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Asilo Arkham



Certa vez estava lá eu, nos meus catorze anos de idade em um curso de quadrinhos, e meu professor de desenho estava com algumas revistas novas que havia comprado. Entre elas, muitas gravuras do artista plástico Dave McKean. Eu me lembro que um dos poucos comentários que eram tecidos sobre as gravuras além dos habituais “excelente”, ficavam em torno de “esse cara é xarope” ou “coisa bizarra”. Eram de fato desenhos impressionantes que marcavam com facilidade a cabeça de um jovem. No meio dessas revistas estava a edição antiga de Batman Asilo Arkham, que tive a oportunidade de folhear, sem ter o azar de ler. Azar no sentido de que provavelmente acabaria não entendendo muita coisa, dada as quantidades de referências, diálogos maduros e vilões obscuros do Batman.  Isso sem falar nos efeitos colaterais que um conteúdo desses pode causar em um pré adolescente.
Talvez esteja sendo dramático demais, mas é um jeito de expressar o quanto essa revista é relevante.

Por sorte, novamente o destino colocou nas minhas mãos novamente essa incrível HQ, agora em versão definitiva pela Panini, com capa grossa, artworks e até uma cópia do roteiro da revista. Ótimo para fãs, melhor ainda para pesquisadores e degustadores de boa arte.
Em Batman, Asilo Arkham, Grant Morrison conta um pouco da história da controversa instituição que envia os bandidos mais xaropes de Gotham para serem tratados, sabe-se lá como. No presente da história, uma rebelião acontece. Liderada pelo Coringa, que de alguma forma consegue escapar de sua cela, este logo trata de soltar todos os outros inimigos capturados por Batman pelos corredores da instituição, protegidos por reféns, sendo eles os próprios médicos. Batman é chamado para lidar com  o problema, e resolve ir sozinho, sem suporte policial, mesmo sabendo que poderá ser uma missão suicida.
Essa revista tem uma combinação forte de texto e arte. Ambos os elementos fazem perfeitamente o trabalho dessa mídia que é a HQ, se complementando, para tornar o material mais emblemático e perturbador. O asilo Arkham é uma instituição que por si só é objeto de discussão de suas funcionalidades. A história do local é regada a eletrochoques e sessões de psicanálise, que são interpretadas pelas artes surrealistas de Dave Mckean que consegue unir colagens, mistura de cores, texturas e desenhos, que complementam a filosofia do roteiro. Esta filosofia coloca nossos pensamentos morais em questão: Afinal, o que é loucura? Quem é louco de verdade e quem não é? Batman, um personagem visivelmente traumatizado em sua infância felizmente para o bem, é o porta-voz da luta contra os homens que agridem a sociedade, e embora íntegro e justo, sofre com seu passado e com a sociedade agressiva em que vive, e por isso acaba tendo que se vestir como homem morcego. Este é um dos pontos de Coringa contra Batman, que são personagens completamente opostos, por tanto, ambos loucos.
Me diz qual dos dois é o nóia.

A revista de Asilo Arkham estuda certamente um tema difícil, que pode requerer mais de uma leitura para absorver completamente suas ideias, assim como interpretar cada uma das gravuras que explodem em cores e referências macabras, ora trazendo memórias infantis, ora combinadas em texturas sangrentas. Vale muito a pena ler, mesmo sendo uma história relativamente curta (um pouco mais de cento e vinte páginas), pois uma experiência como Asilo Arkham certamente vai deixar sequelas na sua memória que demorarão a se dissolver sem antes muito filosofar sobre a vida.

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