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Feira Plana

Nos ultimos dias 8 e 9 tatuados, barbudos, portadores de cabelos coloridos e estilosos em geral lotaram as dependências do Museu da Imagem e do Som e invadindo um pouco o Museu da Escultura, que ficam juntinhos ali na Av. Europa, zona Oeste de São Paulo. O que rolava ali era a Feira Plana, evento que reunia artistas vendendo seus próprios zines e demais tipos de publicações independentes relacionadas a histórias em quadrinhos, assim como outros produtos relacionados, como adesivos, pôsteres, camisetas, cadernos e obras em serigrafia. Alem da exposição e venda, o evento contou  também com palestras, oficinas e pequenas apresentações musicais. Apesar do endereço nobre, a entrada era franca e o evento já está em sua segunda edição.




Dentro dos corredores apertados, o publico se acotovelava entre as barracas e a fila para a exposição do cantor David Bowie para ver as publicações e conversar com os artistas, que vendiam suas próprias obras. Cerca de 140 banquinhas foram montadas para os expositores de todo o Brasil, que traziam desde minis-zines até grandes livros encadernados. Todos os trabalhos autorias, sem a supervisão de uma editora e muitas vezes impressos ou feitos artesanalmente pelo próprio autor, que domina todas as etapas do feitio das revistas. Trabalhos surpreendentes com Cds acoplados, artes riquíssimas e histórias deslumbrantes, e o melhor:  com o autor ali, pronto para conversar com você, tirar suas dúvidas e dar um autógrafo com um desenho único.  Algumas bancas também trouxeram zines de outros países para a feira. 



E se engana quem pensa que esse tipo de publicação não faz sucesso: Muitos zines tiveram suas tiragem esgotadas na feira, ou venderam boa parte delas.  Porem, dificilmente o zine é encarado como fonte de renda dos artistas, mas sim como trabalhos paralelos para poder exercer sua arte de modo livre e longe do controle das grandes editoras. Os zines poderiam custar desde 5 reais, em seus formatos simples de folhas de sufite, até publicações encadernadas de capa dura por 70 dinheirinhos. As camisetas custavam cerca de 30 reais. Um tipo de publicação que está bem popular no mercado de zines é a compilação de webtiras em forma de livro, pois já galga seu publico através dos blogs e redes sociais. Alem disso, algumas barracas traziam pequenas publicações de graça, alem de um jornal especial para o evento, o Suplemento, que traz quadrinhos de vários autores, entrevista e textos feitos pelos meninos da Revista Antílope, também de distribuição gratuita.

Publicar de forma independente e autônoma é a saída de muitos artistas que desejam mostrar sua arte, porem corre-se sempre o risco de levar ao publico publicações mal acabadas ou ainda muito imaturas. Sem falar na grande prepotência de vender seus próprios sketch books (cadernos de rascunhos) como grandes obras. Mas é sempre bom para o artista expor seu trabalho ao público, principalmente quando ele precisa de amadurecimento para ganhar o mercado.

Mesmo quem não é grande fã de quadrinhos ou prefere as linhas dos Super Heróis ou Mangás pode achar interessante o evento e seu ambiente, conhecer novas publicações e conhecer os quadrinistas alternativos dessa geração. Vale a pena comparecer nas próximas edições e ficar ligado nas novas caras promissoras.

O que eu levei pra casa:

  • Overdose Homeopática, compilação de tirinhas de Marco Oliveira
  • 2028, história de 11 páginas escrita e desenha por 7(?!) autores da Bimbo Groovy
  • Lo-Fi n°2 historinhas bem loucas do talentoso Pedro D’Apremont e seus convidados
  • Bukkake, de Pedro Franz e da editora Cachalote
  • Jornal Pimba, que reúne quadrinhos e textos de autores de Brasilia
  • Rabiscos, mini livrico com os desenhos de André Valente que estava sendo distribuído de graça
  • Suplemento, jornal de quadrinhos também distribuído de graça

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