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Superman - #01


Superman - #01 Panini                                                        (nota: 8,5)

Superman #1:

            Honestamente, eu esperava muito da primeira revista do superman mix paninão, porque não abrir com Action Comics que conta a origem do herói, suas preocupações, motivações? Enfim, nem tudo é perfeito, e assim começamos o review de Superman #1.

            Se os senhores esperam uma HQ do superman, lamento desapontá-los, porque aqui ele parece mais um figurante do que um ator coadjuvante, e olha que nem to falando do protagonista que ele deveria ser...

             A história, sucintamente, aborda a destruição do antigo prédio do planeta diário, a aquisição deste jornal por uma super companhia de mídia, que por sinal, é sensacionalista e nada compromissada com os valores éticos do Planeta Diário, daí o superman ser um personagem mudo (nesta edição), cheio de stress e praticamente um desaparecido na trama desta revista, a não ser pela breve batalha na qual ele é jogado.
            
           E, quem é o protagonista dessa épica edição número Uno? Ninguém menos do que Lois Lane... Lois Lane comanda a ação nesta revista, o foco é nitidamente dela, apontada como vice-presidente de novas mídias da super multinacional, Lois comanda a ação organizando as câmeras, trazendo o foco para a luta de superman. Lois, então entra em conflito com seu chefe, Le presidente da multinacional, para “salvar” seus subordinados em helicópteros de serem atingidos pelo demônio de fogo, mandando eles só vazarem da zona de conflito.. enquanto o presidente manda eles irem pro pau, cobrirem a matéria.

            Logo, o grande problema desta revista é a falta de foco no personagem certo. Esta HQ é sobre a Lois ou sobre o Super? Ninguém, absolutamente ninguém quer saber do conflito de valores éticos entre a Lois e o seu novo chefe.

            Sim, é claro que a Lois representa a ética na mídia social, e leva consigo o Planeta Diário como estandarte disto, mas não precisava ter isto na primeira revista do Superman.

            Por sua vez, um ponto a favor da revista são os antagonistas, misteriosos e interessantes, um deles, inclusive falando na língua de superman! ISSO SIM, agora estamos falando de superman. Apesar da conclusão célere deste antagonista kryptoniano, fica lançada a idéia de que vem mais coisa do universo de Krypton pra assombrar Super nas próximas edições, o que eu achei fantástico, pois dá uma solução alternativa e bem mais interessante do que a incansável receita Lex + Kryptonita ou Sol vermelho.

            Outra coisa que merece destaque é o uso da narrativa extensiva de George Perez, que  dependendo do tipo de leitor, pode ser algo excelente ou horrível, em breve síntese, ele narra todos os movimentos físicos de superman, não deixa isso só pro desenhista interpretar e boa. Ele narra o drama do momento, o que para alguns é chato e desnecessário (porque você procura o drama do momento físico, literalmente no traço do desenhista e não no quadrado), para outros pode ser interessantíssimo, pois não esgota a cena na arte pictórica, vai além, joga um pouco da sua imaginação pra complementar o que já é visto, adicionando uma segunda camada à arte.

            Como as mudanças são inevitáveis, e esta, a meu ver, não é abominável, melhor interpretar da melhor forma possível do que reclamar eternamente, não? Apenas espero que isto não se torne um atributo negativo da revista nas próximas edições, ou seja, que o Desenhista use isto como muleta e faça desenhos cada vez mais mediano, porque afinal, as questões físicas já estão solucionadas na narrativa escrita, porque caprichar tanto na linguagem gráfica?

            Por fim, vemos o drama pessoal de Kal-El, ao presenciar Lois com seu novo namorado, em uma cena, no mínimo constrangedora, afinal, não fica dificil imaginar o que seria a “comemoração” interrompida que o garotão da Lois menciona.. e pasmem, momento seguinte, Lois indica que Clark vá comemorar, também, com alguém...Neste contexto, Lois mostra um perfil completamente diferente da antiga Lois, da qual já não gostava muito e parece que existe, agora, uma tendência a piorar. O palco está montado para um possível superman mais taciturno, como reflexo dessa paixão negada (aliás, ele já estava assim antes da palavrinha comemoração, imaginem depois).

