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Robert Crumb - Meus Problemas com as Mulheres

Estava procrastinando uma análise dessa HQ. Não por uma causa negativa como preguiça, mas porque respeito muito o trabalho deste autor, e não conseguia achar um tema inicial, ou até mesmo um pequeno ponto, dos muitos pontos que poderia desenvolver algum conteúdo com base na obra. Foi quando recebi numa dessas tardes de Facebook uma corrente. Daquelas imagens que você lê, executa uma tarefa e passa para algumas pessoas, não necessariamente com um objetivo místico. Esta era muito mais próximo de uma brincadeira boba. Eu raramente ligo para essas correntes. Por sua vez, era até uma que já havia feito semelhante a alguns anos atrás. A imagem dizia: “Abra o livro mais próximo que tiver na página 45 e leia a primeira frase. Esta frase define a sua vida amorosa”. O livro do Crumb do meu lado me fazia deduzir que minha vida amorosa teria grandes chances de ser muito conturbada.



Não que a fala me definisse completamente, aliás, talvez este blog não seja o melhor lugar para discutir esse tipo de assunto tão pessoal. Mas a corrente serviu como uma luva para definir esta revista em uma frase. Uma HQ masculina, machista, nerd, arrogante e fetichista. Mas acalmem-se, tarados e feministas: O universo de Crumb se explica. Ou ao menos tenta se absolver.
Tenho acompanhado muitas Hqs biográficas de desenhistas de quadrinhos. Em muitas delas temos a seguinte premissa: Artista nerd, homem, na maioria das vezes solitário por ter péssima habilidade com mulheres, desempregado pelo fato do mercado ser cruel com quem resolve se doar em prol da evolução humana e sua necessidade constante de perder tempo. Acima de tudo, um artista jovem, louco para produzir alguma coisa, seja uma obra nova, seja uns projetos de filho. Robert Crumb conta sua biografia do ponto de vista das dificuldades causadas pela obsessão pelo corpo feminino, a falta dela, e posteriormente sua presença constante. Esse vício em mulheres fez com que Crumb praticasse muitos desenhos de corpos femininos, assim como histórias com fetiches absurdos, com um quê de infantil, um tipo de fantasia tão fora do sério que só poderia ter saído de uma piada de um garoto abobado. E novamente, não digo de uma maneira negativa. É aqui onde quero chegar. Há uma pureza nos pensamentos eróticos, talvez pela constante prática do pensamento libertino, no seu sentido mais ideológico, de algúem que evoca o caos nas artes para acalmar os anseios da alma e do corpo.
E por mais que Crumb seja uma espécie de formador de opinião (isso utilizando a premissa de que por ter publicado uma revista para pessoas lerem o torne um formador de opinião), que faz desenhos extremamente sexistas, colocando a mulher no patamar único de progenitora, há nisso um grande mérito. Crumb arquiteta a representação do inconsciente machista de muitos jovens, que além de ser uma marca cultural profunda na maioria das sociedades, também trata da sexualidade no seu sentido biológico e a falta de razão que pode surgir do instinto por querer se perpetuar como espécie, e em contrapartida, o controle mental que todos os seres humanos “responsáveis e cidadãos” exercem para tornar a sociedade um lugar habitável, e não um eterno bacanal rave scat open bar.
Meus problemas com as mulheres é uma hq com nuances biográficas, por sua vez, egocêntrica, na visão do artista arrogante que não consegue compreender o mundo e as fêmeas. Lê-la trás a possibilidade de revolta do espectador, assim como o reconhecimento e o autoconhecimento, trazendo à tona todas as complexidades e contradições dos seres humanos.

Mulher, conforto, paixão e medo.
 Opiniões Finais: 

 Roteiro: 4,8 multiversos
Arte: 5 multiversos
Nota geral: 100% de aproveitamento nos 5 multiversos.

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