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Neonomicon




Ao receber a revista, fui alertado por amigos, pela mídia e por tudo que Alan Moore amaldiçoou com sua obra baseada em HP Lovecraft, que não seria uma HQ facilmente tragável. Proibida em alguns países e lojas de comics mais conservadoras por seu conteúdo perturbador e obsceno a níveis de flerte com Marquês de Sade e vários nós na cabeça dados por equações tão lógicas quanto dividir por zero, Neonomicon certamente não é uma revista para o público que se impressiona com pouco.


Existem diversas polêmicas que estão em torno de Alan Moore que nos faz pensar como a HQ chegou nesse ponto. Alguns criticam o peso e o acusam de Horrorshow. Ele como roteirista, assume que só topou o projeto pela necessidade de pagar impostos. Sinceramente, não sinto seu depoimento como uma verdade completa, e posso até questionar um pouco a crítica à violência na história que, de certa forma, se justifica. Peço a você leitor, quando possivelmente adquirir esta edição, tente também de alguma forma decifrar o que se passa na cabeça deste artista que é Alan Moore.

Neonomicon em seu prólogo conta a história de Aldo Sax, um policial disfarçado que investiga uma série de casos de assassinato e esquartejamento no Brooklyn por pessoas diferentes, de formas semelhantes, mas sem ter aparentemente alguma ligação. Aldo segue as pistas que reuniu, chegando a uma espécie de culto/balada onde sem drogas, pouca coisa faria sentido. Sua imersão no lugar o leva a um final infeliz.

Tempos depois, chegamos a históra de Merril Brears, que junto de seu parceiro, visitam o agente Sax em uma instituição psiquiátrica para continuar o caso e descobrir a origem daqueles assassinatos. Entretanto, iriam encontrar neste caso um labirinto muito mais confuso que aparentava ser.

HP Lovecraft foi um escritor genial. Criou um extenso universo de mitos em volta de seres bizarros de planos dimensionais, ou das profundezas dos oceanos que dificilmente poderiam ser descritos pela mente humana. Era um incrível escritor de histórias de horror, e sua maior qualidade em suas obras se dava pelo medo surgir do que não era possível de se imaginar. Lovecraft descrevia as criaturas e acontecimentos sobrenaturais sem se permitir transmitir com exatidão o que era visto, e a imaginação do leitor faria o resto.

Neste ponto, o da livre adaptação, defendo Alan Moore. Pela HQ ser uma mídia com conteúdo gráfico, temos de certa forma uma barreira, um filtro, que faz com que este ocultamento das criaturas desapareça, afinal, se são quadrinhos, é preciso criar um mundo desenhado baseado nessas palavras. Isso torna a adaptação tanto em quadrinhos quanto em cinema de HP Lovecraft muito complicada, e por isso, acredito que uma forma de contornar este impasse seria o uso da violência, que é uma maneira mais superficial, entretanto, muito efetiva para perturbar e causar pesadelos nos leitores. É possível sentir que Alan Moore não estava confortável em escrever Neonomicon, mas também é possível sacar a dificuldade que foi criar esta revista.

São usados diversos elementos de obras de Lovecraft, linguagens e rituais que se misturaram com loucuras de fãs, jogadores de rpg, satanistas, ocultistas e tarados em Neonomicon, que transformam a revista em uma homenagem bastante distorcida a Lovecraft, e uma cusparada na cara dos fãs do autor do culto de Cthulhu que provavelmente em sua maioria abominaram o que foi feito nessa revista.



“Vem! Vem! Vamos brincar de O bebê de Rosemary e trollar fanboys!”

Uma das cenas mais polêmicas da revista, a longa cena do estupro, o ápice do que faz crítica cair com paus e pedras sobre Alan Moore, de certa forma se aproxima bastante da ideia do que Lovecraft fazia em suas histórias, já que a agente Merril não conseguia enxergar o que a atacava pois estava sem suas lentes de contato. Foi uma forma visual de emular o que acontece nos contos de Lovecraft que instiga a mente a criar seus próprios labirintos infernais. Não é totalmente efetivo, mas certamente uma ótima sacada.
Minha humilde opinião fica em cima do muro, mas secretamente trabalha como agente duplo para Alan Moore. Neonomicon é uma revista pesada, seu conteúdo e violência beiram o gratuito, mas é possível enxergar a essência de Lovecraft e admirar seu universo por meio da mente de Jacen Burrows, que executou a difícil tarefa de desenhar os monstros desse universo tão rico e tão misterioso que apenas quem compreendesse “Aklo” conseguiria reproduzir o caos com fidelidade.



Nota: Drh'ngh Vulul, ou talvez mais.




Bons sonhos!


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