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O Limite: A sexualização das revistas em quadrinhos.

No mês do dia da mulher; venho aqui tomar a liberdade de falar de um assunto que assusta uns e alegra outros. Mas não, não espere ver um discurso pró-algo falando sobre alguma coisa aleatória que eu não conheço, o objetivo é falar de algo que, de vez em quando, irrita um pouco. Sim, da sexualização das revistas em quadrinhos.



Este sou eu, no início dos Novos 52, super animado com (outro!) reboot da DC Comics. Não tem como não ficar alegre: estava no meio de uma saga que eu estava adorando - Flashpoint - e com a participação de muitos dos meus personagens favoritos. Agora, tudo estava voltando ao número um.

Nesse primeiro mês da nova DC Comics, até importei muitas revistas de fora. Muitas mesmo. Diversas primeiras edições de material novo e simplesmente desconhecido. Mas, entre muitas virtudes dessa nova éra da DC, conheci também um conceito que eu preferia ter continuado ignorando.

A revista se chama "Red-Hood and the Outlaws". Dentre todos os personagens, admito, só comprei porque era o retorno da Estelar em alguma revista mensal. É, aquela Estelar, legal, poderosa, que não fazia muito sentido, com seus cabelos enormes e amiga de todo mundo, famosíssima pela série desenhada "Jovens Titãs", que passava no Cartoon Network e era um puro sucesso.

Assim que abri as páginas dessa revista, era algo bem simples e direto, se posso dizer. Um desenho bonito, nada excepcional, com páginas praticamente sem falas e cheia de explosões. Bem, é o que qualquer um chamaria de algo "comercial". Tinha até "umas gostosas" na história.

O problema que uma dessas "gostosas" é a própria Estelar. Agora, meio vagabunda, não se importando muito com o que fala, conversando sobre "sexo" e... Bem, acho que já fui bem específico aqui.

De cara foi um GRANDE choque. De verdade. Para que pegar uma personagem, famosa para o público masculino e feminino, e então transformá-la em uma "super gostosa sem cérebro que explode coisas"? A partir daí comecei uma grande pesquisa sobre o tema de sexualização dos quadrinhos, e não fiquei chocado por muitos estarem usando "Redhood and the Outlaws" como exemplo da decadência dos títulos menores das grandes editoras.

Vi pontos de vista incríveis - com todos concordando na falta de respeito a dignidade humana. Tanto mulheres quanto os homens da revista estão MUITO sexualizados. MUITO MESMO.
Vemos personagens "comedores" em situações "explosivas" com habilidades sobre humanas e que não "perguntam antes de fazer". Vemos mulheres gostosonas, com poderes incríveis, sem conteúdo algum na hora de fazer qualquer ação.

"Batman", por exemplo, é um cara bombado, fortíssimo, rico e muito influente. Claro que ele é sexualizado, para vender sua imagem mais facilmente, mas em sumo temos um personagem que luta por ideais e que não tem uma opinião boba. Suas revistas são CLÁSSICAS por terem muito texto e muitas críticas a diversos pontos da sociedade. Dúvida? É só pegar qualquer encadernado do Homem-Morcego; é fácil encontrar a prova disso.

Outra prova de que se pode ter algo "sexualizado" mas não... Tão comercial é também a revista "Orquídea Negra" de Neil Gaiman. Vemos, de novo, a "moça gostosa estranha com poderes", mas aqui, temos monólogos, versões, ideias e transformações. Não é só uma revista sobre "conteúdo comercial", é muito além disso, porém, com um pretexto "sexualizado."

Aqui entramos em "Redhood and the Outlaws #1". Não temos uma verdadeira história, crítica, releitura, versão ou caixas de texto importantes. Temos um desenho mediano, com uma história mediana, que pega personagens antigos e conhecidos colocando-os em relações exageradas e comerciais ao limite, em um ponto aonde não se passa conteúdo algum. Vemos uma personagem que foi a favorita de meninas e meninos falando que quer fazer sexo e com pouquíssima roupa; ao mesmo tempo que vemos um grupo de garotos explodindo coisas, com um gênio genérico e ações previsíveis.

Antigamente, revistas "pequenas" da DC levavam nomes como, por exemplo, V de Vingança, Fábulas e até mesmo Hellblazer. Não era porque elas eram "de pequeno porte" (pouca venda) que precisavam ser comerciais ao extremo, elas se encaixavam e, futuramente, recebiam seu valor. Hoje em dia, só encontramos histórias boas mesmo em grandes projetos, com raríssimas exceções. A "sexualização" de um quadrinho vem junto a sua "comercialização exagerada".

Não me importo se a personagem é "super gostosa" ou não, contanto que ela tenha uma boa história em volta dela. Não me importo se o personagem é "super machão" ou não, contanto que ele tenha uma boa história em volta dele. Não acho que a imagem das personagens é algo que determine algo. O problema é quando a personalidade dos mesmo fica tão genérica, comercial e sexualizada quanto a aparência dos mesmos. Não, eu não amo a Hera Venenosa por ser gostosa, mas sim porque é uma vilã bem criada. Não, minha personagem favorita não é a Zatanna porque ela usa uma roupa de maga pin-up, mas sim porque é uma anti-heroína trágica e incrivelmente bem criada, que me entregou histórias fabulosas.

E não, eu não gosto da filha do Joker. Eu não gosto dela, e não é porque ela é uma personagem "gordinha" (ou nos padrões normais hahaha) mas sim porque ela é comercial de personalidade. Parem, por favor, de sexualizar a personalidade das personagens. Muitos disseram para mim que a revista do Capuz Vermelho melhorou muito depois, mas graças a essa primeira impressão, não quero voltar pra ela muito cedo. E sim, eu estaria agradecido de ver alguma heroína ou vilã "gordinha" ou um herói ou vilão "não super-atlético" de vez em quando, também. Mas um passo por vez...

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