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Piteco - Ingá




Quando olhei para a capa da nova edição da MSP, Piteco – Ingá, senti que já havia visto algo parecido por aí. A pose heróica com o braço levantado me trazia rastros de cartazes de filmes como Army of Darkness (Uma Noite Alucinante 3), os quadrinhos do Conan, entre tantas outras séries de fantasia da década de 80 e sua estética distópica que tanto os fãs de filmes de ação gostam. A HQ Piteco mistura um pouco de tudo isso de certa forma, que me trouxe o famoso mindfuck, já que nunca havia sequer imaginado a possibilidade de criar um universo são impressionante e rico (onde muita coisa foi tirada das próprias revistas do Maurício de Sousa), com tribos, magia, deuses, guerras...
A estética do quadrinho criada pelo ilustrador Shiko remodelou os personagens e os colocou em uma verdadeira tribo, com ritos, sábios, adereços e vestimentas, procurando sempre respeitar os personagens em sua forma original.
Na história, uma seca faz o rio principal da tribo de Piteco secar. Sem água, a população resolve se mudar para novas terras mais prósperas para plantio e caçada. Thuga, a personagem eternamente apaixonada por Piteco é raptada pelos homens-tigre por um motivo desconhecido. Isso faz com que Piteco, com ajuda de seus amigos, embarquem em uma jornada incerta, envolvendo perigos e misticismo.
Uma das jogadas mais interessantes de Ingá foi o jeito como Shiko enriqueceu sua história usando fatos históricos e geográficos do nosso continente. Ingá é uma rocha contendo diversos desenhos rupestres datados entre dois e cinco mil anos. Não só usou como cenário o Brasil, como também implementou outros personagens do folclore brasileiro de forma que nunca havia visto em quadrinhos. 
Imagina um filme do Piteco.
Ingá faria qualquer pessoa que prefere o Halloween ao dia do Saci a repensar um pouco sobre o que é a nossa cultura, e como ela pode ser melhor explorada na literatura, cinema e nos quadrinhos. Ingá trata o folclore brasileiro com respeito. A a caracterização dos personagens e toda a magia em torno deles cria uma atmosfera semelhante a dos Youkais da cultura japonesa, ou dos deuses gregos, nórdicos, temidos pelo homem, representando uma função da natureza e sempre procurando guiar os homens para algum caminho, seja ele para a vida ou morte. Ao mesmo tempo em que há a magia, também existem alguns avanços tecnológicos da tribo que são essenciais para a jornada de Piteco e responsáveis pelo avanço (e alguns deles, pelo retrocesso) da civilização. Tribais, deuses, pterossauros, magia e criaturas gigantes, folclore brasileiro... Todos unidos em um universo. Possível? Graças a Shiko, sim, e é fantástico.
Fechando um ciclo de Graphic Novels, Ingá nos trás o desejo de que hajam muitas e muitas outras releituras do universo de Maurício de Souza.

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