,50 R$. Fazendo uma conta de acordo com o valor médio do dólar (2,25), o "mix" seria 13,50 reais (considerando que temos três capítulos em uma única revista).

Isso é realmente legal, o preço consideravelmente mais baixo nos dá a liberdade de conhecer e comprar mais. Porém, aqui que encontramos o problema: comprar mais.

Vamos tomar como cenário o lançamento dos Novos 52 no Brasil. Com a promessa de todos os títulos disponíveis em território brasileiro, o olho de qualquer um encheu de orgulho. Porém, no meio dos mixes, era um sonhador quem pensava que sempre teria tudo o que quer pelo preço "amigo".

Não demorou para o mix Flash ser cancelado e as revistas dentro dele terem se espalhado por muitos outros mixes - incluso o grande Universo DC que reúne todos as revistas com heróis de nome "não tão grande" (e algumas revistas terríveis). Lembro-me do início dos Novos 52 no Brasil que dentro do Mix do Universo DC tínhamos aberrações como OMAC e Senhor Incrível; então valia mesmo a pena comprar um mix dos grossos, com 8 revistas dentro, sendo que me interessava duas?

Aqui encontramos, então, um grande dilema na história dos mixes da Panini no Brasil. Enquanto temos algo sólido como Batman (mix pequeno de 3 revistas) e Sombra do Batman (mix maior com mais revistas e maior preços), encontramos pequenas "aberrações" como o Universo DC.

Mas porque, dentro do estilo de venda de revistas de tal formato, Universo DC existe? Não era mais fácil pegar o que tem de bom dentro dele e criar outros mixes dos pequenos e deixar só as revistas "mais ou menos" dentro dele? E aqui está o dilema. É preciso ter algo de qualidade para ser vendido, ao menos, a quantidade necessária.

Dentro do momento que fora o lançamento dos Novos 52 para cá realmente muita coisa mudou - até mesmo para o mix Universo DC - e outras revistas "grossas" foram, pouco a pouco, desaparecendo. Como EDGE e Dark - que, tem uma de suas histórias dentro do novo mix Constantine e as outras saindo em encadernados com datas duvidosas de lançamento.

E isso é só nas mensais. Ao entrar no tema encadernados estamos em um terreno ainda mais delicado.
Vamos começar falando dos de menor porte, ao menos os que eu compro.

Hellblazer Origins, que contou todo o período de Delano pela revista, foi com certeza um grande acerto da editora, que agora prossegue com Hellblazer Infernal e nos faz, pela primeira vez no Brasil, ter as histórias de Constantine em ordem de publicação. Mas com uma terrível periodicidade, poucos sabem até mesmo quando se programar para comprar e acabam deixando a revista no esquecimento ou na "próxima compra", que talvez a revista já esteja esgotada e então, amigo, um abraço. Se você (como muitos) sempre quis ler Hellblazer desde o início, encontrar o Origins 1 é, não só difícil, como bem caro.

Outra série de que sofre do mesmo problema de periodicidade e de tiragem duvidosa é a série Fábulas. Quem compra sabe como foi desconfortável esperar tanto para sair o relançamento do volume 4º (agora pela Panini) e ainda por cima com esse preço muito mais alto que simplesmente não condiz, afinal, a qualidade permanece a mesma, porém o preço, quase 10 reais mais caro.

Se você pensa que não pode ficar mais ambíguo, a situação com os encadernados de grande porte fica ainda pior. Dar como exemplo o maior encadernado que a Panini esta lançando para esse semestre: Crise Final, edição definitiva.

Por mais que a qualidade da impressão e a capa sejam impecáveis, o preço de 92 reais (EM LOJA OFICIAL!) não é dos mais amigáveis. Aliados a uma tiragem pequena, o fã que sabe que talvez tenha a possibilidade de esgotar, compra sem pensar. Porque não temos uma opção menos extravagante, por exemplo com uma capa mole, e uma edição de luxo, ao mesmo tempo, tendo a possibilidade de optar na hora da compra?

Sem dizer os absurdos como Sandman Edição Definitiva (definitivamente fora de estoque, com certeza) ou Watchmen. Ambos sem opções mais em conta e tiragem baixíssima, sendo difícil começar a ler algo do início.

Essa situação da DC no Brasil em encadernados e mensais se dá, com certeza, em função do monopólio de uma única empresa na distribuição do mesmo em nossas terras. Unido a todos esses problemas - preço, periodicidade e qualidade - ainda tenho a sorte de ser morador de São Paulo. Imagino que, para qualquer fã de outro estado ou interior, a dificuldade para encontrar algo como encadernados ou até mesmo mixes possa ser ainda maior, e, para a cereja do bolo, não temos sistema de distribuição de revistas de forma digital; característico atraso do mercado brasileiro em relação ao internacional.

Com um conteúdo excepcional e uma equipe muito bem treinada, seja em tradução ou edição, é uma pena que o maior problema da Panini seja ela mesma. Ver o trabalho de editores menores, como a Salvat, trazendo encadernados clássicos (até agora, só da Marvel) com um preço e qualidade de alto nível mostra como o monopólio de uma única empresa pode ser o maior defeito dela.



Comentários

  1. Bom texto, e bons argumentos...
    Não conhecia o blog, curti : )

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    1. Obrigado pelo interesse Sninja! :D Adoramos quando há feedback de nossos leitores o/

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  2. Eu poderia falar disso no meu TCC! Vou dar uma pesquisada sobre o tema! :)

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    Respostas
    1. nossa! que legal! depois vou querer ver o trabalho final ;D
      uma boa dica é ir atrás de lojistas e coisas do tipo pra tu ter uma noção de como tudo acaba e não volta ou dos preços abusivos.
      boa sorte!

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  3. Este post traduz exatamente com o que eu penso era leitor antigos de HQS parei doei a grande maioria para bibliotecas e fiquei um bom tempo nos Mangas e estou voltando para HQS e o que vejo na minha visão que a procura sempre existe por encadernados mais os preços estão exorbitantes e pessoas vendem por preços absurdos nos mercado livre da vida na minha opinião deveriam trabalhar que nem livro assim que acabar o estoque faz uma nova leva sempre permanecendo em catalogo algo que não existe na Panini estava afim de comprar alguns encadernado mais a maioria vc não acha e me recuso a pagar um preço que não acho justo enfim é isso mais uma vez gostei do site e ótima matéria é sempre bom discutir para no futuro melhorar o mercado editorial que tem potencial mais é muito mau explorado.

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    1. é cada vez mais difícil, no Brasil, ler as obras primas de lá fora.
      E isso é uma pena :(

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