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Batman - O Que Aconteceu Ao Cavaleiro Das Trevas?






Logo no comecinho da revista, ainda na introdução, escrita pelo próprio autor, o grande Neil Gaiman, já me sinto como se ele estivesse escrevendo sobre meu passado. Assim como o autor, também tive como primeiro super-herói o Batman. Em épocas diferentes, mas ainda sim o mesmo Batman e seu mesmo senso de justiça.


Meu pai me comprava algumas revistas em quadrinhos do Batman, aquelas baseadas no desenho animado, que tinham um tom mais suave que as outras, mas ainda sim naquela época me impressionavam bastante. Também me lembro do filme do Tim Burton, com o Pinguim e a Mulher Gato como vilões. As pessoas podem falar o que quiserem sobre a nova trilogia de Nolan, mas aqueles filmes antigos do homem morcego foram responsáveis por cativar boa parte das crianças que nasceram no final dos anos 80. O texto até aqui parece meio confuso, meio sem objetivo, mas sinto que preciso colocar esse clima para apresentar a HQ. Nostalgia é a palavra-chave dessa história.

As pessoas reclamam com frequência sobre este mundo falso onde os super-heróis nunca morrem. Mas por mais que tentem, é impossível matar um símbolo. Um símbolo conhecido por multidões que continuará a existir quando todos nós deixarmos de viver.
A morte do Batman não poderia ser nada além de simbólica. É exatamente o mestre do simbolismo, Neil Gaiman, que fica com a tarefa de criar o Requiém do Cavaleiro das Trevas ao lado do talentosíssimo Andy Kubert.

Batman morreu. Não se sabe exatamente como, nem quando. Um velório é preparado por Alfred, no fundo do bar de Joe Chill, o responsável principal pelo surgimento de Batman. Quem faz o cortejo fúnebre são amigos próximos. Como Batman era um herói de poucos amigos, grande parte das pessoas presentes são os próprios vilões de Gotham, responsáveis por ter dado dor de cabeça ao Herói durante toda a sua existência. Com todas as pessoas importantes para a vida do herói presentes, começam as histórias. Histórias biazarras, erradas, de grande heroísmo, assim como outros finais mais patéticos, tentando explicar como Batman morreu.

Com inimigos como esses, quem precisa de amigos?

Cada um dos vilões vai se apresentando, vestidos a caráter, de forma mais clássica possível (cada vilão tem seu carro temático) e personalidade caricata, lembrando muito as histórias mais antigas, das primeiras décadas de vida do personagem. Eles estão reunidos em uma sala de um universo tão inconcebível, que nem mesmo as histórias contadas pelos próprios antagonistas tem uma conexão lógica, e o espectador, assim como os personagens presentes se perguntam: “Como isso foi acontecer?” Realmente, não faz sentido um herói como Batman morrer.

Mas é aí que Neil Gaiman quer chegar. Heróis de histórias de quadrinhos, especialmente este, não morrem. Por mais que acabem do pior jeito possível, desapareçam, tenham a coluna quebrada, tomem rajadas de tiros, os heróis sobrevivem, já que o mito é o que fica, e a lição que as histórias pretendem passar. Talvez esse seja o principal motivo pelo qual a jornada do herói, criada lá pelos gregos, a tantos anos atrás, ainda seja usada e reutilizada no cinema, teatro, literatura e quadrinhos. São jeitos de apresentar ideais. Esses ideais tornam o herói imortal, mesmo que seja transformado em cinzas, mesmo em um caixão, velado pelos seus próprios vilões.

A edição, que custou apenas 18 Dilmas, em capa dura pela Panini Books, ainda conta com três outras histórias de épocas diferentes, representando outras facetas e abordagens do herói. A primeira, mais caricata, tem o traço sujo e tom sarcástico, mostrando Batman como um personagem-ator, em um universo onde a luta contra o crime é mais um emprego. Escrita pelo roteirista principal de Lobo, a revista ainda conta com a participação especial do anti-herói.

A segunda história fala um pouco da Hera Venenosa e como se tornou o que é (ao menos um pouco). Um psicólogo-policial a entrevista, e aos poucos é enfeitiçado pelos seus feromônios e sensualidade latente, que o levam a quase morrer envenenado. Mesmo sobrevivendo, outro tipo de veneno ficará em sua mente para sempre.

A última história conta um pouco sobre o Charada, que é entrevistado por um grupo de pessoas que trabalham em uma rede de televisão, com o objetivo de fazer um notíciário-documentário sobre os vilões de Batman. A história mais caótica do livro, que também não deixa de ser excelente.

Batman – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? É uma homenagem a tudo que Batman foi. A era de ouro dos quadrinhos, a era de prata, série de TV, desenhos animados. Todos as versões do herói estão aí, todos os personagens em suas diferentes versões estão aí, todos para dizer suas últimas palavras ao herói, em todas suas versões diferentes. Não interessa qual deles você conheça, esta história é para todos.

Boa noite, Batman.

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