            Resta esperar que o Super ganhe destaque, a Lois suma da ...ganhe menos destaque (junto com toda calhorda de repórteres e papo de política de jornal) e, que os vilões continuem se mostrando tão interessantes quanto neste primeiro contato.


Supergirl #1:

Esta edição é guiada a partir dos pensamentos de Kara-El, que conferem dinamismo e imersão, ao aparente sonho de Kara, a narrativa é tão fluída que lembra um filme de ação, sem fatigar o leitor com monólogos exagerados e desprovidos de propósito (como na superman #1). Com certeza, vale cada centavo posto nela.

Um ponto a se elogiar, é o aspecto psicológico convincente de Kara-El, completamente verossímil na sua apresentação. Sua chegada na terra, não é tida como algo natural, previsto por quem a colocou na nave, mas como uma continuação de seus sonhos, factível se considerarmos que ela estava em estado de hibernação a X anos, desde a galáxia kryptoniana até a Terra.

A neve siberiana contribui na elaboração deste ambiente onírico, conjuntamente com os robôs que falam com ela numa língua desconhecida, reforçando este aspecto, todavia, tão logo o sofrimento lhe atinge ela se vê forçada a lidar com o ambiente que passa de um sonho para um pesadelo, em poucas viradas de paginas.

A surpresa provocada pela dor, que corta o ambiente até então agradável, de memórias familiares, para um de sofrimento e estranhos mal intencionados, é suavizado com a descoberta de poderes que a colocam num estado de perplexidade e superioridade nítida.
 
Pegaram a idéia?

            Ressalte-se que a arte nesta revista é de excelente qualidade, o artista Mahmud Asrar consegue deixar a supergirl sensual, na medida certa (ou seja, sem outros atributos super, if you know what i mean), e muito natural com seus poderes recém-adquiridos, além de colaborar na narrativa com cenas rápidas que fazem com que esta leitura voe e seja muito agradável.

            A trama em si, é excelente, especialmente se manter o padrão nas próximas revistas, (com excelentes desfechos como este), ainda mais, se privilegiarem as reflexões da personagem diante da sua nova realidade, do ponto de vista cultural-ético e pessoal, enquanto lida com os antagonistas, aprofundando a personagem, a ponto de torna-la tão interessante quanto o próprio Superman. Neste ponto, espero que esta revista contribua tanto para o conceito de Kara-El e à mitologia kryptoniana, quanto legado nas estrelas contribuiu para Kal, especialmente, pelo fato dela ter saído de lá jovem, e não como uma criança.

*Pra dizer que nem tudo é perfeito...Lá vão eles de novo, a galera da tradução com seu Kryptonês (escrito na legenda do idioma de Kara..- de novo? ver Superman #1) parece que vai ser oficial aqui nas terras brasilis, o nome desta língua.. E, não Kryptoniano.



Action Comics #1:

Esta edição está excelente. Nela, Grant Morrison reinventa o maior herói de todos os tempos, a partir do conceito ético-moral de Kal-El.

Acredito que a maior inovação de Kal nesta edição está no seu aspecto humano, Kal desde a sua criação sempre esteve associado à ideia de Aquiles, um herói grego com uma única invulnerabilidade, assim como Kal no passado (kryptonita), a diferença, além das óbvias, dava-se no campo moral, enquanto Aquiles era um bravo guerreiro imbatível assim como superman, este não possuía humildade, e suas lutas eram travadas para glorificação do seu ego, para que um dia fosse eternizado por meio de seus feitos, ao passo que Superman, nunca fez nada para si, muito pelo contrário a criação de seu alter-ego Clark Kent revela o seu mais puro desejo de ajudar, sem esperar nada em troca, pois tão logo termina suas aventuras retorna ao seu humilde disfarce de repórter quase anônimo de um jornal de grande circulação.

