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Jennifer Blood 01


 
Meu caro leitor: você gosta de filmes de ação com matança e gore desenfreados? Se interessa por Tarantino? Humor negro despreocupado? Caso a resposta seja sim, esta revista é pra você. Caso a resposta seja negativa, sugiro que passe bem longe de Jennifer Blood.

 
Existem muitos filmes e quadrinhos que são ótimos para se perder tempo, entretanto não nos ensinam muita coisa, ou nos acrescentam pouca filosofia a não ser a “mate o que se move e tem cara de mau”. Não há nada de errado nisso, mas prefiro encaixar este tipo de obra em um patamar diferente de outras HQs e filmes que buscam um pouco mais que isso. Estes filmes são denominados por mim com o termo “muito louco, cara”. Jennifer Blood é um ótimo exemplo.

Como primeira edição de uma série, a narrativa tem ótimos pontos. Boa parte da história é contada em voz over pelas memórias escritas no diário da protagonista e mostram com bons detalhes a dualidade da personagem, que precisa casar sua vida como dona de casa com a vida noturna de assassina vingativa, que perdeu seu pai em um complô de seus tios para tomar o poder dos negócios ilícitos de sua família. Evocamos dessa premissa vários outros personagens conhecidos, e vemos em Jennifer Blood a típica desvantagem de todos os super-heróis, que precisam a todo tempo esconder sua identidade secreta atrás de uma persona insossa. Homem-Aranha e Peter Parker, Clark Kent... temos uma infinidade de exemplos.

Durante o primeiro capítulo da série, li as páginas esperando que a revista tivesse um clima muito mais obscuro do que é na verdade. A revista tem diversos momentos de comédia, humor negro e paródia a outros heróis e filmes do nosso inconsciente coletivo. Não é escrachado a ponto de se tornar Lobo, mas em certos momentos da revista, você acaba se perguntando “afinal, mas que diabos são essas cenas?”, como os diversos momentos da HQ em que o vizinho bizarro de Jen a observa no final do turno de matança. É um conflito de seu cotidiano de dona de casa, que talvez indicaria a nós que a vida normal pode ser tão bizarra quanto a vida psicótica de assassinos.
A quantidade de violência e as formas como Jennifer mata os seus inimigos é um ponto forte desta edição, que ao contrário de chocar, faz o leitor rir das mortes singulares produzidas por Jennifer, que precisa voltar cedo e dormir algumas horas antes de preparar o café da manhã do marido.

Todo mundo tem um vizinho inconveniente.
 
O tempo que passei lendo desapareceu de forma imperceptível, provando que a revista exerce muito bem seu efeito de injetor de serotonina no sangue; mas em suas últimas páginas senti que talvez a história tivesse sido comprimida demais para uma única edição. Em Kill Bill, a história teve de ser dividida em duas partes para que Tarantino pudesse executar bem a trajetória de cada inimigo de Black Mamba. Em Jennifer Blood, o roteiro poderia ter trabalhado um pouco mais a vida de cada um de seus tios, que em muitos casos morreram de forma inexpressiva, sem propriamente haver uma apresentação que cativasse o leitor a ponto de gostar de ver os caras maus serem mortos e estripados impiedosamente pelas mãos de Jen.
Em suma, esta primeira edição de Jennifer Blood é uma espécie de Justiceiro com um objetivos mal justificados de saia e decote agressivo. Mas tenho fé em Garth Ennis, roteirista desta edição e da ótima série, Preacher.




Nota: Muito louco, cara!

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