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O Limite: A história dos Quadrinhos.


Quadrinhos. A nona arte do entretenimento que tem um de seus principais integrantes fazendo setenta e cinco aninhos este ano (Batman!) e a cada ano nos apresenta novidades e mudanças. Que ela é importante pra muitos isso é um fato, mas afinal, o que mantém as histórias - novas ou velhas - vivas até hoje?

Não é recente a reprodução de "histórias de quadrinhos" na história humana, mas não tem como negar que ela se popularizou mesmo no início do século passado, principalmente nos Estados Unidos. A partir do século XX, o impacto que os quadrinhos trouxeram nos EUA era algo nunca antes imaginado; mas engana-se quem acredita que as histórias em quadrinhos são tão recentes assim.

Tudo começa mesmo antes, no final do século dezenove, com a publicação em larga escala de tirinhas e quadrinhos simples, que continham uma história direta e sem muito conteúdo, principalmente focado à crianças e, de vez em quando, ao humor em geral.

Claro, temos artes sequenciais muito antes registradas a isso, mas aqui encontramos o primeiro foco comercial de tudo isso. Historicamente pensando, 1890 não é um ano tão distante assim, mas a evolução dos quadrinhos a partir dessa época fora com certeza significante.

O ano marcante da grande mudança; que praticamente levou do medieval ao moderno, foi o fatídico 1938. Com os preços lá em baixo e a produção em alta escala, este ano foi o de estreia da primeira revista em quadrinhos do Super Homem. 

Criada pela dupla de judeus visionários Jerry Siegel e Joe Shuster, este ano fora o da criação do próprio termo "super herói". Era um marco; completamente diferente, que defendia a amizade, bondade, sinceridade e outros elementos sociais importantes. Claro, os pais adoravam comprar as revistas para seus filhos e os filhos adoravam ler elas.

Em um período durante a segunda guerra mundial, os quadrinhos - para os EUA - eram um grande escapismo para a terrível realidade de um mundo em guerra. Talvez, por isso, o amor dos quadrinhos não ficou exclusivo somente para as crianças: os adultos, na época, também os amavam.

O grande herói alienígena e messiânico apresentou para a sociedade norte americana da época uma imagem de segurança e batalha. Nos anos seguintes, principalmente na década de quarenta, outras editoras surgiram e outras histórias também; mas foi antes disso que a casa de superman - ainda sob o nome de National Comics - reinventou o mercado. Novamente.

Logo após apresentar o Super Homem em 38; apenas um ano depois, a revista do homem de aço já enfrentava adversários no mercado, como o Shazam (Hoje em dia da DC, anteriormente de outra editora.) A necessidade de se reinventar era necessária em menos de um ano de diferença. 

Aqui então encontramos outro momento fatídico da empresa. Mas antes de revelá-lo: as coisas não eram como hoje. Não existiam títulos específicos para cada herói, a forma que acontecia era um pouco diferente. Tínhamos uma revista com um nome "geral", e dentro dela tínhamos de um a três capítulos que apresentavam personagens novos, continuavam histórias ou criavam novas. Foi dentro de um desses "mixes" que o Super Homem veio a vida.

Mas foi em 1939 que, dentro da revista Detective Comics que a história da editora veio a mudar novamente. Agora, a editora estava apresentando um herói sem poder, que enfrentava problemas um pouco
mais reais e passava suas mensagens de uma forma menos exagerada. Foi o ano em que o Batman veio a existência, nas mãos dos gênios Bob Kane e Bill Finger.

O sucesso do Batman foi quase instantâneo, e em pouco tempo, a "national comics" dominava o mercado com as revistas de Superman (que era publicado pela Action Comics) e Batman (que era publicado pela Detective Comics). Tanto a Action quanto a Detective foram famosíssimas, e no ano de 1940, as revistas iniciais da editora passaram a somente apresentar personagens, enquanto os consagrados passaram a ganhar revistas com seu próprio nome. Tivemos O Flash em seguida e, então, com a criação da All Star Comics e da All American Comics, muitos personagens passaram a ser introduzidos - como Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Arqueiro Verde - e assim em diante. Todos se uniram e formaram enormes grupos e contavam com outra reinvenção do mercado: a criação de um multiverso que une todas as histórias e heróis em missões juntos, criando o primeiro grupo de super-heróis: a Sociedade da Justiça.

E isso tudo antes de 1944! O mundo dos quadrinhos continuou expandindo, mas sempre com uma soberania quase que absoluta de Batman, Superman e Flash. O sucesso do Batman, entretanto, começou a se sobressair, o que causou até a mudança da empresa de National Comics para DC Comics, em homenagem a revista original do Homem-morcego: a Detective Comics.

E com isso não parou por aí. Tivemos outras eras e momentos históricos dos quadrinhos, como os grandes conflitos sociais que passaram a ser apresentados, um amadurecimento das histórias, comoções nacionais como o momento da Morte do Superman e também já passou por muitos preconceitos, como proibições de vendas por excesso de violência (graças as primeiras "historias em quadrinhos de terror") e classificações etárias; sem dizer de uma expansão de significado. Agora teríamos as Graphic Novels, encadernados, capas alternativas, edições especiais e assim vai. 

Mas o que manteve as histórias vivas até hoje? Arrisco dizer que, por mais que elas tenham mudado em praticamente tudo; elas ainda mantêm algo vital em seu centro: a valorização da amizade. Sim, isso mesmo.
As revistas em quadrinhos valorizam, acima de tudo, a amizade. Seja entre os personagens ou em momentos de perdas e superações, esse é o principal valor dos quadrinhos, e eles ensinam tal valor de 1935 até hoje em dia. Digo por eu mesmo: criei diversas amizades com quadrinhos - algumas recentes e outras de longa data - que quero levar a vida inteira. Deve ser algo comum a todos nesse mundo, é sempre legal conhecer alguém que gosta de histórias em quadrinhos e é ainda mais legal conversar sobre isso.

Com o ano de aniversário de uma das revistas mais importantes e influentes do mundo, é legal ver o mundo dos quadrinhos em uma expansão cada vez maior. Seja em outras mídias ou na sociedade em si; hoje em dia, super herói é sinônimo de aventura e, muitas vezes, um enredo comovente.

Feliz aniversário, Cavaleiro das Trevas. Com isso, você esta provavelmente na sua terceira ou quarta geração de pessoas que estão sendo influenciadas por ti; e isso não vai acabar tão cedo.


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