Pois bem, Kal, nesta edição, está ainda mais próximo dos terráqueos, seus padrões morais sempre foram excelentes por definição, nunca ouve dúvidas em relação as suas condutas, se estas eram corretas ou não, porém o que vemos nesta edição é um Kal mais vingativo, que não satisfeito em impedir o agressor, e levá-lo a prisão, como bom escoteiro que sempre foi, ele agora “dá um troco”, não confia tanto nas instituições humanas, considera elas falíveis, corruptíveis, por vezes merecedoras de punição, não com a morte de seus membros é claro, estamos falando de um Kent afinal.. mas por que não algumas costelas quebradas? Por que não usar do terror/medo/ameaça como instrumento pra obter a verdade? Algo difícil de pensar no leque de opções do superman tradicional.

Neste sentido ele está mais humano, humanos não são perfeitos por definição, buscam ser, e é, nesta ótica, que Grant Morrison aparentemente quer nos guiar, vemos o início de uma lenda, Superman, o homem do amanhã!

Logo, vemos um superman bem mais frágil do que o normal, um superman que não voa, que salta por longas distâncias, que não é invulnerável a todo e qualquer dano, ele sofre claro, não muito, mas pode chegar à inconsciência por meios mundanos (graças ao bom deus, aquela invulnerabilidade já estava cansando). Morrison optou por deixar de lado o combo Anti-Super, leia-se: Kryptonita + Sol vermelho + Magia + Luthor = Kal Morto. Ainda, não sabemos se o seu perfil vingativo e mais agressivo permanecerá, mas com certeza esta é a maior mudança de superman. 

Outro ponto, a ser comentado é a sua preocupação social, Superman por ser invulnerável no passado recente pré-reboot, comportava enormes problemas para os roteiristas, para gerar histórias interessantes (ou não) para este tipo de herói, os roteiristas se viam obrigados a usar a fórmula Anti-Super, mencionada acima, ou elevar o nível das desgraças para um plano macro, numa escala macro, com fontes em capslock, todas as questões revolviam-se em crises governamentais, em problemas de transnacionais, em redes de organizações criminosas globais, não se via muito super auxiliando na escala micro, por que não trabalhar com o aspecto humano de Superman, usar de seus valores morais tradicionais para encarar novas realidades humanas. Superman – paz na terra, é um grande exemplo disso.

Em uma das passagens desta edição, vemos o sutil toque de Morrison para refinar este aspecto de  Superman, onde Kal salva pessoas de um prédio marcado para demolição. O que temos de diferente aí? Não é um arranha céu comercial, nem um prédio comum, mas um prédio para demolição, ocupado por pessoas miseráveis que sequer tem uma casa para habitar. Se este aspecto, ainda que tênue, na leitura se perpetuar a revista só tende a engrandecer. E, de fato, consolidar o perfil heroico de superman.

Mas a revista não para por aí, como símbolo da reciprocidade humana para o bem, uma multidão, composta por aqueles miseráveis, salvos por superman, num momento anterior, agora, em uma bela cena, se posicionam para protegê-lo de uma destruidora derrota. Algo raro, afinal quando foi que superman precisou de proteção humana?

Por fim, mas não por último em ordem de importância, Lex Luthor está excelente, com argumentos inteligentes, ele lidera a operação militar que persegue Superman, seu ponto de vista, chega a ser razoável, e compreensível, xenófobo alguns diriam, mas dentro dos limites do aceitável, seus argumentos são coerentes para promover a captura e possível aniquilação de Superman.


Com um final tão instigante quanto Supergirl, esta revista promete ainda mais. Expectativas satisfeitas, agora é hora de ir além e claro, continuar o bom trabalho.


Desculpem-me pela demora para lançar este review, mas para uma grande revista eu precisava de um grande texto.
Crítica por: Rickhart

Comentários

  1. É interessante ver a nota no início do texto, isso dá um interesse no "por quê".
    Mandou bem!

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  2. Otimo Review, eu li também e gostei, não fiquei muito confuso pq o super é o que mais conheço do universo dc. ai ta blz.
    Agora o Super de Grant Morrison, Ele se encaixa aonde? é um universo paralelo? Pq na liga da justiça vemos o outro Super da AC, logo esse é o super desse universo, linha temporal, que seja.

    :) ótimo post, parabéns

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  3. Obrigado! Bem, com relação a sua pergunta, ele se encaixa no mesmo universo dos demais, apenas temporalmente falando, ele se encontra no passado de superman, são seus primeiros anos na pele de um super herói. E, como opção de Grant Morrison ele preferiu basear esse superman(de início de carreira) no super do começo dos quadrinhos, onde ele não voava, apenas saltava (ainda que por longas distâncias), era rápido, mas nem tanto, forte, mas não absurdamente forte, e por aí vai.
    Ou seja, os supers da liga, da superman#1, e da supergirl #1, estão situados no mesmo ponto da linha temporal, tempo presente, sendo o mesmo super, enquanto que o super da action comics, está situado no passado.
    O propósito disto(abordar o passado), a meu ver é dar uma profundidade ao personagem do super e seu legado kryptoniano, como visto em diversas revistas como paz na terra e legado das estrelas.

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  4. Massa, vlw
    gostei, ver um passado do super bem "diferente" :) vai ser bastante interessante

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  5. Eu nunca tinha lido nada que seja somente do Superman. Nunca fui uma grande fã do herói, apenas assisti os filmes
    e ok. O que eu mais gosto em suas histórias realmente é Lois Lane. Então não é de se surpreender que eu tenha
    adorado essa história. Superman não tem o maior foco, é coadjuvante em uma capitulo sobre o Planeta Diário. A luta
    do Superman foi contada a partir da matéria que Clark fez para o jornal, e deu um toque bem legal e deixou
    a história longa. Eu particularmente gostei, deu espaço para um roteiro bem trabalho e ação. Há toda uma mensagem
    sobre novas midas sensacionalistas e o bom e velho modo tradicional de se fazer as coisas. Talvez não seja o que
    todos esperavam de Superman 1#, mas para mim, uma nova leitora do herói, funcionou muito bem.
    Quanto a Supergirl, isso sim é uma história que voltou desde o começo. Gostei também, tem ação o tempo todo e ainda assim um roteiro legal, que te deixa curioso querendo saber mais sobre a Kara.
    E enfim Action Comics. Como já citei, sou uma novata em termos de Superman. Justamente por ter uma ideia dele ser indestrutível e talz e achar isso meio sem graça. Então, adorei ver ele assim, no começo, sem todos os seus 7487575457 poderes, fazendo coisas simples e ainda sendo meio "mal" jogando vilões de prédios (mas claro, ele o pega de volta, é o Superman!). Conseguiu me convencer a continuar acompanhando coisas do heróis.

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    Respostas
    1. Lois Lane?! ok, adoraria ver o seu ponto de vista a respeito da Lois, eu sempre considerei ela um tanto picolé de chuchu (sendo mais simbólico do que analítico), mas se vc pudesse me falar sobre as histórias que vc tem ela em alta conta, eu adoraria ler a respeito, aliás, fiquei sabendo recentemente que a Lois Lane é mestre na arte marcial Kryptoniana Horu-Kanu, que a vilã Faora (sim, a do filme man of steel) sabe lutar...tipo, 3 perguntas: QUANDO,ONDE,PQ? haha bem gostei da sua análise a respeito das outras hqs e fico feliz que vc se animou a acompanhar o último filho de krypton e um dos melhores da terra =D!
      Agora pra Lois capturar o meu respeito, só cobrindo matéria de guerra, peste e fome nos países subdesenvolvidos e traçando umas relações políticas disso com os países desenvolvidos, no melhor estilo do filme "O jardineiro fiel", entende?

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