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Ghost World - Mundo Fantasma



Uma HQ relativamente antiga, publicada em 1997, popularizada por um filme com o mesmo nome em 2001. Tenho um hobbie pessoal, ler um livro, ou HQ, e depois disso, assistir sua adaptação para cinema. Não escolho uma ordem correta, apenas vejo as duas versões, e as comparo, sem objetivo de qualificar as diferentes mídias. Apenas observo as mudanças, vejo seus pontos positivos e a abordagem de cada cena em comparação a literatura ou as páginas de quadrinhos. Ghost World foi uma dessas obras com multiplataformas que me interessou, e agora apresento-lhes um pouco dos quadrinhos, e mais um pouquinho do filme, como extra.

Duas garotas entediadas com o mundo a volta delas. Estão absolutamente cansadas das pessoas normais e das pessoas que elas dizem querer parecerem modernas. Acabaram de sair do colegial e agora perambulam por aí, sem um destino certo, debochando de pessoas e tentando arrumar um objetivo para a vida, seja achar um namorado, um emprego, ou fugir de faculdades. Uma revista do final da década de 90, com cheiro de contracultura, que ao mesmo tempo tenta criticar essa origem. Temos também outro ponto interessante, se passar na juventude da última geração antes da internet.
É bacana enxergar nessa HQ praticamente os mesmos problemas da adolescência saindo do colegial, com outras resoluções, diferentes das que temos hoje na internet. Desde o jeito de trollar pessoas, anteriormente com trotes telefônicos (que até vemos alguns jovens usarem, mas em menor quantidade), até a frequência que os jovens se vêem, e como procuram passar o tempo juntos. 

Juventude embrionária da trollagem.

Fora as comparações com a nossa realidade de comunicação, Ghost World é dotado de conversas sarcásticas sobre a realidade das garotas, que sempre entram em confronto com algum elemento conservador que as abomina. O clima de cidade pequena as oprime, e todo discurso dos habitantes a sua volta coloca qualquer inovação ideológica como algo estúpido a se fazer. O famoso discurso da alienação da televisão e das mídias sobre as pessoas. Em Ghost World nada passa despercebido, até as pessoas envolvidas com arte e política são colocadas como idiotas. Nesse meio, mesmo as protagonistas buscando se diferenciar, por mais que tentem, também sofrem com seus defeitos e contradições, afinal, ainda são adolescentes tentando achar seu lugar no mundo. Jovens adultos tentando se manter mais um pouco de tempo na casa da infância, e ao mesmo tempo buscando equilibrar do outro lado da balança o respeito da sociedadeUm ótimo retrato de uma época, que se repete na nossa, e que provavelmente se repetiu em épocas passadas. O mundo, a comunicação e a arte mudam, mas a cerne dos anseios da humanidade continua praticamente as mesmas.
Quanto ao filme, temos uma adaptação bastante fiel. Uma homenagem perfeita a HQ nos primeiros 20 minutos de filme, até que o roteiro segue pelo caminho da narrativa clássica, com trama de comédia e algum romance (não diria comédia romântica). Uma escolha consciente, já que o roteiro foi feito pelo mesmo criador da HQ, Daniel Clowes, e sensata, já que uma adaptação idêntica, além de nada adicionar, traria aquela sensação de estar vendo aquelas animações do Charlie Brown, que não passam de tirinhas animadas (que não são ruins, mas poderiam ser diferentes). Praticamente todos os personagens e ambientação estão idênticos a revista, dando a impressão de estar vendo cenas extras da obra. Eu diria que um primo distante de fan service, já que a fidelidade e as cenas fazem todo sentido para o filme, diferente do pleno fan service, que só adiciona cenas vazias de conteúdo para acariciar o cérebro dos fãs, sedentos pelo que eu chamo de “Efeito Jack Sparrow” (outro dia falaremos dele).
Ghost World foi publicado no Brasil pela Gal Editora, com capa mole a 28 reais, com cerca de 80 páginas.

Trailer de Ghost World

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