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Dark #01


Dark #03 - Panini     (Nota: 9,0)



Liga da Justiça Sombria #1:   (9,0)

O que ocorre quando os heróis tradicionais adentram num mundo de magia pautado pela insanidade e maldade que só as piores entidades sobrenaturais podem gerar?
Massacre. É isto que ocorre quando três dos maiores ícones da Liga da Justiça atual (Superman, Mulher Maravilha e Cyborg) decidem enfrentar este cenário sem o devido preparo, e é com base neste fracasso, que é forjado o caminho para a Liga da Justiça Sombria.

Uma liga constituída por personagens excelentes e profundos como John Constantine, Madame Xanadu, Desafiador, Columba, Zatanna e Shade. A apresentação dos personagens é feita de modo harmonioso, mas não didático como em Batman #1, aqui os personagens são apresentados caindo na ação, mas de modo muito fluído, o que transmite a qualidade narrativa desta revista. Um grupo de anti-heróis que terá de se unir ante a ameaça cruel que se levanta. Um grupo que destoa dos heróis clássicos, trazendo um tom maduro aos novos 52, heróis mundanos, com necessidades mundanas (o aluguel de John), soluções muitas vezes abjetas e reprováveis, como a criação de uma construta para suprir a carência afetiva de Shade, aspecto este, belissimamente retratado, diga-se de passagem! Ou, o subterfúgio em drogas de Madame Xanadu, para evitar a dura realidade que se apresenta (que em muitos heróis clássicos como Superman e Batman, seria enfrentada com um olhar ameaçador e punhos fechando), ou ainda, o estelionato de John.

E agora, Super?
As relações interpessoais parecem ser um polo de qualidade a parte na trama, vez que diálogos sobre vícios e fraquezas são abordados constantemente. A crueldade de algumas cenas, deixadas para o leitor especular, vide pág.11, contribui para expressar a gravidade da ameaça que este seleto time deverá enfrentar, sem tornar a revista grotesca. Sem mencionar no elemento místico acrescentado a trama ao adicionar uma menina misteriosa, com suas músicas, suas visões, seus clones, sua necessidade em falar com um herói morto, tudo isto para dar um grau a mais de qualidade nesta HQ!

Tudo isto para mostrar a maturidade da revista e anunciar que a DC pode tratar de personagens caríssimos da Vertigo (como o Constantine) com fidelidade!



Homem-Animal #1:   (9,5)         
Homem Animal nunca mais será o mesmo depois deste reboot, aliás, com certeza merece agora um lugar ao sol junto dos outros principais heróis da DC, tudo graças ao seu novo começo, de trama surpreendente.

De início, a abertura desta edição é feita de modo totalmente não ortodoxo, temos uma matéria de jornal, mais precisamente uma entrevista que explora alguns dos diversos pontos deste herói (por exemplo, seu ponto de vista político), o que confere uma profundidade maior ao personagem, ao enfatizar sua preocupação com um meio ambiente cada vez mais degradado e o modo como os animais são tratados no nosso mundo, ainda que a conversa seja marcada pelo bom humor.

Após, esta entrevista, nós compartilhamos de um momento familiar do Homem Animal e a sua angústia presente sobre a monotonia de um herói “aposentado”. Enquanto a revista segue neste tom, com uma bela arte em linhas claras, de cores leves e sem muito detalhamento no fundo, para deixar apenas o essencial a mostra.. chega o momento em que a revista subitamente inverte seu tom pacífico, para um desesperador, que começa por Baker verter sangue ao usar seus poderes meta-humanos, até a surpresa desagradável no seu jardim. Esta HQ é de longe um belo tributo ao Baker reformulado por Grant Morrison, e mantém qualquer um intrigado para saber mais sobre o futuro de Buddy e sua família.


Ressurreição #1:   (8,5)

Você pode até já ter ouvido falar nesse herói, mas é pouco provável. Conhecido nos USA como "Ressurection Man", aqui no Brasil ele ganhou o nome de Ressurreição. E ele já teve uma série de revistas na década de 90, mas que eu saiba ele nunca foi publicado por aqui (me corrijam se eu estiver errado). Portanto prefiro tratá-lo como um herói completamente novo.

O conceito do Ressurreição é uma das idéias mais legais que eu já vi de poderes para heróis, ele simplesmente volta a vida toda vez que morre, e a cada renascimento ele renova seus poderes, podendo ir do poder mais incrível para o mais ridículo. Mitch, o nosso herói, não tem idéia de quem ele é, nem porque ele tem seus poderes, nem sobre a força que o empurra para seus objetivos.

Nessa edição ele "sente" que deve pegar um voo de avião, e nessa viagem ele se depara com uma entidade que seria uma espécie de anjo macabro, que tem por objetivo levar a sua alma. Ressurreição vence a entidade graças aos seus poderes magnéticos, acaba morrendo triturado pela turbina do avião. O fato do personagem falhar em salvar o avião e todos acabarem morrendo mostra que ele não se trata de um herói tradicional, isso se ele acabar se revelando um herói de fato.

A parte mais interessante sobre a história é que aparentemente está tendo uma caçada pelo nosso herói, e os dois lados perseguidores, que parecem ser algo como "Céu e Inferno", desejam muito essa alma tão especial do personagem. Mas pelo que vemos nessa primeira edição, ele não está nem um pouco disposto a abrir mão de sua alma e quer descobrir oque
diabos está acontecendo com ele. E a visão dessas criaturas mágicas e aparentemente "angelicais" nessa primeira edição trazem muitos aspectos da Vertigo, onde os anjos conseguem ser tão ruins, ou piores, que demônios.

Os desenhos de Fernando Dagnino são realmente lindos e impressionantes, conseguindo dar um ar único para a história, com muitas sombras e detalhes com traços levemente sujos, além da coloração trazer um ar bastante “sombrio” para a história com muita eficiência.

Com roteiro de Andy Lanning e Dan Abnett, os criadores do personagem na década de 90, essa primeira edição cria muita curiosidade e interesse pelo personagem. A revista promete ser uma jornada mística com muita ação, e mortes, para o personagem.


Eu, Vampiro #1:   (9,0)

Eu, vampiro é um alívio e um deleite para os olhos. Um alívio porque depois de uma verdadeira febre na literatura mundial, bem como no cinema com filmes.. de gosto e qualidade duvidosos, chega até nós da nona arte, uma obra bem feita e fiel ao melhor estilo do que temos de mitologia vampírica, uma obra inspirada nos livros insuperáveis de Anne Rice, referência no tema, com monstros retirados do mundo de Bram Stoker, tem como não sair coisa boa?

Eu, vampiro é uma obra apocalíptica, nota-se isto desde o tom das cores empregadas, passando pelas falas (muito bem construídas, cada diálogo é excelente!) que expressam a dor da separação em um relacionamento que já dura séculos, até chegar aos conflitos, fatais por excelência, e repletos de uma violência cruel e impiedosa.
Perfeito para todo fã de Crepúsculo

A arte é de uma qualidade estonteante, lembra Jae Lee em muitos aspectos, quem gosta da arte dele, não irá se decepcionar aqui. Esta primeira edição serve bem pra uma introdução de personagens e já dá o ritmo da música, o conflito entre a humanidade de Andrew e o seu amor pela Rainha do Sangue é apenas um elemento explorado, outros virão com o avançar da série,  não resta a menor dúvida, já que as ameaças parecem ser bem sólidas e nada vazias, o que fará com que a humanidade de Andrew seja posta em cheque, muito em breve.


Monstro do Pântano #1:   (10,0)

É impossível falar dessa revista sem falar um pouco do personagem icônico que é o Monstro
do Pântano.
Criado em 1971 por Len Wein e Berni Wrightson, ele foi uma das tentativas da DC criar um
lado da editora com criaturas fantásticas, mas graças as baixas vendas da época, a revista foi
cancelada. Mas o personagem foi imortalizado de fato na década de 80 quando Alan Moore recriou o
conceito da criatura e fez umas das HQ’s (senão a mais) mais icônicas da DC/Vertigo. Com histórias cheias de questões filosóficas, que faziam os quadrinhos deixarem de ser somente entretenimento, e sim veículos de histórias reflexivas e profundas. E agora o escritor Scott Snyder decide resgatar o Monstro do Pântano de Moore, e ele faz isso
com perfeição.

Mas essa primeira edição não é sobre o Monstro do Pântano, e sim sobre o homem que encarnou a criatura, Alec Holland.
A predominância da narração dessa revista é o monólogo, onde o personagem consegue demonstrar o seu passado juntamente com a questão da natureza viva. A memória dele falando sobre as flores gritando, ao mesmo tempo que são mostradas cenas de aves, morcegos e peixes morrendo é simples e chocante.

Outra parte importante da edição é a conversa de Holland com Superman, que vem pedir que ele volte a ser o Monstro do Pântano para salvar vidas e ser um herói, mas Holland só quer ser deixado em paz (temos até uma pequena referência ao evento pré-reboot: O Dia Mais Claro).
E a maneira que o personagem retrata a natureza para o Superman é surpreendente:
Ela é retratada como algo violento e cruel, uma força que passa por cima de tudo para crescer e dominar o ambiente.

O antagonista ainda não é revelado nessa edição, mas sua natureza sim. Sendo uma espécie de “avatar da podridão”, esse ser parece ser feito de diversas criaturas mortas e tem a capacidade de fazer pessoas cometerem suicídio com uma simples mosca, transformando elas em escravos-mortos de sua vontade

Yanick Paquette faz um trabalho de desenho absurdamente fantástico, as cenas dos animais mortos, da “podridão” e até a natureza estão completamente lindas nos seus traços. Um dos melhores artistas dos Novos 52 sem sombra de dúvida.
E Scott Snyder prova que ele é o melhor escritor do reboot com essa edição, porque além de fazer um trabalho excepcional com Batman, aqui ele trás de volta o Monstro do Pântano de Alan Moore. E logo nessa primeira edição ele já consegue misturar reflexão com terror em uma história densa e completamente envolvente.

Quem chamar quando nem a Liga da Justiça sabe oque fazer?


Crítica por: Rick e Sid

Comentários

  1. Otimo review estava esperando por ele.
    Assim que li este mix ele se tornou um dos meus favoritos. Homem Animal e LJD foram os que mais me chamou atenção, de inicio.
    Eu, Vampiro fiquei com preconceito porque como vc disse atualmente a imagem dos vampiros foram estrupadas e denegridas, e a capa não me agradou muito, mas eu li e achei bastante interessante a #1.

    Dica: Pow vei, verde limão não dá. Fiquei chorando aqui na frente do pc. Pra fundos brancos, use cores escuras. nosso olhos agradecem :)

    ResponderEliminar
  2. Olá Felipe, então Homem animal é sensacional, não é mesmo? Continua acompanhando? Acredito que este desenvolvimento do vermelho, do verde, e do podre no universo da DC dão uma revitalizada no cenário dos heróis sem precedentes, é uma outra abordagem pras tramas, e daí podem surgir diversos arcos instigantes, com uma fórmula outra do que a magia e o espaço sideral, algo mais visceral, a verdade sobre a realidade da vida, despida de todos os elementos metafísicos que estamos habituados a trabalhar =D

    Haha anotado quanto ao verde limão! E, continue acompanhando Eu, vampiro, não se arrependerá! Abs!

    ResponderEliminar

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