Avançar para o conteúdo principal

Sweet Tooth #01



Devo confessar a vocês: Nunca fui muito fã de Furries, criaturinhas antromorfizadas que mesmo que não devessem, andam em duas patas e falam. Por sorte, Sweet Tooth, HQ de Jeff Lemire, sabe a dosagem certa para o sucesso.
Sweet Tooth é a princípio mais uma história em volta do mundo pós apocalíptico. Gus é um garoto nascido depois do flagelo, uma doença que se espalhou pelo mundo todo e invariavelmente mata todos que não tem a imunidade genética. As crianças que nasceram imunes a doença tem um diferencial dos outros humanos: Todas tem características de animais, e não é diferente para o jovem Gus, que tem chifres e orelhas de veado.

Ele e seu pai moram escondidos em uma cabana distante da sociedade, que agora é um local anárquico e bastante perigoso, principalmente para as novas crianças, que são caçadas e levadas para campos de concentração, onde são vitimas de experimentos científicos buscando a cura da doença ou outras coisas piores. Certo dia chega a hora do pai de Gus, que o deixa sozinho para viver em uma terra desconhecida. A princípio, Gus não deixa sua cabana na mata por ordem de seu pai, mas acaba sendo encontrado por caçadores. É quase pego, mas é salvo por um homem a cavalo, que o convida para sair daquele sítio em direção a um local seguro conhecido apenas como “A reserva”. Jepperd, o homem a cavalo e Gus, que é chamado por ele agora de bico doce (tradução do título), que se trata de uma gíria para pessoas viciadas em doces, característica marcante em Gus, que se apaixonou por chocolate no primeiro contato.
Sweet Tooth é uma revista repleta de pontos fortes, cheia de simbologias e paralelos com nosso mundo atual. Nosso protagonista não poderia ser melhor representado pela figura de um veado, símbolizando seu modo aparentemente indefeso, mas também ágil de pensar quando se trata de sobrevivência. A revista faz referência direta a nada menos que Bambi (ou Dandy em Sweet Tooth), animação que pode ser vista inicialmente como uma história para crianças, mas é também um símbolo bastante forte, representando a inocência que se perde na infância em decorrência das experiências traumáticas. Em Sweet Tooth, essas duas características, inocência e experiência, agem como polos opostos na história, estando sempre em conflito a cada novo capítulo da HQ (e talvez na história de qualquer pessoa), mostrando que só se pode preservar uma de duas coisas: a inocência ou a vida. 
Ainda acha o Bambi um maricas?

Ainda no âmbito de suas características antropomórficas, há em Sweet Tooth o sentido de perigo dos seres herbívoros. Gus ainda tem os olhos voltados para frente, mas ainda sim tem um faro para perigo que vem por sonhos, semelhante a visão periférica dos animais herbívoros, que diferente dos animais caçadores, tem os olhos nas laterais da cabeça para poder ver tudo a sua volta com mais facilidade.
Também senti bastante do clima de alguns filmes com personagens indefesos que acabam dando trabalho nas mãos de homens amargurados e perigosos, como em “O Profissional”, filme clássico de 1994 com Jean Reno e Natalie Portman; mas ainda estamos na primeira edição, e tenho minhas dúvidas de como se desenvolverá a estrutura desta série.
Com um roteiro extremamente bem construído por Jeff Lemire, que inicialmente veio do cinema, mas resolveu pular fora da indústria da sétima arte por ser social demais, Sweet Tooth faz seus leitores quererem cada vez mais, e saber o que pode acontecer com nosso protagonista tão carismático que é Bico Doce, transformando a curiosidade em um combustível para uma leitura ágil, mesmo em um universo depressivo e apocalíptico.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

ESPECIAL: Constantine - Ordem de leitura!

Com tanta série vindo por aí, querer conhecer um pouco mais do que está chegando pode parecer uma boa ideia. Saiba o que ler para ter um conhecimento sobre o  mago inglês mais famoso da DC Comics e estar preparado para o que pode vir a ter na série.

Invasão - Por onde começar a ler X-Men

O grupo mutante X-Men é um dos maiores títulos da Marvel e sempre compete pela liderança de maior número de edições vendidas da editora e isso é um reflexo da qualidade de seus personagens e histórias.

Supergirl, Lanterna Vermelha

Não é de hoje que a Supergirl tem alguns problemas em controlar sua raiva e alguns sentimentos mais fortes e, de acordo com o novo escritor de Supergirl, Tony Bedard diz que Kara vai evoluir de uma adolescente cheia de raiva para uma adulta, defensora da Terra. Mas primeiro, ela tem que se livrar dessa fúria da juventude! Cuidado com os spoilers: