Avançar para o conteúdo principal

A Sombra do Batman - #01

A Sombra do Batman - #01 Mix Panini                                       (Nota: 9,0)

Batman & Robin #1:

Essa revista logo de cara já tem um elemento que garante o interesse pela mesma, a dinâmica de pai e filho - para os que não sabem, Damian Wayne é filho da Talia Al Ghul com Bruce.
Antes do reboot, a revista explorava muito bem a relação de Dick Grayson como Batman e Damian como seu Robin, mas agora iremos ver finalmente como os problemas de Bruce com seu filho vão se desenrolar.

Os escolhidos para lidar com isso não são ninguém menos que Peter J. Tomasi e Patrick Gleason, responsáveis pela melhor fase da Tropa dos Lanternas Verdes.
A arte está linda e fluida, a coloração está ótima e com muitas sombras, como toda história em Gotham devia ser.



Os problemas de disciplina de Damian continuam, mas anteriormente com Dick o personagem estava amadurecendo, agora a volta do pai trouxe a teimosia e a falta de respeito com força total. Bruce tenta estabelecer laços com seu filho, falando sobre o passado e expondo sentimentos, mas só tem reações frias e até um pouco de zombaria.

Apesar disso a revista apresenta certa dificuldade para quem não leu Batman nos últimos meses. Não temos explicação sobre o Damian, não temos explicação para a criação da Corporação Batman, sendo que são apresentados Batmen de outros países nessa mesma edição.

A trama está extremamente interessante, com um novo vilão caçador de Batmen assassinando diversos heróis pelo mundo e indo atrás de Bruce. Há cenas pesadas dos assassinatos dos heróis, dando um grande peso para esse novo antagonista. Batman, por sua vez, tem seu próprio filho como problema para resolver sem se envolver muito mais nessa trama que está sendo criada.

Mas apesar dos problemas de introdução, é uma ótima HQ pra quem quer mais leitura de Batman de alta qualidade, mostrando toda uma área da vida do herói muito pouco explorada anteriormente e abrindo possibilidadescriativas incríveis.


Batwing #1:

Batwing é um herói derivado da série “Corporação Batman”, onde Bruce Wayne recruta vários heróis ao redor do mundo para sua equipe de Batmen. Tendo recebido sua armadura do próprio Batman, David é um policial honesto africano que vê uma real chance de fazer a diferença.

Ele tem sua própria versão de “Bat-caverna”, seu ajudante como uma versão mais maneira do Alfred e um vilão sádico e perigoso logo nessa primeira edição, o que torna a revista muito rica criativamente. Já conseguimos entender toda a dinâmica da vida do novo herói, algo que é excelente para uma primeira revista. 

A equipe dessa HQ está excelente. Judd Winick nos roteiros faz um trabalho muito bem feito, de modo que cria toda uma história de heróis africanos anteriores a David, e, com um roteiro fortíssimo, consegue nos fazer entender como o personagem pensa, sem dificuldades para o leitor.
Mas o desenhista ainda assim Ben Oliver merece o maior destaque, com uma arte belíssima e extremamente detalhada, ele faz com que a revista seja quase uma experiência cinematográfica.

Um dos elementos mais interessantes é a demonstração da violência africana, com cenas bastante pesadas já nessa edição. E em meio a esse ambiente hostil e perigoso é muito interessante ver um simples policial ter a chance de mudar o destino das pessoas como um herói, aprendendo até como usar o medo ao seu favor com ajuda do Batman.

Batwing foi uma enorme e excelente surpresa, mostrando que o universo do Batman ainda tem muito a oferecer, mesmo com novos heróis.


Batgirl #1:

De todos os heróis do universo do Batman, essa foi sem dúvida a que mais mudou com o reboot. Bárbara Gordon tinha se tornado Oráculo depois da consagrada “Piada Mortal” de Alan Moore, onde Coringa a deixa aleijada. Como Oráculo, ela amadureceu e mudou muito como pessoa, se tornando um dos personagens mais importantes para os heróis da DC.

Agora, com reboot, a decisão foi trazê-la de volta as origens, como Batgirl.
Gail Simone é a roteirista dessa mudança radical na vida da heroína. Mas o que era pra ser uma história impactante acaba se tornando uma história superficial e cheia de “alegria”. Os desenhos do Ardian Syaf simplesmente não tem nenhuma graça, sem nenhum toque pessoal. A coloração está extremamente brilhante, não combinando nada com o clima de Gotham City.
Tenho uma crítica especial ao desenhista, olhem a página 51 da revista e prestem atenção no assassino chamado Fantasma. A máscara dele está completamente mal desenhada sobre a cabeça do personagem, além do fato de na página seguinte a máscara mudar um pouco.

Esse tipo de detalhe separa desenhistas medíocres de bons desenhistas.
Na trama escolheram sabiamente manter a “Piada Mortal” na cronologia da personagem, porém ela nunca ficou aleijada, apenas paralisada por um três anosRetornando como Batgirl, ela perdeu toda a maturidade que tinha como Oráculo, se mostrando como uma heroína inexperiente e traumatizada com o tiro do Coringa que quase mudou sua vida.

De personagens coadjuvantes temos um novo vilão chamado Espelho, que é uma espécie de vingador de pessoas que cometeram erros nos passado, mas não consegue ser impactante como os dois novos vilões das revistas anteriores. Além dele, tem a colega de quarto de Bárbara, que dá todo o ar jovial que foi escolhido como tom dessa HQ.

Apesar de tudo, a personagem é bem introduzida para novos leitores, e os mais jovens com certeza vão gostar da história. Já na minha concepção, Bárbara Gordon estava muito mais interessante como Oráculo do que como Batgirl. Torço para que esse lado genial dela não tarde a aparecer nessa revista.


Mulher-Gato #1:

A Mulher-Gato sempre foi um ícone das personagens femininas. Tendo um enorme apelo sexual, ela sempre representou a sensualidade e independência da mulher.
Mas mesmo com isso, essa claramente não é uma revista feita para mulheres, a não ser que consigam admirar a constante ausência de roupas da anti-heroína.

Judd Winick continua mantendo um roteiro interessante, mas não com tanta força como fez com Batwing. Nesse caso, ele mudou um pouco a história dela para o reboot, fazendo com que ela não conheça a identidade verdadeira do Batman.
Mas, novamente, quem rouba a cena é o desenhista Guillem March. Deixando a personagem constantemente com pouca roupa e o mais sexy possível durante toda a revista.

A trama dessa revista não começa exatamente nessa edição, que se concentra mais na personalidade e estilo de vida da Selina. A HQ mostra ela perdendo seu apartamento, procurando novos trabalhos e se vingando de um cruel mafioso russo. A edição consegue pegar exatamente os dois aspectos principais da personagem: a sensualidade e a agressividade,  mostrados muito bem enquanto ela espanca o mafioso até a morte.

Comporte-se, Mulher-Gato!
Destaque especial para a  sequência final da revista, onde Batman aborda Selina perguntando o que ela anda fazendo e ela reage se jogando completamente em cima dele. Resultando em uma cena de sexo com os dois fantasiados, que causou choque entre os leitores americanos.

Acredito que muitas pessoas podem ficar nervosas com a sexualidade excessiva mostrada nessa edição, mas eu achei que trouxe um elemento divertido e atrativo para a personagem. A edição introduz bem a anti-heroína e diverte o leitor.
Não é nenhuma obra de arte incrível como outras HQ’s, mas não é nada ruim.


Capuz Vermelho & Os Foragidos #1:

Essa é uma equipe completamente nova, com alguns personagens rebootados e outros não. O tema parece ser uma mistura de Renegados com Novos Titãs, misturando essa agressividade com a rapidez e diversão jovial.
O que esperar de uma revista assim? Ação desenfreada?
Com certeza!

A revista começa num ritmo aceleradissímo, com o Arqueiro Vermelho sendo resgatado de uma prisão no Oriente Médio pelo Capuz Vermelho e a Estelar. A ação é frenética e muito bem executada, ocorrendo de uma maneira muito parecida com a de filmes de ação atuais.

A sensualidade é também outro ponto forte nessa revista, com a personagem Estelar. Ela está mais fria e agressiva do que era antes do reboot, mas também mais sexualizada, mais liberal. Havendo até a cena polêmica em que ela oferece sexo casual para o Arqueiro Vermelho de uma maneira completamente gratuita. Mas a distância excessiva com os humanos, um novo elemento na heroína, deixou ela basicamente como uma personagem gostosa e sem carisma.

Enquanto o Arqueiro Vermelho mudou muito do que era visto na DC pré-reboot, ficando mais malandro e descontraído, o Capuz Vermelho continua da mesma maneira que era anteriormente, um anti-herói violento e cativante.

Scott Lobdell faz um roteiro muito interessante e divertido, apesar de não explicar nada da origem dos personagens e nem esclarecer um objetivo para a existência desse grupo, ele consegue criar uma história de bom ritmo e convidativa.
Os desenhos de Kenneth Rocafort são perfeitos para esse tipo de história, com traços bastante pessoais e dinâmicos, com certeza são o ponto mais alto (além da página dedicada a mostrar o incrível corpo da Estelar) da revista.

É difícil uma revista não oferecer explicação alguma sobre o grupo e conseguir divertir tanto. Essa com certeza foi mais uma ótima surpresa. E, com mais explicações e desenvolvimento, com certeza pode se tornar uma das revistas mais divertidas da DC.


Asa Noturna #1:

Dick Grayson é um personagem que evoluiu muito ao decorrer dos anos, de Robin para Asa Noturna, e de Asa Notura para Batman. Sua fase como Batman foi muito bem recebida pelos fãs, tanto que ele continuou com o manto de Batman mesmo após o retorno de Bruce, deixando assim dois diferentes Batman existindo ao mesmo tempo. 

Com o reboot, a decisão foi trazer ele de volta ao manto de Asa Noturna, algo que eu temia muito. Mas, depois dessa edição, todo meu temor acabou.
Kyle Higgins mostra no roteiro que o personagem ficou mais forte e mais maduro voltando a ser Asa Noturna, criando na primeira edição a explicação disto para os antigos fãs, introduzindo o personagem para os novos leitores e criando uma trama envolvendo um novo vilão e o passado do herói — basicamente um roteiro completo e perfeito.
Os desenhos de Eddy Barrows estão em ótima forma, possui uma movimentação incrível e ótimos traços que se adaptam a situações de sombra e luz, o que completa a revista magistralmente.

Um dos elementos mais interessantes da edição é colocar o passado no circo de Dick de volta à tona, criando uma base sólida e muito interessante de histórias para os leitores, pois trabalha com o passado pouco conhecido do herói, ao mesmo tempo em que consegue mudar o presente do herói de uma maneira empolgante.

Mas com certeza o ponto forte da revista é a reafirmação de status de Dick Grayson como Asa Noturna: o personagem está muito rico criativamente e reflete muita força e conhecimento adquiridos, conseguindo ser um herói muito parecido e ao mesmo tempo muito diferente do Batman.

O trunfo dessa HQ foi o sucesso ao reverter mudanças no herói que haviam sido muito bem recebidas pelos leitores, fortalecendo o Asa Noturna como um herói -definitivo e único - na DC.


Batwoman #0:

Essa é a minha heróina favorita da DC, e ela nem tem muito tempo de vida nas HQ’s. Surgiu como uma heroína em Gotham completamente desvinculada do Batman e conseguiu um espaço por um tempo na revista Detective Comics. Agora finalmente ela tem a sua tão merecida revista.

Essa edição consegue fazer conexão com tudo oque aconteceu anteriormente na vida da personagem, além de mostrá-la para os novos olhos através de um observador da edição, o próprio Batman.
A escolha do Batman como observador é incrível! Mostrar que mesmo o maior detetive da Terra tem dificuldade em descobrir a identidade da heroína e deixá-lo como narrador da revista traz uma perspectiva nova e ao mesmo tempo familiar para a personagem.

J.H. Williams III, na minha opinião, é o melhor desenhista da atualidade, possuindo uma textura de desenho completamente estilizada, exuberante e única. A composição de quadros dele são incríveis, sempre escapando do estilo normal e usando novas soluções. Como roteirista, consegue fazer um trabalho tão bom quanto, mostrando a personalidade da personagem mesmo sem esta proferir uma só palavra em toda a edição.
A desenhista que divide os desenhos da edição com ele, Amy Reeder, também faz um belíssimo trabalho, dando um estilo pessoal para a vida diurna da Batwoman que combina perfeitamente com a história.

Entendem por que eu gosto tanto da arte dessa revista?
A história não tem um começo de uma trama, mas apresenta a personagem com louvor, mostrando situações tanto da sua vida pessoal comum como o estilo de heroína que ela é, corajosa e inteligente.

É sem dúvida a personagem mais recomendada para a leitura para qualquer fã de Batman, tendo uma qualidade de desenho e de roteiro beirando a perfeição.


Conclusão:

Esse foi o mix mais forte desse mês, apresentando diversas histórias do universo do Batman muito interessantes e mostrando que existe muita coisa excelente além do Homem-Morcego para ser mostrada.

E, mesmo sendo um mix de sete revistas, não é nada cansativo e te deixa muito ansioso por mais. Recomendo novamente que esse é o melhor momento para começar a ler Batman.

Para os que querem conhecer mais sobre o filho do Bruce recomendo o encadernado “Batman & Filho”. E para os que querem ler uma das melhores histórias do Batman e ver como a Batgirl quase ficou paraplégica, leiam “A Piada Mortal”.


Crítica por: Sid 

Comentários

  1. Gostei de Todos.
    A Batwoman antes de ler não dava nada por ela, simplesmente perfeito. Espero que a qualidade continue assim.
    Bat e Robin vai ser bastante interessante o desenvolvimento de pai e filho.
    Batwing gostei bastante, alias existe varias gothas da vida real. vai ser interessante abordar uma politica de um continente que vive nesse regime politico.
    Asa noturna, gostei, mas querendo entender qual é a do simbolo vermelho, sempre foi azul?
    Catwoman simplesmente complicada e perfeitinha como sempre foi, gosto bastante dela e o finalzinho, pokerface misturado com megusta, pra quem nunca leu a revista dela.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

ESPECIAL: Constantine - Ordem de leitura!

Com tanta série vindo por aí, querer conhecer um pouco mais do que está chegando pode parecer uma boa ideia. Saiba o que ler para ter um conhecimento sobre o  mago inglês mais famoso da DC Comics e estar preparado para o que pode vir a ter na série.

Invasão - Por onde começar a ler X-Men

O grupo mutante X-Men é um dos maiores títulos da Marvel e sempre compete pela liderança de maior número de edições vendidas da editora e isso é um reflexo da qualidade de seus personagens e histórias.

Supergirl, Lanterna Vermelha

Não é de hoje que a Supergirl tem alguns problemas em controlar sua raiva e alguns sentimentos mais fortes e, de acordo com o novo escritor de Supergirl, Tony Bedard diz que Kara vai evoluir de uma adolescente cheia de raiva para uma adulta, defensora da Terra. Mas primeiro, ela tem que se livrar dessa fúria da juventude! Cuidado com os spoilers: